Ensino superior. Mais de 49 mil estudantes entraram na primeira fase do concurso de acesso

por Joana Raposo Santos - RTP
Das 55.307 vagas colocadas a concurso, sobraram 6.393 vagas para a segunda fase do concurso. Mário Cruz - Lusa (foto de arquivo)

Dos mais de 64 mil candidatos ao Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior deste ano, cerca de 49 mil foram já colocados na primeira fase. É o segundo maior número de colocados dos últimos 30 anos. Tal como em anos anteriores, as notas mais altas dos últimos colocados surgem em vários cursos de engenharia e medicina.

Há três décadas que o número de novos estudantes a entrar no ensino superior na primeira fase não era tão elevado: 49.452 alunos já têm lugar garantido no ano letivo 2021/2022, sendo que 82 por cento deles foram colocados numa das suas três primeiras opções de candidatura.

É o segundo valor de colocados mais elevado desde 1989. Pode consultar aqui as colocações na primeira fase.

Os dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) revelam ainda que 4.893 dos novos estudantes foram colocados nos cursos com maior concentração de melhores alunos, ou seja, aqueles com maior índice de excelência dos candidatos. Este número representa um aumento de cerca de sete por cento face ao ano anterior nesses ciclos de estudo. Das 55.307 vagas colocadas a concurso, sobraram 6.393 vagas para a segunda fase do concurso.

As áreas STEAM - Ciências, Tecnologias, Engenharia, Artes e Matemática foram das mais concorridas entre os novos estudantes: 21.401 foram colocados nestes cursos.

Houve também um forte aumento na procura por cursos das áreas de competências digitais: foram colocados aqui 6.820 alunos, um aumento de 20 por cento em relação a 2015.

Os cursos de medicina mantiveram o grau de adesão: foram colocados 1.555 estudantes, apenas mais sete do que no ano anterior e mais 44 do que em 2019.

Foi registada, neste ano letivo, uma melhoria no número de colocados em instituições de regiões com menor densidade demográfica: 12.318 estudantes procuraram faculdades e institutos politécnicos nestas zonas do país.

Em concreto, a Universidade de Évora e os institutos politécnicos de Beja, Portalegre, Bragança, Guarda, Santarém, Viseu e Tomar registaram um aumento no número de colocados face ao ano letivo 2020/2021.
Os cursos com média mais alta
As médias mais altas da primeira fase de acesso em 2021/2022 não trazem muitas surpresas. Em primeiro lugar está Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico (UL), onde a nota do último colocado foi 190,5.

Em segundo lugar ficou o curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, com 190,3, seguido de Engenharia e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia, com 189,8. Ambas as instituições pertencem à Universidade do Porto (UP).

Segue-se o curso de Engenharia Física Tecnológica (IST-UL), onde a nota do último colocado foi 189,5; Medicina na FMUP, com 188,2; Medicina na Universidade do Minho, com 187,8, Bioengenharia na FEUP, com 187,5; Engenharia Aeroespacial na Universidade de Aveiro, com 186,4; Línguas e Relações Internacionais na FLUP, com 185,4; e, por fim, Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da UNL, com 184,5.
Direito no topo dos cursos com mais alunos colocados
Nesta primeira fase de acesso, o curso com mais alunos colocados foi o de Direito, com 445 vagas preenchidas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e 354 na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Em terceiro lugar entre os cursos com mais estudantes colocados está Enfermagem, na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, onde 322 alunos já têm lugar garantido.

Segue-se o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com 295 colocados; Gestão (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), com 290; Enfermagem (Escola Superior de Enfermagem de Lisboa), com 287; Engenharia Informática e Computação (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), com 266, empatado com o curso de Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem do Porto (266); Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (255); e, por fim, Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com 246 alunos.
Mais de 100 mil novos estudantes devem ingressar no ensino superior este ano
Outro número surpreendente foi o de estudantes colocados através do contingente especial para estudantes com deficiência: 315, o dobro do valor registado em 2015. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior atribui este aumento às alterações legislativas introduzidas neste domínio.

Foram também colocados 419 estudantes emigrantes e lusodescendentes, crescendo seis por cento face ao ano anterior (quando tinham sido colocados 396 candidatos) e 151 por cento face a 2015. Aqui, terão sido essenciais os esforços desenvolvidos na iniciativa “Estudar e Investigar em Portugal”.

No total, o MCTES estima que mais de 100 mil novos estudantes ingressem no ensino superior em 2021/2022, “incluindo as diversas formas de ingresso no ensino superior público e privado”.

Destes 100 mil, mais de 82 mil deverão ingressar no ensino superior público, incluindo cerca de 51 mil colocados quando concluídas as três fases do Concurso Nacional de Acesso.

Aproximadamente 31 mil estudantes entrarão por outras vias de ingresso no ensino superior público, incluindo cerca de 8 mil estudantes em formações curtas de âmbito superior (nomeadamente cursos técnicos superiores profissionais).

No ensino superior privado deverão ingressar perto de 19 mil estudantes.

A segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público de 2021/2022 vai decorrer entre 27 de setembro e 8 de outubro. A esta etapa podem candidatar-se os alunos que não tenham ficado colocados na primeira fase, assim como aqueles que ficaram colocados mas desejam concorrer novamente ou não procederam à respetiva matrícula e inscrição.
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