País
Equipas irlandesas ajudam a repor eletricidade na região de Leiria
A região de Leiria foi muito afetada pela tempestade Kristin e mais de duas semanas depois ainda há muitas localidades sem eletricidade. A recuperação do território pode demorar semanas, ou até meses, e tem sido dificultada pelo persistente mau tempo. Aos poucos as famílias voltam a ter luz em casa, graças aos esforços da E-Redes e de técnicos estrangeiros que fizeram milhares de quilómetros para ajudar a trazer a normalidade.
Toda a ajuda é bem-vinda e, no rescaldo de uma vaga de tempestades que assolou a zona centro do país, faz sempre falta mais um par de mãos para pôr tudo em ordem e restabelecer a normalidade. As imagens de destruição provocada pelo mau tempo atravessaram fronteiras e houve quem se voluntariasse para vir a Portugal ajudar.
Em Fátima estão hospedados centenas de técnicos de redes irlandeses e franceses, desde 8 de fevereiro, que têm estado a trabalhar para reparar os danos na rede elétrica, principalmente no distrito de Leiria.
“Desta vez calhou-nos a nós. Ligámos para a E-Redes e dissemos que estávamos disponíveis. Obviamente a E-Redes aceitou”, contou Ricardo Valente, da ESB na Irlanda.
Vieram então equipas, com forte experiência em reparação de infraestruturas, para se juntar às operações locais de restauração de energia. Entre os técnicos e operadores há irlandeses e portugueses emigrados na Irlanda, que têm ajudado também com a questão linguística.
“Temos cerca de 60 pessoas no terreno, a grande maioria são técnicos da ESB que se voluntariaram para vir para Portugal”, explicou o responsável pelo Centro de Treinos das Equipas da ESB na Irlanda.
“Temos também uma empresa contratada por nós, a Gaeltec, maioritariamente constituída por portugueses. Trouxeram 15 elementos que são portugueses, o que facilita bastante aqui a lidar com a E-Redes e com a população que encontramos”.Palavra de ordem: Segurança
As imagens das casas destruídas, sem telhado, as árvores caídas, as cheias e a danos de grande parte da rede elétrica portuguesa correram mundo nas últimas semanas. E a operadora irlandesa disponibilizou-se para pôr mãos à obra.
“Os contactos foram feitos logo que soubemos da tempestade em Portugal”, confirmou Ricardo Valente, que admitiu que “vir da Irlanda para aqui não é fácil”.
Depois de acertados os pormenores com a E-Redes, as equipas da ESB fizeram “cerca de dois dias e meio de viagem”.
“Entre barcos para o norte de Espanha, barcos para o norte de França e depois cerca de 1.800 quilómetros de viagem até chegarmos a Leiria. Demorámos dois dias e meio a chegar aqui”, disse o português emigrado na Irlanda há 18 anos.
"Assim que chegámos já tínhamos as coisas mais ou menos preparadas e começámos a ajudar no que é possível”.
Para o responsável da operadora ESB, originário de Lisboa, a palavra de ordem é “segurança”. Embora todos os técnicos e operacionais no terreno estejam preparados para trabalhar com a rede elétrica, há alguns desafios para estes trabalhadores estrangeiros porque a estrutura da rede elétrica em Portugal não é igual à da Irlanda.
“A rede aqui é ligeiramente diferente da rede irlandesa, portanto, houve várias reuniões técnicas para tentar perceber o que é que tinham aqui e o que nós temos lá, porque para nós é extremamente importante a nossa segurança e a dos nossos homens”, sublinhou o responsável.
“Não há heróis aqui. Viemos para ajudar, mas todos nós temos família em casa e todos nós, eventualmente, vamos voltar para casa seguros”.
Enquanto Ricardo Valente explicava os procedimentos de segurança antes de qualquer operação no terreno, uma pequena equipa de técnicos de redes patrulhava a área onde ia reparar cabos e reestabelecer a energia na localidade de Aroeira, em Leiria.
“Os trabalhos que estamos a fazer têm a ver com o patrulhamento das áreas que nos foram atribuídas. As equipas, antes de virem para o terreno para efetuar qualquer tipo de trabalho, vêm averiguar o estado em que a rede está e ver se existem condutores que estão no chão que estão ainda em tensão”.
Depois da segurança garantida e de os técnicos da E-Redes desligarem os pontos em tensão que serão manuseados, as equipas entram em ação. “Estamos para ajudar”
As autoridades locais têm repetido que os esforços para recuperar a região e restabelecer a energia começaram desde o primeiro dia, mas que todo o processo pode levar muito tempo. E mesmo com ajuda extra, são operações especializadas e demoradas. Além de estarem a ser atrasadas e dificultadas devido ao mau tempo.
“Estamos cá há uma semana e garantidamente vamos ficar até ao fim da próxima. E depois disso logo se verá”, afirmou Ricardo Valente, sublinhando que os “danos aqui são extremamente grandes”.

Comparando com situação idêntica na Irlanda, em janeiro de 2025, o operador português considera que em Portugal passou “uma tempestade sem precedentes”. O importante agora é trazer “luz” aos clientes e em segurança.
“Mas certamente haverá trabalho nas redes para os próximos meses. Aconteceu connosco na Irlanda e deve acontecer aqui”.
Antes de as equipas começarem a operar no terreno há procedimentos: começa com patrulhamento, a visita à área com um elemento da E-Redes, correr a zona a pé ou de carro e averiguar se pode criar uma zona de segurança de trabalho.
“Temos cerca de 35 veículos especializados que vieram da Irlanda, entre veículos da ESB e veículos da Gaeltec, e cerca de 60 homens – desde operadores de rede a técnicos de redes e management”.
O objetivo agora “é as casas à nossa volta terem energia”. Mas as “condições climatéricas não são as ideais”.
“Nós estamos aqui desde domingo e, desde esse dia, temos estado em alerta amarelo e laranja de chuva. Não é que não estejamos habituados na Irlanda, mas definitivamente a chuva, quando cai aqui, cai a sério”, ironizou.
Ricardo Valente vive na Irlanda, país que escolheu para se fixar e constituir família. Mas começou a trabalhar em Portugal como técnico de telecomunicações móveis. Hoje em dia é responsável pelo Centro de Treinos das Equipas da ESB na Irlanda e foi um dos que se disponibilizou para vir ao país de origem ajudar no rescaldo da tempestade.
“Estamos aqui para ajudar”, disse sem hesitar, antes de retomar as operações com a equipa no terreno.
Cooperação europeia
À semelhança da irlandesa ESB, outras operadoras de rede europeia disponibilizaram-se para vir trabalhar em cooperação com a E-Redes na recuperação da rede elétrica nas zonas afetadas pelo mau tempo.
De acordo com Ricardo Valente, “existem reuniões a nível europeu de todas as operadoras energéticas”. Apesar de ainda não haver “contratos assinados”, já há “alguma cooperação para que, quando eventos destes acontecem, se disponibilizem equipas internacionais”.
“Já existem contactos europeus” para, em situações como esta, as operações de cooperação e reestruturação estarem “mais automatizadas e sejam acionadas o mais depressa possível”.
É necessário garantir a cooperação entre as operadoras porque “é sempre difícil prever o quão grande é a próxima tempestade”.
“A verdade é que temos de estar minimamente preparados para as tempestades”, referiu. “A realidade é que nós nunca sabemos o nível de grandeza da próxima tempestade. Hoje podemos estar preparados, mas quando as coisas acontecem não é bem assim”.
E considerando o aumento destes eventos climáticos, o responsável de operações explicou que não é fácil adaptar e mudar a rede elétrica para o subsolo, para não estar sujeita às situações climatéricas.
“Uma rede de baixa tensão toda enterrada custa cinco vezes mais do que uma rede aérea. Uma rede de alta tensão custa 15 vezes mais se for enterrada”, argumentou. “Ninguém quer pagar 15 vezes mais a conta elétrica”.
“São situações difíceis”, concluiu.
Técnicos irlandeses querem continuar a ajudar
Entre os trabalhos de restabelecimento de energia na Aroeira, Tom Kavanaghn contou que é a primeira vez que está em Portugal para trabalhar e lamentou a falta de sol, tão procurado pelos irlandeses.
“Já cá estive em férias antes. Estive em Albufeira a jogar golfe. Mas é a primeira vez que estou aqui a trabalhar”, disse o técnico irlandês da ESB, que esperava melhor tempo depois da tempestade: “trouxe uns calções, mas nunca consegui usá-los”.
Na Irlanda está acostumado ao frio e à chuva. Mas em Portugal esperava dias melhores até para poder trabalhar. E como tem chovido todos os dias desde que as equipas irlandesas chegaram ao território afetado, “isso atrasa o trabalho”.
“É terrível o que aconteceu. Mas estamos a ajudar o máximo que podemos. E estamos felizes por ajudar”, admitiu.
Apesar das condições dificultarem e de ser um trabalho pesado, Tom assegurou que a equipa não quer voltar já e vai continuar a ajudar.
“Nós vamos continuar e vamos conseguir recuperar parte”.
Em Fátima estão hospedados centenas de técnicos de redes irlandeses e franceses, desde 8 de fevereiro, que têm estado a trabalhar para reparar os danos na rede elétrica, principalmente no distrito de Leiria.
A operadora irlandesa ESB Networks enviou equipas, incluindo a Gaeltec Utilities, para Portugal para apoiar a E-Redes na reparação da rede elétrica após as tempestades Kristin e Leonardo. Depois de uma grande tempestade na Irlanda, em 2025, a portuguesa E-Redes disponibilizou-se para ir ajudar. Agora a ESB retribuiu.
“Desta vez calhou-nos a nós. Ligámos para a E-Redes e dissemos que estávamos disponíveis. Obviamente a E-Redes aceitou”, contou Ricardo Valente, da ESB na Irlanda.
Vieram então equipas, com forte experiência em reparação de infraestruturas, para se juntar às operações locais de restauração de energia. Entre os técnicos e operadores há irlandeses e portugueses emigrados na Irlanda, que têm ajudado também com a questão linguística.
“Temos cerca de 60 pessoas no terreno, a grande maioria são técnicos da ESB que se voluntariaram para vir para Portugal”, explicou o responsável pelo Centro de Treinos das Equipas da ESB na Irlanda.
“Temos também uma empresa contratada por nós, a Gaeltec, maioritariamente constituída por portugueses. Trouxeram 15 elementos que são portugueses, o que facilita bastante aqui a lidar com a E-Redes e com a população que encontramos”.Palavra de ordem: Segurança
As imagens das casas destruídas, sem telhado, as árvores caídas, as cheias e a danos de grande parte da rede elétrica portuguesa correram mundo nas últimas semanas. E a operadora irlandesa disponibilizou-se para pôr mãos à obra.
“Os contactos foram feitos logo que soubemos da tempestade em Portugal”, confirmou Ricardo Valente, que admitiu que “vir da Irlanda para aqui não é fácil”.
Depois de acertados os pormenores com a E-Redes, as equipas da ESB fizeram “cerca de dois dias e meio de viagem”.
“Entre barcos para o norte de Espanha, barcos para o norte de França e depois cerca de 1.800 quilómetros de viagem até chegarmos a Leiria. Demorámos dois dias e meio a chegar aqui”, disse o português emigrado na Irlanda há 18 anos.
"Assim que chegámos já tínhamos as coisas mais ou menos preparadas e começámos a ajudar no que é possível”.
Para o responsável da operadora ESB, originário de Lisboa, a palavra de ordem é “segurança”. Embora todos os técnicos e operacionais no terreno estejam preparados para trabalhar com a rede elétrica, há alguns desafios para estes trabalhadores estrangeiros porque a estrutura da rede elétrica em Portugal não é igual à da Irlanda.
“A rede aqui é ligeiramente diferente da rede irlandesa, portanto, houve várias reuniões técnicas para tentar perceber o que é que tinham aqui e o que nós temos lá, porque para nós é extremamente importante a nossa segurança e a dos nossos homens”, sublinhou o responsável.
“Não há heróis aqui. Viemos para ajudar, mas todos nós temos família em casa e todos nós, eventualmente, vamos voltar para casa seguros”.
Enquanto Ricardo Valente explicava os procedimentos de segurança antes de qualquer operação no terreno, uma pequena equipa de técnicos de redes patrulhava a área onde ia reparar cabos e reestabelecer a energia na localidade de Aroeira, em Leiria.
“Os trabalhos que estamos a fazer têm a ver com o patrulhamento das áreas que nos foram atribuídas. As equipas, antes de virem para o terreno para efetuar qualquer tipo de trabalho, vêm averiguar o estado em que a rede está e ver se existem condutores que estão no chão que estão ainda em tensão”.
Depois da segurança garantida e de os técnicos da E-Redes desligarem os pontos em tensão que serão manuseados, as equipas entram em ação. “Estamos para ajudar”
As autoridades locais têm repetido que os esforços para recuperar a região e restabelecer a energia começaram desde o primeiro dia, mas que todo o processo pode levar muito tempo. E mesmo com ajuda extra, são operações especializadas e demoradas. Além de estarem a ser atrasadas e dificultadas devido ao mau tempo.
“Estamos cá há uma semana e garantidamente vamos ficar até ao fim da próxima. E depois disso logo se verá”, afirmou Ricardo Valente, sublinhando que os “danos aqui são extremamente grandes”.
Comparando com situação idêntica na Irlanda, em janeiro de 2025, o operador português considera que em Portugal passou “uma tempestade sem precedentes”. O importante agora é trazer “luz” aos clientes e em segurança.
“Mas certamente haverá trabalho nas redes para os próximos meses. Aconteceu connosco na Irlanda e deve acontecer aqui”.
Antes de as equipas começarem a operar no terreno há procedimentos: começa com patrulhamento, a visita à área com um elemento da E-Redes, correr a zona a pé ou de carro e averiguar se pode criar uma zona de segurança de trabalho.
“Temos cerca de 35 veículos especializados que vieram da Irlanda, entre veículos da ESB e veículos da Gaeltec, e cerca de 60 homens – desde operadores de rede a técnicos de redes e management”.
O objetivo agora “é as casas à nossa volta terem energia”. Mas as “condições climatéricas não são as ideais”.
“Nós estamos aqui desde domingo e, desde esse dia, temos estado em alerta amarelo e laranja de chuva. Não é que não estejamos habituados na Irlanda, mas definitivamente a chuva, quando cai aqui, cai a sério”, ironizou.
Ricardo Valente vive na Irlanda, país que escolheu para se fixar e constituir família. Mas começou a trabalhar em Portugal como técnico de telecomunicações móveis. Hoje em dia é responsável pelo Centro de Treinos das Equipas da ESB na Irlanda e foi um dos que se disponibilizou para vir ao país de origem ajudar no rescaldo da tempestade.
“Estamos aqui para ajudar”, disse sem hesitar, antes de retomar as operações com a equipa no terreno.
Cooperação europeia
À semelhança da irlandesa ESB, outras operadoras de rede europeia disponibilizaram-se para vir trabalhar em cooperação com a E-Redes na recuperação da rede elétrica nas zonas afetadas pelo mau tempo.
De acordo com Ricardo Valente, “existem reuniões a nível europeu de todas as operadoras energéticas”. Apesar de ainda não haver “contratos assinados”, já há “alguma cooperação para que, quando eventos destes acontecem, se disponibilizem equipas internacionais”.
“Já existem contactos europeus” para, em situações como esta, as operações de cooperação e reestruturação estarem “mais automatizadas e sejam acionadas o mais depressa possível”.
É necessário garantir a cooperação entre as operadoras porque “é sempre difícil prever o quão grande é a próxima tempestade”.
“A verdade é que temos de estar minimamente preparados para as tempestades”, referiu. “A realidade é que nós nunca sabemos o nível de grandeza da próxima tempestade. Hoje podemos estar preparados, mas quando as coisas acontecem não é bem assim”.
E considerando o aumento destes eventos climáticos, o responsável de operações explicou que não é fácil adaptar e mudar a rede elétrica para o subsolo, para não estar sujeita às situações climatéricas.
“Uma rede de baixa tensão toda enterrada custa cinco vezes mais do que uma rede aérea. Uma rede de alta tensão custa 15 vezes mais se for enterrada”, argumentou. “Ninguém quer pagar 15 vezes mais a conta elétrica”.
“São situações difíceis”, concluiu.
Técnicos irlandeses querem continuar a ajudar
Entre os trabalhos de restabelecimento de energia na Aroeira, Tom Kavanaghn contou que é a primeira vez que está em Portugal para trabalhar e lamentou a falta de sol, tão procurado pelos irlandeses.
“Já cá estive em férias antes. Estive em Albufeira a jogar golfe. Mas é a primeira vez que estou aqui a trabalhar”, disse o técnico irlandês da ESB, que esperava melhor tempo depois da tempestade: “trouxe uns calções, mas nunca consegui usá-los”.
Na Irlanda está acostumado ao frio e à chuva. Mas em Portugal esperava dias melhores até para poder trabalhar. E como tem chovido todos os dias desde que as equipas irlandesas chegaram ao território afetado, “isso atrasa o trabalho”.
“É terrível o que aconteceu. Mas estamos a ajudar o máximo que podemos. E estamos felizes por ajudar”, admitiu.
Apesar das condições dificultarem e de ser um trabalho pesado, Tom assegurou que a equipa não quer voltar já e vai continuar a ajudar.
“Nós vamos continuar e vamos conseguir recuperar parte”.