País
Enfermeiros do hospital Amadora-Sintra entregam declaração de escusa de responsabilidade
Dezenas de enfermeiros entregaram à administração do hospital uma declaração de escusa de responsabilidades. Alegam falta de condições para prestar cuidados de saúde e adequados aos utentes em urgência. O hospital sublinha que está em curso o reforço dos recursos, com a contratação de mais 13 enfermeiros entre os meses de agosto e setembro.
De acordo com a agência Lusa, a declaração foi entregue por enfermeiros do serviço de urgência no final de julho.
Na missiva, os enfermeiros indicam que as atuais condições de funcionamento do serviço de Urgência Geral estão "a expor os profissionais a responsabilidades decorrentes de circunstâncias que não controlam e não podem corrigir", lê-se no documento a que a mesma agência teve acesso.
Apontam para vários problemas, desde logo a sobrelotação diária da área ambulatória e a insuficiência de dotações médicas nas diferentes áreas funcionais do serviço.
Um dos profissionais indica mesmo à agência Lusa que os tempos de espera elevados se têm agravado, sobretudo desde que o serviço ficou sem direção clínica, já no final de fevereiro.
Segundo o mesmo profissional, no inicio desta semana "a espera chegou às 26 horas para doentes urgentes", que deveriam ser vistos em uma hora e os doentes considerados muito urgentes chegaram a esperar quatro horas.
Segundo o mesmo profissional, no inicio desta semana "a espera chegou às 26 horas para doentes urgentes", que deveriam ser vistos em uma hora e os doentes considerados muito urgentes chegaram a esperar quatro horas.
"Com tanto tempo de espera, qualquer doente que não seja urgente pode passar a sê-lo", refere o mesmo profissional de saúde, lembrando que uma espera desta dimensão condiciona a avaliação clínica.
A escassez de enfermeiros já tinha obrigado à redução da capacidade de internamento na urgência, que tem agora menos 18 camas.
Em junho, o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, que serve mais de 600 mil habitantes, apresentou o Plano de Transformação a Assistencial e Estratégico, que inclui diversos investimentos estruturantes, entre os quais a construção de um novo edifício para o hospital, a modernização de infraestruturas e o reforço da capacidade assistencial da instituição.
Reforço de recursos com contratação de enfermeiros
Numa nota enviada esta sexta-feira à RTP Antena 1, a ULS Amadora-Sintra confirma a receção da declaração de escusa de responsabilidade apresentada pelos enfermeiros do Hospital Fernando Fonseca.
De acordo com a unidade de saúde, as questões identificadas pelos profissionais e condições de funcionamento do serviço foram analisadas pela equipa de enfermagem do serviço de urgência e conjunto com o Conselho de Administração.
A situação foi igualmente acompanhada pela Ordem dos Enfermeiros, que realizou entretanto uma "visita de acompanhamento" ao serviço.
Mais acrescenta que houve um reforço dos recursos de enfermagem, com a contratação de seis enfermeiros no mês de agosto "em regime de prestação de serviços". Para setembro está prevista a entrada de "mais sete enfermeiros, através de contrato de trabalho".
O hospital explica ainda que está "em curso" o processo de recrutamento para a contratação do novo diretor do serviço de urgência geral e também "o trabalho com vista ao reforço da equipa médica" do Serviço de Urgência Básica do Hospital de Sintra, "através da contratação de novos médicos".
"Apesar da apresentação da declaração", os enfermeiros do serviço de urgência geral "continuam envolvidos e empenhados na resolução das situações identificadas, mantendo o seu compromisso com a prestação de cuidados de saúde de qualidade aos seus utentes".
Tempos de espera ultrapassaram as nove horas
Ao longo da tarde desta sexta-feira, tempo de espera para a primeira observação de doentes urgentes no Hospital Amadora-Sintra chegou a ultrapassar as nove horas, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde para o efeito.
Pelas 18h10, o tempo de espera na urgência geral para a primeira observação era de 8h12. Os doentes urgentes (pulseira amarela) esperavam uma média de 8h15 pela primeira observação e os doentes pouco urgentes (pulseira verde) esperavam 9h03.
Os doentes muito urgentes (pulseira laranja) esperavam em média 1h22 para uma primeira observação por um médico.
Segundo o sistema de triagem, as situações muito urgentes têm um atendimento recomendado nos dez minutos seguintes à triagem. Já os casos urgentes não deveriam aguardar mais de 60 minutos. Para os pouco urgentes, o tempo recomendado é de 120 minutos.
c/ Lusa