Endoscopia digestiva é menos dolorosa que a broca do dentista

O presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva afirmou hoje que os diagnósticos endoscópicos, mesmo os do tipo colonoscópico (introdução de tubos flexíveis no ânus), fazem sofrer menos do que a broca de um dentista.

Agência LUSA /

"É bem pior a broca do dentista", garantiu Venâncio Mendes, assegurando que 99 por cento dos exames endoscópicos são feitos actualmente sem necessidade de sedar o doente, graças às revoluções tecnológicas registadas nos últimos anos.

"A prática da endoscopia digestiva tem avançado brutalmente", disse o especialista, que falava à agência Lusa à margem das 5ªs.

Jornadas Luso-Galaicas de Endoscopia Digestiva e do 4º Curso Nacional de Endoscopia Digestiva, que decorrem de hoje até quarta-feira, no Porto.

O especialista anunciou também que alguns dos novos avanços nas técnicas de diagnóstico em endoscopia vão ser apresentados, pelo francês Jacques Devière, nestas jornadas do Porto.

"As técnicas que o professor vai apresentar permitem ter uma visão mais aumentada da mucosa e, em alguns casos, até ter ideia de algumas partes da mucosa que podem ser mais suspeitas sob o ponto de vista de diagnóstico", explicou Venâncio Mendes.

Os exames fazem-se através de tubos flexíveis introduzidos pela cavidade oral (endoscopia digestiva alta) ou anal (endoscopia digestiva alta ou colonoscopia).

Esses instrumentos permitem visualizar a mucosa (revestimento interno) do tubo digestivo, e realizar detalhada avaliação, assim como recolher material (biopsias) ou mesmo realizar pequenas cirurgias.

O objectivo é detectar precocemente doenças do esófago, estômago ou intestinos, e travar o avanço do cancro do cólon.

Todos os anos são detectados em Portugal cinco mil novos casos de cancro, 59 por cento dos quais são mortais.

De acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, o cancro de cólon apresenta maior incidência na Europa e ocupa o primeiro lugar nas mortes por doença oncológica, em Portugal.

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