Enfermeiros apresentam mais de 7.600 pedidos de escusa de responsabilidade

A Ordem dos Enfermeiros revelou esta terça-feira que recebeu, em 2022, mais de 7.600 pedidos de escusa de responsabilidade por parte dos profissionais que tutela. “Em causa está a degradação dos serviços”, afirma a estrutura, que sublinha tratar-se de números “seis vezes superiores aos de há um ano”.

Carlos Santos Neves - RTP /
“Em causa está a degradação dos serviços, sobretudo devido à falta de Enfermeiros, o que leva ao incumprimento das dotações seguras”, afirma Ordem António Cotrim - Lusa

“No total, e até à presente data, a OE recebeu 7.656 pedidos de escusa de responsabilidade, quando em agosto tinham sido apresentadas 6.541”, lê-se numa nota da Ordem dos Enfermeiros.
Frederico Moreno - Antena 1

“Estes dados confirmam as previsões da Ordem, da tendência de subida destas declarações desde o início do ano, face ao agravamento da situação nos hospitais”, prossegue a estrutura.“O mais recente relatório da OCDE Health at a Glance, divulgado há uma semana, revela que Portugal tem um rácio de 7,3 enfermeiros por mil habitantes, tendo já sido ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta – a média dos países da UE é de 8,3 enfermeiros por mil habitantes”, faz notar a Ordem.


Ainda de acordo com os dados agora conhecidos, na região Centro “são já mais de cinco mil as declarações apresentadas, sendo que a maioria corresponde a enfermeiros do Hospital de Leiria”.

A região Sul, com um total de 2.132 declarações, é a segunda zona do país com maior número de pedidos de escusa, com o Hospital Garcia de Orta, em Almada, a apresentar a situação mais grave, seguido do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que abrange o Santa Maria, e do Hospital do Algarve”, refere a Ordem dos Enfermeiros.
Os números “são seis vezes superiores aos números de há um ano”, quando haviam dado entrada na Ordem dos Enfermeiros “1.300 declarações”.

A Ordem afirma estar “em causa está a degradação dos serviços, sobretudo devido à falta de enfermeiros, o que leva ao incumprimento das dotações seguras, pondo em causa a qualidade e segurança dos cuidados prestados”.

“Esta declaração foi disponibilizada pela OE a todos os enfermeiros para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou mesmo criminal dos enfermeiros face ao elevado número de doentes a seu cargo, uma vez que está demonstrado por estudos internacionais que por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro a mortalidade sobe sete por cento nos hospitais”, remata a nota.
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