País
Gabinete de Segurança reúne-se de emergência
O Gabinete Coordenador de Segurança deverá reunir-se hoje de emergência, para avaliar o risco de atentado terrorista em Portugal. O Ministro da Administração Interna mandou reunir o Gabinete depois do alerta espanhol para atentados que poderiam ter Portugal como um dos alvos.
Na reunião, a realizar possivelmente ao final da tarde, o Gabinete Coordenador de Segurança deverá efectuar uma primeira avaliação da informação veiculada por Espanha.
Presidida pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, na reunião participam para além dos responsáveis máximos do Gabinete de Segurança, representantes da Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Serviços de Informação e Segurança.
Esta reunião vem no seguimento do alerta dado pelos serviços secretos espanhóis de que Portugal poderia ser um potencial alvo de um atentado após a detenção na madrugada de sexta-feira para sábado, em Barcelona, de 14 islamistas radicais.
Segundo refere o diário El Periódico da Catalunha, na sua edição de hoje, os islamistas radicais detidos preparavam atentados suicidas em território espanhol sob ordens da al Qaeda do Paquistão.
"A acção terrorista abortada anteontem foi decidida há vários meses no Paquistão pela estrutura central da rede al Qaeda", adianta o jornal catalão que refere ainda que "os que deram as ordens encontram-se no Paquistão" e que "eles estavam a preparar ataques suicidas. Os que se deslocaram até aqui, fizeram-no para se suicidarem", conclui o diário catalão.
O El Periodico especifica que entre as 14 pessoas detidas, das quais 12 paquistanesas e duas indianas, várias tinham efectuado viagens recentes ao Paquistão. O grupo recebera, da parte de altos responsáveis da rede al Qaeda, durante uma reunião organizada num campo de treino da região paquistanesa do Waziristão, ordens para cometerem um atentado em Barcelona.
Portugal em alerta
Entretanto, as autoridades portuguesas redobraram esforços depois dos avisos dos serviços secretos de Espanha. Em causa está a hipótese de dois paquistaneses conotados com a al Qaeda estarem em território português, mas o Governo considera que não há motivos para um alerta especial.
“Todos sabemos que o terrorismo é uma ameaça séria, que deve ser levada a sério, uma ameaça dos nossos dias, e a tranquilidade dos nossos cidadãos exige que tenhamos particular atenção a esse fenómeno. Mas nada de extraordinário para além disto”, afirmou este domingo o primeiro-ministro, à margem da inauguração da nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
José Sócrates rejeita alimentar o cenário da iminência de um atentado terrorista em território português.
“Quando alguém nos dá uma informação, o nosso dever é procurar confirmá-la, segui-la e despistá-la, ou não, em função do que encontramos. Nada dessa informação deve levar o nosso país a pensar que está sob uma ameaça especial de terrorismo. Nada disso”, acrescentou. “Se assim fosse, teríamos elevado o nível de alarme, mas nada justifica a elevação das nossas preocupações nesse domínio”.
As operações de vigilância estão a cargo da Polícia Judiciária, PSP, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, para além dos serviços secretos portugueses. O controlo abarca fronteiras terrestres e infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, a que se somam contactos redobrados com determinados círculos em território português.
Nos sucessivos alertas remetidos às autoridades portuguesas, os serviços secretos espanhóis admitiram a hipótese de Portugal ser o destino de dois cidadãos paquistaneses presumivelmente conotados com a rede terrorista al Qaeda e com ligações ao grupo de suspeitos detidos em Barcelona.
Os serviços secretos de Espanha (Centro Nacional de Inteligencia) alertaram na quinta-feira as autoridades de Lisboa para a possibilidade de Portugal vir a ser alvo de uma acção terrorista nos próximos dias. O aviso de que os dois elementos paquistaneses poderiam estar em território português chegou na sexta-feira, mas só foi conhecido depois de a Guarda Civil espanhola ter detido 14 presumíveis radicais islâmicos em Barcelona.
O grupo estaria a preparar um conjunto de acções terroristas a desencadear por ocasião de um périplo do Presidente paquistanês na Europa. Para além de Portugal, o alerta dos serviços secretos espanhóis estendeu-se a Reino Unido, França, Bélgica e Suíça – o itinerário europeu de Pervez Musharraf para os próximos oito dias.
Na noite de sábado era avançada a notícia da detenção de mais um homem em Barcelona no âmbito das operações antiterroristas. No entanto, a agência EFE adiantou já este domingo que a Guarda Civil se limitou a transferir um dos 14 homens suspeitos para um novo local de detenção. O elemento em causa, cuja nacionalidade não foi revelada, é proprietário de uma pastelaria no bairro Raval - local onde a polícia deteve 12 paquistaneses e dois indianos e apreendeu material susceptível de ser empregue na produção de bombas, incluindo detonadores com temporizadores e triperóxido de triacetona, o mesmo explosivo utilizado em acções terroristas na Grã-Bretanha e em Marrocos.
O grupo está agora a ser interrogado na Direcção Geral da Guarda Civil, em Madrid. Na próxima terça-feira deverão depor perante a Assembleia Nacional.
”Não existe qualquer certeza”
Em declarações à RTP, o responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança sublinhou que não há, por ora, informações que confirmem a presença de dois presumíveis operacionais da al Qaeda em Portugal. Ainda assim, confirmou o “aumento da vigilância e dos procedimentos que têm em vista prevenir este tipo de risco”.
“É uma hipótese que está a ser considerada. Não existe qualquer certeza, muito longe disso, de que esses dois cidadãos paquistaneses estejam em Portugal”, disse o general Leonel de Carvalho.
“As polícias e as forças de segurança estão em campo. Estão, naturalmente, através das habituais fontes de informação, a pesquisar outras informações que possam levar a uma decisão quanto a uma necessidade de actuação. Mas é apenas uma hipótese”, reforçou.
O responsável reconheceu, no entanto, que a ameaça terrorista é hoje uma realidade “global”.
“A ameaça é latente, como toda a gente sabe. A ameaça do extremismo islâmico é global já desde o 11 de Setembro”, frisou Leonel de Carvalho. “Portugal é um possível alvo, como todos os países do Mundo. O que não tem sido habitual é que Portugal esteja indicado como um dos alvos possíveis a curto-prazo. Desta vez surgiu essa informação e também não temos a certeza se isso corresponde ou não à verdade, mas estão a ser tomadas medidas”.
“Estão previstos graus de alerta que terão de ser declarados pelo primeiro-ministro. Neste momento não se entendeu necessário, face aos indícios que temos, haver qualquer declaração de alerta”, enfatizou.
Presidida pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, na reunião participam para além dos responsáveis máximos do Gabinete de Segurança, representantes da Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Serviços de Informação e Segurança.
Esta reunião vem no seguimento do alerta dado pelos serviços secretos espanhóis de que Portugal poderia ser um potencial alvo de um atentado após a detenção na madrugada de sexta-feira para sábado, em Barcelona, de 14 islamistas radicais.
Segundo refere o diário El Periódico da Catalunha, na sua edição de hoje, os islamistas radicais detidos preparavam atentados suicidas em território espanhol sob ordens da al Qaeda do Paquistão.
"A acção terrorista abortada anteontem foi decidida há vários meses no Paquistão pela estrutura central da rede al Qaeda", adianta o jornal catalão que refere ainda que "os que deram as ordens encontram-se no Paquistão" e que "eles estavam a preparar ataques suicidas. Os que se deslocaram até aqui, fizeram-no para se suicidarem", conclui o diário catalão.
O El Periodico especifica que entre as 14 pessoas detidas, das quais 12 paquistanesas e duas indianas, várias tinham efectuado viagens recentes ao Paquistão. O grupo recebera, da parte de altos responsáveis da rede al Qaeda, durante uma reunião organizada num campo de treino da região paquistanesa do Waziristão, ordens para cometerem um atentado em Barcelona.
Portugal em alerta
Entretanto, as autoridades portuguesas redobraram esforços depois dos avisos dos serviços secretos de Espanha. Em causa está a hipótese de dois paquistaneses conotados com a al Qaeda estarem em território português, mas o Governo considera que não há motivos para um alerta especial.
“Todos sabemos que o terrorismo é uma ameaça séria, que deve ser levada a sério, uma ameaça dos nossos dias, e a tranquilidade dos nossos cidadãos exige que tenhamos particular atenção a esse fenómeno. Mas nada de extraordinário para além disto”, afirmou este domingo o primeiro-ministro, à margem da inauguração da nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
José Sócrates rejeita alimentar o cenário da iminência de um atentado terrorista em território português.
“Quando alguém nos dá uma informação, o nosso dever é procurar confirmá-la, segui-la e despistá-la, ou não, em função do que encontramos. Nada dessa informação deve levar o nosso país a pensar que está sob uma ameaça especial de terrorismo. Nada disso”, acrescentou. “Se assim fosse, teríamos elevado o nível de alarme, mas nada justifica a elevação das nossas preocupações nesse domínio”.
As operações de vigilância estão a cargo da Polícia Judiciária, PSP, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, para além dos serviços secretos portugueses. O controlo abarca fronteiras terrestres e infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, a que se somam contactos redobrados com determinados círculos em território português.
Nos sucessivos alertas remetidos às autoridades portuguesas, os serviços secretos espanhóis admitiram a hipótese de Portugal ser o destino de dois cidadãos paquistaneses presumivelmente conotados com a rede terrorista al Qaeda e com ligações ao grupo de suspeitos detidos em Barcelona.
Os serviços secretos de Espanha (Centro Nacional de Inteligencia) alertaram na quinta-feira as autoridades de Lisboa para a possibilidade de Portugal vir a ser alvo de uma acção terrorista nos próximos dias. O aviso de que os dois elementos paquistaneses poderiam estar em território português chegou na sexta-feira, mas só foi conhecido depois de a Guarda Civil espanhola ter detido 14 presumíveis radicais islâmicos em Barcelona.
O grupo estaria a preparar um conjunto de acções terroristas a desencadear por ocasião de um périplo do Presidente paquistanês na Europa. Para além de Portugal, o alerta dos serviços secretos espanhóis estendeu-se a Reino Unido, França, Bélgica e Suíça – o itinerário europeu de Pervez Musharraf para os próximos oito dias.
Na noite de sábado era avançada a notícia da detenção de mais um homem em Barcelona no âmbito das operações antiterroristas. No entanto, a agência EFE adiantou já este domingo que a Guarda Civil se limitou a transferir um dos 14 homens suspeitos para um novo local de detenção. O elemento em causa, cuja nacionalidade não foi revelada, é proprietário de uma pastelaria no bairro Raval - local onde a polícia deteve 12 paquistaneses e dois indianos e apreendeu material susceptível de ser empregue na produção de bombas, incluindo detonadores com temporizadores e triperóxido de triacetona, o mesmo explosivo utilizado em acções terroristas na Grã-Bretanha e em Marrocos.
O grupo está agora a ser interrogado na Direcção Geral da Guarda Civil, em Madrid. Na próxima terça-feira deverão depor perante a Assembleia Nacional.
”Não existe qualquer certeza”
Em declarações à RTP, o responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança sublinhou que não há, por ora, informações que confirmem a presença de dois presumíveis operacionais da al Qaeda em Portugal. Ainda assim, confirmou o “aumento da vigilância e dos procedimentos que têm em vista prevenir este tipo de risco”.
“É uma hipótese que está a ser considerada. Não existe qualquer certeza, muito longe disso, de que esses dois cidadãos paquistaneses estejam em Portugal”, disse o general Leonel de Carvalho.
“As polícias e as forças de segurança estão em campo. Estão, naturalmente, através das habituais fontes de informação, a pesquisar outras informações que possam levar a uma decisão quanto a uma necessidade de actuação. Mas é apenas uma hipótese”, reforçou.
O responsável reconheceu, no entanto, que a ameaça terrorista é hoje uma realidade “global”.
“A ameaça é latente, como toda a gente sabe. A ameaça do extremismo islâmico é global já desde o 11 de Setembro”, frisou Leonel de Carvalho. “Portugal é um possível alvo, como todos os países do Mundo. O que não tem sido habitual é que Portugal esteja indicado como um dos alvos possíveis a curto-prazo. Desta vez surgiu essa informação e também não temos a certeza se isso corresponde ou não à verdade, mas estão a ser tomadas medidas”.
“Estão previstos graus de alerta que terão de ser declarados pelo primeiro-ministro. Neste momento não se entendeu necessário, face aos indícios que temos, haver qualquer declaração de alerta”, enfatizou.