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Governo admite que "vai levar muito tempo a reconstruir" regiões afetadas pelas tempestades

Governo admite que "vai levar muito tempo a reconstruir" regiões afetadas pelas tempestades

O secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território reconhece que "vai levar muito tempo a reconstruir" o que ficou destruído com a passagem das tempestades por Portugal.

Andreia Brito com Frederico Moreno /

Fotografia: Jorge Carmona

Ao programa da Antena 1 Consulta Pública, Silvério Regalado explica que a criação do PTRR "não é para apontar o dedo a ninguém, mas para construir um país mais seguro e resiliente".

O secretário de Estado admite que o país tem aquilo a que chama de "problemas de conceptualização" e deu como exemplo o facto de lares e bombas de gasolina serem infraestruturas que não estão obrigadas a terem geradores.

Silvério Regalado destacou ainda como um dos desafios para a reconstrução das regiões afetadas pelo mau tempo a falta de mão-de-obra. "Perdemos muitas pessoas para o estrangeiro. Mão-de-obra super qualificada que foi embora", relembra.

A falta de recursos é também referida por Bento Aires como um dos entraves à reconstrução. O membro do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros desabafa que "precisamos de fazer habitação, executar o PRR e pelo meio levamos com uma tempestade que quase destrói uma região... não temos mão-de-obra preparada para executar estes investimentos".

"Ainda bem que há imigrantes a trabalhar no setor. E muitos mais fazem falta" assegura Fátima Messias que explica que a falta de trabalhadores portugueses tem sido colmatada com a contratação de imigrantes. A coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro adianta mesmo que "muitos dos sócios recentes nos sindicatos são imigrantes".

No programa Consulta Pública António Mendonça, bastonário da Ordem dos Economistas e antigo ministro das Obras Públicas no Governo socialista defende que o foco não deve estar num ou noutro partido, num ou noutro Governo. "Há aqui uma culpa coletiva. Há uma incapacidade que resulta da acumulação de debilidades estruturais que não foram resolvidas, em todos os setores", acrescenta.

Todavia, Carlos Matias Ramos defende que "é preciso avaliar o porquê e o que correu mal. E correu muita coisa mal". O antigo presidente do LNEC assume que "muitas vezes não sabemos para onde vamos e isso faz-me arrepios e urticária".

É nos autarcas que têm recaído muitas responsabilidades, relembra Amadeu Albergaria. O vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses diz mesmo que "as tempestades vieram agravar as dificuldades que já sentíamos na contratação pública: faltam empresas para o investimento que os municípios tinham no terreno".

Na mesma linha, Ricardo Gomes, o vice-presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, destaca uma nova realidade que prevê para a próxima década: "a economia europeia de Defesa colocará pressão nas matérias-primas e suas fontes. A nossa capacidade para responder à procura está comprometida".

A empresa de construção civil JPaiva, que tem sede em Coimbra, diz que é notória a falta de mão-de-obra.

Depois da passagem da tempestade Kristin, a empresa tem estado no terreno a ajudar nas reparações.

O repórter Joaquim Reis foi visitar esta construtora que também sofreu estragos nas próprias instalações, por causa do mau tempo.
O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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