Embaixador de Portugal no Chipre prepara viagem de refugiados

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Os últimos três de 10 portugueses evacuados durante a noite do Líbano desembarcaram a salvo às primeiras horas da manhã no porto cipriota de Larnaca, estando previsto que sigam esta quinta-feira para Lisboa.

O embaixador de Portugal em Nicósia, António Jacob de Carvalho, declarou à Agência Lusa que, embora esgotados, física e psicologicamente, pela longa viagem entre a costa de levante do Médio Oriente e o sul de Chipre, "todos eles se encontram bem, hospedados num hotel da cidade, estando as crianças mais cansadas".

O diplomata acrescentou que a partida de nove destes portugueses, acompanhados por franceses e espanhóis, "está prevista para o fim da tarde de hoje para Lisboa, via Paris".

Jacob de Carvalho salientou que um avião de transporte C-130 da Força Aérea Portuguesa encontra-se em Damasco, de onde sairá, a hora não determinada, para recolher os passageiros em Chipre.

Só uma portuguesa, Rima Medawar Fernandes, viajará para o Cairo, onde tem família à sua espera, acrescentou.

O embaixador indicou ainda que é aguardado mais um navio com refugiados portugueses do Líbano, não se sabendo por ora quantos são e quando poderão chegar a Chipre.

Os portugueses acolhidos hoje em Larnaca são Ana Caroline Lemos Alberga ria Arbaji, uma filha, Leni Arbaji, e um filho, Pierre Arbaji, que viajaram a bordo do navio Iera Petra, de pavilhão grego, fretado pela França, com cerca de 1.200 pessoas a bordo. O marido ficou em Damasco.

Estes três cidadãos completaram o lote de 10 portugueses chegados a Larnaca entre as 22:30 de quarta-feira e as 6:30 locais de hoje (menos duas horas em Lisboa).

Os outros sete portugueses viajaram na fragata francesa Jean de Vienne, com 390 passageiros.

Nas instalações portuárias onde os acolheram tiveram à sua espera equipas médicas e da protecção civil. O desembarque foi demorado, passageiro a passageiro, muitos deles levavam crianças nos braços, e fizeram de autocarro o percurso desde o cais.

Em ambos os casos, desde a amarração dos navios ao cais, passando pelo desembarque e, finalmente, a entrada em território cipriota, decorreram cinco horas.

No momento do desembarque não puderam prestar declarações aos muitos jornalistas presentes, de várias nacionalidades, que foram afastados pela polícia local e colocados atrás de gradeamentos longe da fila formada para o cumprimento das formalidades.

Depois do "Iara Petra" amarrou o navio grego "Ikara", sendo ainda hoje esperados mais três, com um milhar de refugiados do Líbano, revelou a autoridade marítima cipriota-grega, que não pôde precisar o número de barcos envolvidos em operações de resgate nos próximos dias, nem quantas pessoas transportarão.

Uma passageira francófona do "Ikara", Lina Ahmad, interpelada pelos jor nalistas desaconselhou com veemência qualquer deslocação ao Líbano nos próximos tempos porque, justificou, a situação é muito grave, de isolamento entre o norte e o sul do país, devido à destruição de infra-estruturas rodoviárias, embora a população ainda vá tendo água e electricidade nas suas casas.


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