Forças Armadas colocam 42 botes em zonas de risco severo de cheias
As Forças Armadas anunciaram que posicionaram 42 botes e respetivas equipas, para "mitigar o impacto das tempestades às populações", devido à previsão de agravamento do estado do tempo.
Em comunicado, o gabinete do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) sublinhou o posicionamento na terça-feira de 42 botes e respetivas equipas "nas zonas de Coimbra, Tancos e Águeda".
Desde 28 de janeiro, estiveram em apoio direto às populações 4.117 militares, com 478 viaturas e 46 máquinas de engenharia.
Entre o apoio dado estão 23 ações de desobstrução e limpeza de vias rodoviárias, estando ainda seis em curso, ou 361 pessoas apoiadas com alojamento e alimentação e 80 sacos-cama disponibilizados.
As Forças Armadas forneceram ainda 28 geradores e 23 equipamentos Starlink, para reforço/disponibilidade de comunicações de emergência.
Disponibilizaram também equipas para cortes de árvores, com 20 equipas de limpeza, das quais 12 com motosserras
"Existe ainda a disponibilidade de 1860 camas em 15 unidades militares, e capacidade para fornecimento de alimentação em diferentes Unidades das Forças Armadas", pode ler-se.
Segundo o EMGFA, estão sete pedidos de apoio da ANEPC em preparação, que incluem desobstrução de vias, produção de energia, operações anfíbias (busca e salvamento), transporte de pessoas, bombagem de água, remoção/reboque de veículos ou alojamento e alimentação.
As Forças Armadas têm ainda disponível seis helicópteros, uma aeronave de transporte C-130 da Força Aérea e uma aeronave de reconhecimento de asa fixa P3C, também da Força Aérea, para este apoio específico.
"As Forças Armadas reafirmam o seu compromisso permanente com proteção e o bem-estar dos cidadãos", sublinharam ainda na nota de imprensa.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.