Gaia vai ter um laboratório vivo na Afurada para testar soluções de baixo carbono

por Lusa

O Afurada Living Lab, financiado pelas EEA Grants, quer criar uma "área de teste de soluções inovadoras" para problemas ambientais que se sentem no concelho, com um foco especial na neutralidade carbónica.

A ideia é criar uma "área de teste de soluções inovadoras que irão dar resposta a problemas urbanos nesta zona, mas que se sentem em toda a cidade", para que possam "ser replicadas em todo o concelho", ou até fora dele, explicou hoje à Lusa a chefe de divisão de sustentabilidade e inovação da Gaiurb, Carla Pires.

Este laboratório vivo irá trabalhar os eixos da mobilidade urbana sustentável, a economia circular e ambiente e edifícios e energia, adiantou a responsável.

O "grande foco" deste projeto é "contribuir para atingir a neutralidade carbónica", através da diminuição das "emissões de CO2 [dióxido de carbono] e outros gases de efeitos de estufa".

A apresentação pública da iniciativa acontece na quinta-feira e o projeto "será desenvolvido ao longo de três anos".

Serão testadas "comunidades de energia renovável", que pretendem potenciar "a produção de energia a partir de fontes renováveis, a partir do sol, especificamente, tendo por princípio dar resposta a necessidades energéticas dos edifícios", com um serviço de baterias para armazenamento do excedente.

"Vamos testar ao nível de edifícios municipais, mas a ideia é escalar para modelos em que outras pessoas possam tirar benefícios desta energia", esclareceu Carla Pires, apontando para um "modelo de cooperativas de energias renováveis".

Estão também a ser preparadas "soluções de tratamento seletivo de resíduos" e mapas "para incentivar economia circular em sistemas de economia local".

Para a responsável, apesar de este ser um de sete projetos financiados pelas EEA Grants em Portugal neste âmbito, tem "uma característica diferenciadora que está relacionada com a zona em que se vai implementar".

É uma "área com características muito próprias, com doca de pesca e área piscatória, com muita vivência da população no espaço, em conjunto com a atividade turística, por ser na foz do Douro, em transição para as praias".

Um dos "pontos fortes que este modelo de laboratório vivo tem" é que pretende, "com estas ações, promover o envolvimento da população local", procurando sensibilizar "a comunidade local para os benefícios da adoção de comportamentos mais sustentáveis", destacou ainda.

O Afurada Living Lab resulta de parcerias entre entidades como a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a CEDES, a Gaiurb, o CEiiA, a Ubiwhere, o Grupo DST, a Watt-IS e a Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU, na sigla norueguesa).

É financiado pelo programa Ambiente, Alterações Climáticas e Economia de Baixo Carbono das EEA Grants.

As EEA Grants são um programa de apoio da Islândia, Liechenstein e Noruega com "o objetivo de reduzir as disparidades sociais e económicas na Europa, reforçando as relações bilaterais com os Estados beneficiários".

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