Eclipse total do sol. O fenómeno visto a partir de Portugal

pulse-iconDireto

Eclipse total do sol. O fenómeno visto a partir de Portugal

O país testemunha hoje um fenómeno raro: um eclipse total do Sol. É algo que já não acontece desde 1912 e terá duração aproximada de 26 segundos. Os portugueses vão estar de olhos postos no céu, mas devem proteger-se com os óculos apropriados a fim de evitar danos irreversíveis na retina.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa

Emissão em direto na RTP Notícias


Foto: João Chaves Marques - RTP

Mais atualizações Voltar ao topo
RTP /

Rio de Onor. Acessos cortados desde as 15h00

Em Rio de Onor, os acessos já estão cortados desde as 15h00. Na aldeia, só entram moradores, familiares de moradores ou hóspedes que estejam em alojamento local ou no parque de campismo.

A partir de agora, o controlo é apertado: quem quiser entrar na aldeia precisa de identificação ou de um comprovativo.
PUB
Momento-Chave
Mariana Soares Ferreira - RTP / Adicionar como fonte informativa

Eclipse solar leva 150 militares da GNR para Bragança e condiciona acesso a Rio de Onor

A observação que estava prevista no Parque Natural de Montesinho foi transferida para o aeródromo de Bragança devido ao risco de incêndio. Ainda assim, são esperadas centenas de pessoas na aldeia transmontana.

Foto: João Chaves Marques - RTP

O eclipse solar total desta quarta-feira levou ao reforço do dispositivo de segurança na região de Bragança. Cerca de 150 militares da GNR estão mobilizados no terreno, numa operação que envolve várias valências da força de segurança e que tem como principal objetivo garantir a segurança dos milhares de pessoas que se deslocaram à região para assistir ao fenómeno.  "A aldeia é muito pequena, com estradas muito estreitas", explicou o major Hernâni Martins, da GNR de Bragança.

Segundo José Preto, tesoureiro da Junta de Freguesia de Rio de Onor, "estavam inicialmente inscritas 2.000 e tal pessoas" para a observação no Parque Natural de Montesinho.

A observação foi cancelada nesse local e o público foi direcionado para o aeródromo de Bragança. "A grande razão foi o risco de incêndios", explicou José Preto, mas "olhando para a dimensão que o eclipse tomou, acredito que foi realmente a melhor opção."

Apesar da alteração, a aldeia continua a receber visitantes. José Preto estima que deverão chegar "algumas centenas" de pessoas, muito acima do movimento habitual. Cerca de 150 militares no terreno

A GNR montou um dispositivo composto por cerca de 150 militares de diferentes valências.

Segundo o major Hernâni Martins, estão envolvidos elementos do dispositivo territorial, trânsito, investigação criminal e da Unidade Especial de Proteção e Socorro.


O dispositivo inclui ainda reforço das comunicações através de uma antena SIRESP e articulação com o ICNF e com a autarquia. 
"O objetivo é apenas um: proporcionar segurança aos milhares de cidadãos que se deslocam até à nossa região para ver o eclipse solar", afirmou o responsável da GNR.
A presença policial começou a fazer-se sentir em Rio de Onor ainda na noite de terça-feira, com várias patrulhas na aldeia.  Observação transferida para o aeródromo de Bragança

As autoridades lembram, no entanto, que o fenómeno pode ser observado a partir de vários pontos da região e o aeródromo de Bragança passou a ser o principal espaço organizado para a observação.

Para quem vive em Rio de Onor, o dia representa uma mudança radical no ritmo habitual da aldeia. José Preto vai assistir ao fenómeno na própria aldeia.

"Eu vou estar aqui. Que voltem para o próximo daqui a 100. Cá estamos para receber novamente", afirma. 
PUB
Momento-Chave
Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa

"Começámos a desafiar-nos". A história da ex-deputada espanhola que perdeu a visão a observar eclipse

Mercedes López Romero, ex-deputada do partido Ciudadanos, recorda o momento, quando tinha oito anos e estava a observar um eclipse com outras crianças. "Começámos a desafiar-nos a ver quem aguentava mais tempo a olhar para o Sol". Foi ela quem conseguiu.

Nacho Doce - Reuters

A antiga deputada no Parlamento da Andaluzia sofre de cegueira a 90 por cento por ter olhado fixamente para o Sol. Alerta que observar o eclipse sem proteção adequada pode causar danos irreversíveis, sendo ela o exemplo disso mesmo.Mercedes Romero desaconselha olhar para o eclipse, "mesmo com óculos de proteção, e, no caso das crianças, ainda menos".

“Assusta-me ver que as pessoas vão ver o eclipse com crianças e tudo, não estão conscientes do perigo que isso representa”, revela Mercedes López em declarações à agência EFE.

Aos 45 anos e fisioterapeuta de profissão diz que não sentiu imediatamente os efeitos das lesões causadas pelas queimaduras solares.Só quando tinha 14 anos e estava no liceu é que começou a não distinguir alguns números no quadro.
 
Então pela primeira vez foi ao oftalmologista que identificou logo as queimaduras solares e lhe perguntou se tinha olhado de forma contínua para o sol.

De facto, foi isso que aconteceu quando tinha oito anos e, na companhia de outras crianças no pátio da escola na localidade de Dalías (Almería), se escondeu para olhar para o Sol durante um eclipse, sem que os adultos — que o observavam a certa distância e com medidas de proteção — se apercebessem.A perda de visão foi progressiva e continua a agravar-se. “Os dias nublados são mortais para mim, os muito ensolarados também e vou perdendo a visão com o passar dos anos”.
 
“Já não consigo distinguir as cores, confundo-as constantemente”, acrescenta. 

As suas lesões oculares não podem ser operadas por afetarem o tecido nervoso, mesmo no centro da mácula.

Links com informação útil da Direção-geral de Saúde para sua proteção:

Recomendações para uma observação em segurança


PUB
RTP /

Milhões de europeus vão assistir ao eclipse de forma parcial

Gronelândia, Islândia e Espanha estão entre os melhores locais para assistir ao eclipse total.

Milhões de europeus verão o espetáculo mas de forma parcial.
PUB
Momento-Chave
Mariana Soares Ferreira - RTP / Adicionar como fonte informativa

Rio de Onor. Eclipse leva centenas de pessoas a aldeia de 43 habitantes

Rio de Onor é uma aldeia de Portugal onde o eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, será visto na totalidade. A localidade fronteiriça, em Bragança, espera várias centenas de visitantes para assistir ao fenómeno, mas estas ruas transmontanas têm história que vai muito além do eclipse.

Foto: Hugo Teles - Unsplash

Há um lugar em Portugal onde, esta quarta-feira, durante alguns minutos, o dia vai transformar-se em noite. É Rio de Onor, no concelho de Bragança, onde o eclipse solar será observado a 100 por cento.

Com apenas 43 habitantes a aldeia é dividida por dois países. De um lado está Rio de Onor, em Portugal e do outro, Rihonor de Castilla, em Espanha. As duas localidades estão separadas pela fronteira, mas partilham uma mesma rua. Na aldeia há até uma forma tradicional de distinguir os dois lados: existe o povo de cima e o povo de baixo, numa referência à população portuguesa e espanhola.

Durante gerações, os habitantes mantiveram uma organização comunitária tradicional. Partilhavam-se terrenos, gado e fornos comunitários e participavam em conjunto nas decisões que diziam respeito à aldeia.

As infrações às regras da comunidade eram sancionadas com multas pagas em vinho. Quanto maior fosse o delito, maior seria a quantidade de vinho a dar à população. Eclipse solar na 7 Maravilha de Portugal
Em 2017, Rio de Onor foi eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de Aldeias Remotas. Agora, quase uma década depois, é o céu que volta a colocar Rio de Onor no centro das atenções.


Para quem vive aqui, será um dia diferente daquele a que a pequena comunidade está habituada. Para quem chega, será a oportunidade de assistir a um fenómeno astronómico raro num dos lugares mais singulares do território português. 
Dos nove meses de inverno ao "inferno" transmontano O clima da região também tem direito a uma expressão própria. Em Trás-os-Montes, diz o ditado popular, existem "nove meses de inverno e três de inferno".

A paisagem moldou a identidade de Rio de Onor, uma aldeia onde as tradições e a comunidade fazem parte do património.
PUB
RTP /

Nas últimas décadas houve vários eclipses parciais

Há 114 anos, cientistas de vários países vieram a Portugal para ver o eclipse. Foi o último alinhamento total dos dois astros avistado desde o nosso país. Nas últimas décadas houve vários eclipses parciais que despertaram também a atenção de especialistas e curiosos.

PUB
Momento-Chave
Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa

Dia de eclipse. Olhos abertos mas protegidos para ver segundos de escuridão em Portugal

São cerca de 26 segundos em que a Lua esconde completamente o Sol, logo depois surgem os primeiros raios de luz. "Uma experiência sensorial" que voltará a ser visível em Portugal apenas daqui a 118 anos. A única zona do país onde o eclipse solar vai ser total é no concelho de Bragança, especificamente numa pequena faixa do Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano.

João Pedro Marques - RTP

Quanto ao resto do país, o eclipse solar é parcial - de 92 por cento a 99 por cento em território continental e entre 74 por cento e 77 por cento nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. O eclipse do sol vai começar perto das 18h30 desta quarta-feira (termina às 20h29) e o ponto alto acontecerá pelas 19h30.
Telejornal | 11 de agosto de 2026

Os astrónomos explicam que, apesar de todos os eclipses solares terem origem no mesmo fenómeno (a Lua passar à frente do Sol), a geometria do sistema Terra-Lua-Sol dá origem a três espetáculos completamente distintos. Há mais de 100 anos (desde 1912) que Portugal não conseguia estar na posição certa para ver um eclipse total do Sol.

A chave está na posição do observador e no tamanho aparente que a Lua apresenta em cada momento da sua órbita.

 
Cientistas da NASA preparados para observar o eclipse | EPA

O eclipse solar total é o mais espetacular e também o mais raro (os outros dois são o eclipse solar anular e o eclipse solar parcial).
Telejornal | 11 de agosto de 2026

A escuridão total ocorre quando a Lua cobre completamente a fotosfera (a superfície brilhante visível do Sol). Neste caso, só quem estiver dentro de uma estreita faixa denominada "umbra" é que pode ser testemunha do eclipse total. Ou seja, o céu escurece, a temperatura pode descer vários graus e tornam-se visíveis os planetas e as estrelas mais brilhantes.

À Lusa Lina Canas, astrónoma e diretora do Centro Ciência Viva (CCV) de Constância – Parque de Astronomia, no distrito de Santarém – recorda os efeitos do eclipse total que testemunhou em 2016, nas ilhas Molucas, na Indonésia.

Então, o eclipse solar total foi “uma experiência sensorial completamente diferente, capaz de alterar temperatura, vento e comportamento dos animais”. “Nós sentimos a temperatura baixar, sentimos um vento a levantar” enquanto os animais alteraram o seu comportamento. Por exemplo, o regresso das aves aos ninhos com a escuridão a aproximar-se.

Por esta razão, o comportamento animal vai ser estudado durante o eclipse no Parque Natural de Montesinho.

Sendo verdade que nunca é seguro olhar diretamente para o Sol, seja qual for o dia, durante o eclipse os avisos multiplicam-se. Isto porque a escuridão permite o olhar direto e também pode dar uma falsa sensação de segurança ocular.“O tempo de exposição ao Sol necessário para causar danos na retina é de apenas alguns segundos”, destaca a Direção-geral de Saúde (DGS). 

De acordo com a DGS, os óculos de sol comuns, radiografias, vidros fumados, lentes ou outros materiais improvisados não oferecem proteção adequada para ver o eclipse, por não serem capazes de filtrar toda a radiação nociva para os olhos.

A exposição pode provocar danos nas células dos olhos e, em situações mais graves, a cegueira. A cegueira “pode ser irreversível” e a perda de visão pode não ser imediatamente aparente.

 
Foto: Reuters

A DGS já divulgou recomendações para a observação segura do eclipse solar.

  • A observação do eclipse deve ser feita exclusivamente com óculos certificados para eclipse solar, em conformidade com a norma ISO 12312-2 e com marcação CE;


  • A DGS recomenda cuidados especiais com as crianças, referindo que os bebés e as crianças pequenas não devem olhar diretamente para o Sol, mesmo utilizando óculos para eclipse;


  • As crianças que utilizem óculos certificados devem ser sempre acompanhadas por um adulto, que confirme a utilização correta durante toda a observação;


  • Sempre que possível, devem ser privilegiadas formas indiretas e seguras de observar o eclipse, como transmissões em direto ou projeções da imagem do Sol.

Se, durante ou após o eclipse, surgirem sintomas como visão turva ou distorcida, manchas ou pontos negros no campo visual, alteração da perceção das cores, diminuição ou perda súbita da visão ou dor ocular intensa, a Direção-geral de Saúde aconselha o contacto imediato para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).
PUB