País
Gira refresca app das bicicletas de Lisboa: há novo design e acaba caução de 300 euros
A Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) lançou esta terça-feira uma nova aplicação da Gira, o sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa. Não avança para já o objetivo de juntá-la com a aplicação do estacionamento, desaparecem novos pontos de utilização e a caução dos passes diários. Em declarações à RTP Antena 1, o presidente da EMEL diz esperar reativar todas as estações vandalizadas até ao final de outubro.
A aplicação Gira apresenta-se aos utilizadores de cara lavada: depois de ter anunciado aos utilizadores que estava a chegar uma nova app "para tornar as tuas viagens mais fáceis", eis que surge nesta terça-feira.
Ainda em fase de testes, a EMEL mostrou à RTP Antena 1, do lado esquerdo, um novo design dos mapas da Gira
Sobre a onda de vandalismo de bicicletas e estações Gira, Carlos Silva revela à RTP Antena 1 que 18% estão parcialmente ou totalmente desativadas – 36 em 203 estações. O presidente da EMEL assume o compromisso de, se tudo correr bem, ter todas as estações reativadas até outubro deste ano.
A nova app surge numa altura em que vários utilizadores preferem versões não oficiais da Gira e que parte das estações não funciona devido a atos de vandalismo
A RTP Antena 1 foi convidada pela EMEL a conhecer de antemão as alterações. O preto e o branco são as cores que dominam o design do mapa, que passa a indicar a vermelho as estações que não têm lugar para bicicletas. É acrescentado um modo horizontal durante as viagens, útil para quem quiser colocar o telemóvel no suporte da bicicleta, e com uma opção que direciona para aplicações de mapas com o destino de uma outra estação selecionada.
Questões estéticas à parte, a EMEL promete mapas a carregar mais rápido e estatísticas apresentadas no fim das viagens, com valores estimados de dióxido de carbono que não foi emitido para a atmosfera à conta da viagem.
Para quem prefere usar passes diários em vez dos mensais ou anuais, deixa de vir associada uma caução de 300 euros. O MBWay passa a ser mais uma forma de pagamento, enquanto o Apple Pay e o Google Pay estarão disponíveis num "futuro próximo", sabe a RTP Antena 1. O sistema de pontos da Gira deixará também de existir: os valores acumulados permanecem congelados, não sendo possível ganhar novos pontos associados à utilização da Gira.
Para quem prefere usar passes diários em vez dos mensais ou anuais, deixa de vir associada uma caução de 300 euros. O MBWay passa a ser mais uma forma de pagamento, enquanto o Apple Pay e o Google Pay estarão disponíveis num "futuro próximo", sabe a RTP Antena 1. O sistema de pontos da Gira deixará também de existir: os valores acumulados permanecem congelados, não sendo possível ganhar novos pontos associados à utilização da Gira.
Quanto ao saldo digital, deixa de ser comum entre a Gira e a ePark, a app de estacionamento da EMEL - passam a ficar separados. Aliás, neste tema, a empresa municipal dá um passo atrás nas intenções já demonstradas.
A EMEL tinha idealizado uma "futura aplicação móvel de gestão de mobilidade", que previa "a consolidação das atuais aplicações ePark e GIRA num único interface de utilização", escrevia a empresa no relatório e contas de 2023.
"O objetivo não foi abandonado", garante o presidente da EMEL em entrevista à RTP Antena 1, mas Carlos Silva explica que, para essa fusão acontecer, é precisa uma mudança do sistema central da empresa. Acontece que o "concurso público está parado no Tribunal Administrativo por litigância entre concorrentes".
O atraso tinha de ser contornado, refere: "A Gira não podia esperar", daí que tenham avançado, justifica, numa diferenciação. "Não podíamos continuar a ter uma operação que falhava todos os dias, ou era porque tinha de repetir 'logins' ou não saía a bicicleta", reconhece, acrescentando que "não está tudo resolvido, é uma operação que está em progresso".
A EMEL tinha idealizado uma "futura aplicação móvel de gestão de mobilidade", que previa "a consolidação das atuais aplicações ePark e GIRA num único interface de utilização", escrevia a empresa no relatório e contas de 2023.
"O objetivo não foi abandonado", garante o presidente da EMEL em entrevista à RTP Antena 1, mas Carlos Silva explica que, para essa fusão acontecer, é precisa uma mudança do sistema central da empresa. Acontece que o "concurso público está parado no Tribunal Administrativo por litigância entre concorrentes".
O atraso tinha de ser contornado, refere: "A Gira não podia esperar", daí que tenham avançado, justifica, numa diferenciação. "Não podíamos continuar a ter uma operação que falhava todos os dias, ou era porque tinha de repetir 'logins' ou não saía a bicicleta", reconhece, acrescentando que "não está tudo resolvido, é uma operação que está em progresso".
Estações vandalizadas são reabertas até outubro
Sobre a onda de vandalismo de bicicletas e estações Gira, Carlos Silva revela à RTP Antena 1 que 18% estão parcialmente ou totalmente desativadas – 36 em 203 estações. O presidente da EMEL assume o compromisso de, se tudo correr bem, ter todas as estações reativadas até outubro deste ano.
"Temos um plano para, até ao final de outubro, termos recuperadas todas as estações", sublinha Carlos Silva. Há uma grande concentração de estações desativadas no eixo entre o Cais do Sodré e a Avenida Almirante Reis. Será nessa zona a principal intervenção, assume o presidente da EMEL, mas existem outras zonas da cidade a precisar, como o caso de Santa Clara que a rádio pública já tinha noticiado.
Carlos Silva espera reativar estações vandalizadas da Gira até outubro
Durante o mês de agosto a Câmara Municipal de Lisboa tinha apontado uma situação de vandalismo "bastante grave" na cidade que, desde o início do ano, resultaram na destruição de mais de 1.400 docas e no furto de mais de 1.000 bicicletas arrancadas das docas, “a grande maioria” recuperada no próprio dia. “Esta nova vaga de crimes contra a rede Gira ocorre de forma violenta, gratuita e inesperada, através da destruição de tampas, cablagens e sensores eletrónicos, e tem tido um efeito devastador na disponibilidade do serviço“, afirmava o executivo municipal.
Agora, em declarações à RTP Antena 1, o presidente da EMEL refere que, "se até ao final do mês de outubro não houver grandes ações de vandalismo", espera ter entretanto a situação resolvida - "cada estação para ser recuperada demora em média uma semana".
Versões não oficiais da Gira têm conquistado utilizadores
Será preciso esperar para perceber se a aplicação oficial da Gira conquistará de novo os utilizadores perdidos para as aplicações não oficiais, perante as falhas que tem vindo a apresentar ao longo do tempo, como a RTP Antena 1 já noticiou.
Alexandre Dias usa a Gira duas ou três vezes por semana habitualmente, quando não se desloca na bicicleta própria. Começou a usar versões alternativas porque "a aplicação oficial era imprevisível" no seu funcionamento, conta à RTP Antena 1.
"Cheguei a ficar 10 minutos à frente de uma estação da Gira" em várias tentativas para levantar uma bicicleta: "aquilo 'crashava', tinha de fechar, depois várias vezes em que fechava sozinha tinha de fazer 'login' novamente", recorda como um dos problemas. Já o início de sessão das aplicações "era quase instantâneo", classifica Alexandre.
Este utilizador reconhece os riscos de usar as versões alternativas, da partilha dos dados, mas aponta que eram mais rápidas, em oposição para com a paciência que era preciso ter em determinadas ações da app oficial da Gira. Alexandre Dias usa a bicicleta nas deslocações diárias | Reportagem RTP Antena 1 no Portugal em Direto, 16 de setembro de 2026
Será preciso esperar para perceber se a aplicação oficial da Gira conquistará de novo os utilizadores perdidos para as aplicações não oficiais, perante as falhas que tem vindo a apresentar ao longo do tempo, como a RTP Antena 1 já noticiou.
Alexandre Dias usa a Gira duas ou três vezes por semana habitualmente, quando não se desloca na bicicleta própria. Começou a usar versões alternativas porque "a aplicação oficial era imprevisível" no seu funcionamento, conta à RTP Antena 1.
"Cheguei a ficar 10 minutos à frente de uma estação da Gira" em várias tentativas para levantar uma bicicleta: "aquilo 'crashava', tinha de fechar, depois várias vezes em que fechava sozinha tinha de fazer 'login' novamente", recorda como um dos problemas. Já o início de sessão das aplicações "era quase instantâneo", classifica Alexandre.
Este utilizador reconhece os riscos de usar as versões alternativas, da partilha dos dados, mas aponta que eram mais rápidas, em oposição para com a paciência que era preciso ter em determinadas ações da app oficial da Gira. Alexandre Dias usa a bicicleta nas deslocações diárias | Reportagem RTP Antena 1 no Portugal em Direto, 16 de setembro de 2026
O presidente da EMEL, Carlos Silva, rejeita a expressão de que tenha existido uma "paz podre" entre a versão oficial e as alternativas. Assume que houve diálogo entre as partes, apesar de a empresa ter avançado com uma atualização para bloquear as alternativas - estas versões continuaram disponíveis.
"Encarámos durante muito tempo a existência destas apps alternativas como importantes na ajuda ao processo e, portanto, não temos nada contra", sublinha, não deixando de apontar questões de cibersegurança: dá o exemplo de que, por vezes, há indicações para certas bicicletas permanecerem nas estações porque precisam de manutenção, mas estas apps conseguiam desbloqueá-las.
O responsável pelas bicicletas partilhadas de Lisboa considera que esta nova app apresenta uma operação melhorada, resolvendo várias falhas que existiam. Quanto à caução de 300 euros que deixa de existir, Carlos Silva afirma que "era um obstáculo ao utilizador diário", usada para combater o desaparecimento de bicicletas, e admite que ainda não há uma solução definitiva para os pontos.
"Encarámos durante muito tempo a existência destas apps alternativas como importantes na ajuda ao processo e, portanto, não temos nada contra", sublinha, não deixando de apontar questões de cibersegurança: dá o exemplo de que, por vezes, há indicações para certas bicicletas permanecerem nas estações porque precisam de manutenção, mas estas apps conseguiam desbloqueá-las.
O responsável pelas bicicletas partilhadas de Lisboa considera que esta nova app apresenta uma operação melhorada, resolvendo várias falhas que existiam. Quanto à caução de 300 euros que deixa de existir, Carlos Silva afirma que "era um obstáculo ao utilizador diário", usada para combater o desaparecimento de bicicletas, e admite que ainda não há uma solução definitiva para os pontos.
"Se a estação estivesse bastante preenchida, havia um maior incentivo se estacionasse numa estação menos preenchida, e isto logo atribuía mais pontos", apontando que havia pessoas a estacionar e retirar bicicletas para ganhar pontos. Os pontos poderão vir a ser utilizados para brindes, sugere.