Governo aumenta 5,6% o salário mínimo para 450 euros

O Governo vai propor um aumento de 5,6 por cento para o salário mínimo no próximo ano, uma subida para os 450 euros mensais, tal como foi acordado com os parceiros sociais. O anúncio foi feito por José Sócrates numa entrevista ao DN e à TSF.

Cristina Sambado, RTP /
Relação entre Belém e São Bento é excelente revelou o primeiro-ministro RTP

“Nós vamos subir o salário mínimo mais de 5 por cento”, declarou José Sócrates que afirma que o aumento será feito de uma só vez, afastando a hipótese da actualização ser faseado durante o ano.

Relações excelentes entre Belém e São Bento

Na continuação da entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, José Sócrates admite que as alterações feitas na segunda versão do Estatuto Político-administrativo dos Açores tiveram em conta a opinião do Presidente da República e afirma que as relações entre Belém e São Bento são excelentes.


“As palavras do Sr. Presidente da República foram tidas em conta”, afirmou José Sócrates.

“As alterações que foram feitas no Estatuto dos Açores, foram alterações que derivavam da retirada das partes inconstitucionais e também das observações que foram feitas pelo Sr. Presidente da República”, acrescentou o chefe do Governo.

Nesta segunda parte da entrevista o primeiro-ministro sublinha que as relações entre São Bento e Belém são boas, apesar de existirem visões diferentes em alguns temas.

“Está excelente. Nós temos uma relação institucional e uma relação pessoas muito boa”, disse.

“O respeito institucional, a relação pessoal entre dois órgãos de soberania não pressupõe que ambos pensemos exactamente o mesmo sobre todos os temas políticos. Os portugueses querem e esperam de nós, de mim e do Sr. Presidente da República, que tenhamos uma cooperação política que responda aos problemas do país”, declarou.

“O que eu vejo no Presidente da República, nas atitudes do Presidente da República, é sempre uma vontade de ter uma cooperação institucional sem mácula de contribuir para resolvermos os problemas do país”, confessou.

Crise “envergonha” os Estados Unidos

Regressando ao tema da crise financeira internacional, que dominou a primeira parte da entrevista revelada ontem (ver artigo relacionado), o primeiro-ministro lançou duras críticas as aos Estados Unidos por não terem agido na altura certa e porem terem permitido comportamentos irresponsáveis.

“Esta crise de certa forma envergonha os Estados Unidos. Esta crise teve origem nos Estados Unidos e resulta do facto de as entidades estaduais ou estatais, que deveriam ter um papel de supervisão e de controlo, terem afinal permitido comportamentos muito irresponsáveis”, acusou José Sócrates.

Sócrates lembra dificuldades de um Governo sem maioria absoluta

O primeiro-ministro afirma que um Governo sem maioria absoluta tem muitas dificuldades em fazer mudanças e reformas, mas acrescenta que não fará chantagem com os portugueses nem exigirá a maioria absoluta.

“Na situação em nós estamos, o país precisa de um Governo que tenha capacidade para conduzir mudanças e as reformas. Que seja capaz de conduzir uma política que sobreponha o interesse geral ao interesse das cooperações que muitas vezes dominam os aspectos sectoriais da nossa política”, declarou.

“Sem maioria isso é muito difícil”, acrescentou recordando a sua passagem “por um Governo sem maioria” de António Guterres “e as negociações permanentes que têm de se fazer diminuem a capacidade do Governo”.

Quando recordado pelos entrevistadores de que “Cavaco Silva, em 1991, mais do que pedir exigiu maioria absoluta para Governar”, o secretário-geral do PS declarou que: “Eu nunca exigirei nada a ninguém”.

Afirmando “que ainda falta muito tempo” para as próximas eleições legislativas, José Sócrates revelou que “não quero pronunciar-me sobre cenários, mas eu não faço chantagem com os portugueses. Nunca fiz nem farei”.

Militância de Manuel Alegre é orgulho para os socialistas

Na entrevista, o secretário-geral do PS afirma sentir-se muito feliz por ter o ex-candidato presidencial independente no seu partido e considera que a militância de Manuel Alegre é motivo de orgulho para os socialistas.

“Acho que a casa natural de Manuel Alegre é o partido socialista, por muito que algumas vezes pareça que não o é, e o PS tem orgulho no Manuel Alegre e em ter o Manuel Alegre”, afirmou.

José Sócrates confessou que tem em relação a Manuel Alegre “divergências de opinião” que atribui a “diferenças geracionais e a diferenças de pontos de vista sobre o Mundo”.

No entanto acrescenta que “isso só enriquece o PS, não o diminui em nada. Portanto eu sinto-me muito feliz numa casa que também tem o Manuel Alegre”.












PUB