Mundo
Estudo sobre estatinas. Medicamentos para reduzir colesterol são mais seguros do que indicam bulas
As estatinas, medicamentos usados para reduzir o colesterol, não causam a maioria dos efeitos secundários listados nas bulas, conclui uma investigação financiada pela British Heart Foundation.
O estudo, divulgado esta sexta-feira, surge num contexto de crescente desconfiança em relação à segurança destes fármacos.
A análise, que reuniu dados de ensaios clínicos que envolveram cerca de 120 mil participantes, conclui que “as bulas das estatinas incluem uma extensa lista” de “potenciais efeitos indesejáveis, mas existe escassez de evidência convincente que sustente a inclusão da maioria deles”.
Entre as reações adversas frequentemente associados às estatinas, a investigação descarta a existência de relação causal entre o medicamento e perturbações do sono, perda de memória, disfunção sexual, depressão ou doença pulmonar intersticial.
Financiado pela British Heart Foundation e publicado na revista The Lancet, a investigação dividiu os participantes em dois grupos, um deles medicado com Estatinas e outro a tomar placebos (medicamentos falsos).Comparando os efeitos provocados pelos dois tipos de substâncias, os investigadores observaram que os efeitos secundários reportados pelos pacientes eram semelhantes nos dois grupos.
Como qualquer outro medicamento, podem ocorrer efeitos colaterais, mas a pesquisa revela que estes surgem numa proporção muito reduzida de doentes. Além disso, entre uma análise a 66 possíveis reações adversas ao consumo de estatinas, apenas foram observadas quatro no organismo humano, relacionadas com alterações nas enzimas hepáticas.
Os resultados mostram alterações na composição da urina, retenção de líquidos e inchaço de tecidos, alterações nos testes hepáticos e anormalidades hepáticas menores, que não se traduziram, no entanto, num aumento de doenças hepáticas graves, como hepatite ou insuficiência hepática.O tratamento com estatinas pode, por vezes, causar danos musculares ou ligeiros níveis elevados de açúcar no sangue, que podem provocar diabetes mais cedo em pessoas suscetíveis, mas ambas as complicações acontecem raramente.
Paralelamente, a pesquisa reforça a eficácia destes fármacos na redução do risco dos níveis de colesterol LDL (comumente chamado colesterol “mau”) e, consequentemente, da diminuição do risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
A autora principal do estudo, Christina Reith, citada pela BBC, considera que “a confusão e a preocupação com os efeitos colaterais fazem com que muitas pessoas não estejam dispostas a começar ou a continuar” a sua medicação. Os investigadores defendem, assim, uma revisão da informação que consta nos folhetos das estatinas, alertando para um número exponencial de doentes que poderá estar a evitar o recurso a fármacos necessários para o seu tratamento.
Em Portugal, os dados mais recentes do Infarmed, divulgados em 2017, estimavam que em 2016 foram vendidas mais de 9,2 milhões de embalagens de estatinas, mais do dobro do consumo registado uma década antes. O número de embalagens compradas nesse ano refletiram-se numa despesa superior a 72 milhões de euros na carteira dos portugueses.
A análise, que reuniu dados de ensaios clínicos que envolveram cerca de 120 mil participantes, conclui que “as bulas das estatinas incluem uma extensa lista” de “potenciais efeitos indesejáveis, mas existe escassez de evidência convincente que sustente a inclusão da maioria deles”.
Entre as reações adversas frequentemente associados às estatinas, a investigação descarta a existência de relação causal entre o medicamento e perturbações do sono, perda de memória, disfunção sexual, depressão ou doença pulmonar intersticial.
Financiado pela British Heart Foundation e publicado na revista The Lancet, a investigação dividiu os participantes em dois grupos, um deles medicado com Estatinas e outro a tomar placebos (medicamentos falsos).Comparando os efeitos provocados pelos dois tipos de substâncias, os investigadores observaram que os efeitos secundários reportados pelos pacientes eram semelhantes nos dois grupos.
Como qualquer outro medicamento, podem ocorrer efeitos colaterais, mas a pesquisa revela que estes surgem numa proporção muito reduzida de doentes. Além disso, entre uma análise a 66 possíveis reações adversas ao consumo de estatinas, apenas foram observadas quatro no organismo humano, relacionadas com alterações nas enzimas hepáticas.
Os resultados mostram alterações na composição da urina, retenção de líquidos e inchaço de tecidos, alterações nos testes hepáticos e anormalidades hepáticas menores, que não se traduziram, no entanto, num aumento de doenças hepáticas graves, como hepatite ou insuficiência hepática.O tratamento com estatinas pode, por vezes, causar danos musculares ou ligeiros níveis elevados de açúcar no sangue, que podem provocar diabetes mais cedo em pessoas suscetíveis, mas ambas as complicações acontecem raramente.
Paralelamente, a pesquisa reforça a eficácia destes fármacos na redução do risco dos níveis de colesterol LDL (comumente chamado colesterol “mau”) e, consequentemente, da diminuição do risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
A autora principal do estudo, Christina Reith, citada pela BBC, considera que “a confusão e a preocupação com os efeitos colaterais fazem com que muitas pessoas não estejam dispostas a começar ou a continuar” a sua medicação. Os investigadores defendem, assim, uma revisão da informação que consta nos folhetos das estatinas, alertando para um número exponencial de doentes que poderá estar a evitar o recurso a fármacos necessários para o seu tratamento.
Em Portugal, os dados mais recentes do Infarmed, divulgados em 2017, estimavam que em 2016 foram vendidas mais de 9,2 milhões de embalagens de estatinas, mais do dobro do consumo registado uma década antes. O número de embalagens compradas nesse ano refletiram-se numa despesa superior a 72 milhões de euros na carteira dos portugueses.