"Estão em causa cuidados aos doentes". Ordem dos Médicos e Governo discutem estado do SNS

por RTP
São quase 30 as unidades de saúde do país em situação de contingência nas urgências João Marques - RTP

Governo e Ordem dos Médicos estão esta quarta-feira reunidos com a situação do Serviço Nacional de Saúde no topo da agenda. O encontro, que tem caráter de urgência, foi pedido no domingo pelo bastonário Carlos Cortes, para quem o sistema público está à beira do colapso.

À entrada para o Ministério da Saúde, o bastonário da Ordem dos Médicos manifestou a expectativa de ter resposta para "muitos dos problemas que têm sido apresentados" ao Governo.A situação tem vindo a agravar-se nos últimos dias, com vários hospitais de norte a sul a serem obrigados a fechar serviços por causa da falta de médicos.

Carlos Cortes exorta o Executivo a encontrar "uma resposta aceitável, uma resposta positiva para o país, para o Governo poder ajudar o Serviço Nacional de Saúde".

"O que está aqui em causa são os cuidados prestados aos doentes, a qualidade da Medicina praticada em Portugal e o Serviço Nacional de Saúde", afirmou ainda aos jornalistas. "Estou em crer que o Governo vai estar sensível ao apelo que os médicos lançaram para salvar o Serviço Nacional de Saúde".
Em declarações anteriores, Carlos Cortes acusou o Governo de pôr em causa a segurança dos doentes. O bastonário afirmou mesmo que não adianta prometer uma grande reforma do Serviço Nacional de Saúde quando não há médicos em número suficiente.
"Antes de falarmos dessas grandes reformas na saúde, de que nós ouvimos falar nestes últimos meses, as pretensas novas unidades locais de saúde, as ULS, ou de outros aspetos que têm sido referidos, se calhar era importante concentrarmo-nos no verdadeiro problema do Serviço Nacional de Saúde e esse é consensual: são os recursos humanos", apontou.

Por sua vez, o ministro da Saúde escusou-se a avançar com detalhes sobre o teor da reunião com o bastonário da Ordem dos Médicos. Manuel Pizarro aponta a pandemia como uma das causas para o clima de tensão que se vive no sector.
"A pandemia significou um esforço muito grande para as pessoas, mas também um esforço verdadeiramente extraordinário para os profissionais de saúde e contribuiu muito, do meu ponto de vista, para este ambiente de uma certa tensão que hoje se vive, mas a minha obrigação não é apenas analisar o problema, é tomar medidas concretas para que se recupere a motivação dos profissionais", assinalou o ministro.

O governante rejeita ainda a possibilidade de recentes declarações do primeiro-ministro poderem agudizar a relação com os profissionais da saúde - António Costa disse que este não é o governo dos médicos.
São quase 30 as unidades de saúde do país em situação de contingência nas urgências.

A pressão já se faz sentir também em grandes hospitais como Santa Maria, em Lisboa. Na passada segunda-feira, cerca de 500 pessoas recorreram à urgência, quase metade provenientes de zonas fora da capital.

Milhares de médicos de norte a sul do país recusam-se a fazer mais do que as 150 horas de trabalho extraordinário definidas por lei.
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