Famílias das vítimas de Entre-os-Rios vão pedir um euro de indemnização

Os familiares das 59 vítimas mortais da tragédia de Entre-os-Rios vão pedir ao Estado, em processo civil, uma indemnização simbólica, que pode ficar-se mesmo por um euro, anunciou o presidente da associação que os representa, Horácio Moreira.

Agência LUSA /
Em 20 de Outubro do ano passado, o Tribunal de Castelo de Paiva absolveu os seis engenheiros acusados de não terem feito o que estaria ao seu alcance para evitar o colapso da ponte DR

"Se avançássemos para verbas expressivas, poderíamos ser mal interpretados. Aqui não estão em causa os valores. O objectivo central é a culpabilização do Estado", explicou o dirigente da Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTE-R).

"O processo está quase pronto e será entregue num prazo máximo de 15 dias no tribunal de Castelo de Paiva. Falta-nos acertar o valor, mas estamos completamente inclinados para uma verba irrisória, que pode ser mesmo de um euro", acrescentou.

Falando à Lusa 24 horas antes das cerimónias que evocarão o sexto aniversário da queda da ponte, Horácio Moreira admitiu que a opção por uma indemnização simbólica representa uma inversão de estratégia face ao anunciado em Janeiro pela AFVTE-R.

A estrutura equacionava então pedir ao Estado uma indemnização cinco vezes superior à obtida após o colapso da ponte, que foi de 50 mil euros, para cada uma das 59 famílias das vítimas.

Em 20 de Outubro do ano passado, o Tribunal de Castelo de Paiva absolveu os seis engenheiros acusados de não terem feito o que estaria ao seu alcance para evitar o colapso da ponte de Entre-os-Rios.

Os familiares acabaram por secundar o Ministério Público num recurso desta sentença de primeira instância, que ilibou quatro técnicos da ex-Junta Autónoma de Estradas (ex-JAE) e dois da empresa projectista Etecelda.

O recurso seguiu para o Tribunal da Relação do Porto.

Mas, segundo as famílias, a sentença "deixa claro" que o Estado se demitiu dos seus deveres de promover a vistoria regular das pontes e até de fixar regras para essa missão.

Justifica-se por isso uma nova ofensiva judicial na parte cível e visando exclusivamente o Estado, defende a AFVTE-R.

O colapso da ponte de Entre-os-Rios, ao princípio da noite de 04 de Março de 2001, matou os 59 ocupantes de um autocarro e de três automóveis ligeiros.


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