Detidos dois suspeitos de atear fogo em Freixo de Espada à Cinta
De acordo com o Departamento de Investigação Criminal de Vila Real, os dois suspeitos foram detidos fora de flagrante delito e estão "fortemente indiciados" pela prática de um crime de incêndio florestal que ocorreu no domingo, em Ligares, Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança.
Em comunicado, a Judiciária explicou que recolheu "fortes indícios de que os suspeitos utilizaram chama direta em espaço rural, ateando o foco de incêndio sobre vegetação seca, abandonando de imediato o local".
O incêndio, continuou, propagou-se a terrenos confinantes, públicos e privados, consumindo uma área superior a 200 hectares, composta maioritariamente por mato e ocupação agrícola, colocando em sério perigo bens patrimoniais e as populações das localidades próximas.
"Consequências que apenas não assumiram maior gravidade devido à rápida e eficaz intervenção dos bombeiros e vários meios aéreos, que, no entanto, só já no dia seguinte, cerca das 22:50, conseguiram dominar as chamas", realçou.
A PJ disse que um dos detidos encontra-se "também fortemente indiciado" de, em 16 de junho, na mesma localidade, ter ateado um incêndio florestal através de chama direta.
Este fogo consumiu uma área de cerca de meio hectare, composta essencialmente por mato e pinheiro-bravo, acabando por se alastrar a um espaço agrícola de amendoeiras.
Nestas detenções, a PJ contou com a colaboração do Grupo de Trabalho para a Redução das Ignições (GTRI) do Interior Norte e da GNR de Torre de Moncorvo.
Os detidos vão ser presentes a interrogatório judicial para aplicação de eventuais medidas de coação, prosseguindo a investigação no âmbito de inquérito titulado pelo Ministério Público de Torre de Moncorvo.
"Não desistimos", garante comandante dos Bombeiros Voluntários de Águeda
“Ao meio-dia o vento vai rodar a norte e o flanco esquerdo vai começar novamente a ter uma pressão grande. Vamos ver se conseguimos que não apanhe muita intensidade”, disse à RTP o comandante Francisco Santos, dos Bombeiros Voluntários de Águeda.
“Não desistimos”, assegurou, emocionado.
Autarca de Águeda alerta para estradas obstruídas após passagem das chamas
Um desalojado em Cinfães e perto de uma centena de operacionais no terreno
De acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Nespereira, Paulo Soares, um homem, com idade na casa dos 80 anos, ficou desalojado na povoação de Fornelos.
"Até ao momento não temos feridos a assinalar", acrescentou.
Cerca de uma centena de operacionais, apoiados por três dezenas de veículos e três meios aéreos combatem um incêndio no concelho de Cinfães, distrito de Viseu, que deflagrou pelas 18:00 de quinta-feira, na localidade de Moimenta.
Segundo Paulo Soares, o fogo está neste momento a evoluir favoravelmente, depois de uma noite complicada.
"Trata-se de uma zona de mato, com muitas povoações dispersas, de difícil acesso. O vento tem estado muito forte no local", descreveu.
(Agência Lusa)
Aviso vermelho alargado esta sexta-feira a 12 distritos
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou hoje de 10 para 12 o número de distritos de Portugal continental que estão sob aviso vermelho devido ao calor, situação que se mantém até domingo na maioria destes territórios.
Na maioria dos casos, este nível permanece ativo até às 23:00 de domingo, mas em Lisboa e Setúbal termina hoje às 23:00, passando então a laranja, o segundo nível mais grave.
O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.
O Governo declarou na quinta-feira situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, tendo emitido despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.
Na quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou recomendações aos municípios para protegerem as populações das temperaturas elevadas e ondas de calor, alegando o "papel de proximidade essencial" que desempenham na preparação e resposta a esses fenómenos.
Segundo a DGS, as autarquias devem garantir, em parceria com várias entidades, a sinalização de pessoas mais vulneráveis, mantendo atualizada essa listagem, assim como realizar contactos preventivos e promover, sempre que possível, visitas domiciliárias.
Já ao nível das medidas comunitárias, a direção-geral aconselha que sejam abertos locais de abrigo temporário (zonas de arrefecimento) e disponibilizada água potável, garantindo o bom funcionamento dos bebedouros públicos, assim como recomenda o prolongamento dos horários de bibliotecas, piscinas e equipamentos climatizados de proximidade.
Para os espaços públicos, é sugerido que sejam reforçadas as zonas de sombra, instaladas estruturas temporárias de sombreamento e arrefecimento, e adaptados os horários dos trabalhos municipais realizados no exterior.
Os municípios devem ainda assegurar a coordenação permanente entre a autoridade de saúde e unidade local de saúde da sua região, mas também com os bombeiros, as forças de segurança, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Segurança Social e instituições sociais.
Por causa da onda de calor, os hospitais ativaram o nível mais baixo dos planos de contingência.
Fogo em Vouzela complica-se com cinco frentes ativas
Quase um milhar de operacionais combatem as chamas em Vouzela, que já se propagaram aos concelhos de Oliveira de Frades e Águeda.
O fogo em Vouzela, distrito de Viseu, é um dos que está a mobilizar mais meios esta sexta-feira. Ao início da manhã, tinha já cinco frentes ativas e continuava a progredir devido ao vento.
As chamas já se propagaram para os concelhos de Oliveira de Frades e Águeda.
Pelas 10h00 estavam no terreno 936 operacionais, apoiados por 288 meios terrestres e dez meios aéreos.
Marco Lucas, segundo comandante da Proteção Civil das Beiras, explicou aos jornalistas que durante a tarde de ontem “tivemos ventos muito fortes em que houve muitas projeções”, pelo que “o incêndio foi-se partindo um bocadinho”.
Os meios terrestres tiveram de se repartir “para salvaguardar as pessoas e bens”, já que “todas as aldeias na frente de chama estiveram ameaçadas”.
“Não houve aldeias evacuadas”, mas foram retiradas algumas pessoas por precaução, adiantou o responsável.
“Temos oito feridos, um civil que foi apenas assistido – uma senhora que se sentiu mal – e o restante são operacionais”, dos quais três foram levados a unidades hospitalares com ferimentos ligeiros, detalhou.
Em Águeda, o fogo “fez duas projeções para uma nova aldeia”, Boa Aldeia, explicou esta manhã à RTP o comandante Francisco Santos.
Neste momento, “a pressão mais forte está em seis aldeias”, adiantou.
“Os meios não estão a conseguir entrar em Vale de Égua. A estrada está cortada, portanto ainda é uma situação extremamente complicada neste momento”.
O comandante referiu ainda quatro feridos, entre os quais “um ferido grave, queimado”.
O presidente da Câmara de Águeda falou, por sua vez, num incêndio "atípico, com uma brutalidade em termos de progressão".
"As projeções são diabólicas. Com este vento todo a empurrá-lo criou aqui um corredor por aqui abaixo desde Macieira de Alcoba até à cidade que foi uma coisa fantástica", disse à Lusa.
Este incêndio já obrigou ao corte da linha ferroviária do Vouga entre Mourisca do Vouga e Águeda, destruiu um veículo dos bombeiros e alguns anexos agrícolas e provocou ainda alguns danos em habitações.
Ao início da manhã, os quatro maiores incêndios ativos no país mobilizavam cerca de 1200 operacionais, sendo o incêndio em Vouzela aquele que está a levantar maiores preocupações.
(com Lusa)