Grândola evacua casas e corta estradas mas sem ativar plano de emergência
O presidente da Câmara de Grândola, Luís Vital Alexandre, disse hoje que o mau tempo causou cortes de vias, evacuações preventivas e isolou uma aldeia, mas afastou a possibilidade de ativar o Plano Municipal de Emergência.
"Temos caminhos totalmente intransitáveis, nem mesmo já para as viaturas dos bombeiros com correntes fortes, e um sem número de ocorrências de estradas completamente submersas, uma situação muito preocupante na aldeia do Lousal, que está isolada, e a derrocada parcial de uma primeira habitação", revelou o autarca, em declarações à agência Lusa.
Segundo o presidente da Câmara de Grândola, no distrito de Setúbal, em diversos pontos do concelho foram feitas evacuações preventivas de habitações, devido a inundações, a maioria na zona circundante à vila alentejana.
"As evacuações são, maioritariamente, de moradias isoladas ou tendencialmente isoladas, muito próximas de Grândola e da Ribeira de Grândola", e também "na zona do [bairro do] Isaías, junto ao nó Grândola-Norte da autoestrada, que é uma zona muito plana e suscetível de inundações", precisou.
A construção de um "crescente número de moradias [nesta] zona e de vias de comunicação tem provocado bloqueios da circulação natural da água", e, com o mau tempo, foi necessário "retirar pessoas" destes locais.
"Ainda há pessoas que, neste momento, não querem sair" das suas habitações, indicou Luís Vital Alexandre, acrescentando que já foram, no entanto, retiradas "pelo menos três pessoas" dessas áreas mais vulneráveis.
Para realojar quem não pode ir para "casa de familiares", o município disponibilizou "uma zona de acolhimento, com todas as valências, inclusive apoio psicológico, no Complexo Desportivo Municipal José Afonso".
À Lusa, o autarca revelou que, já na manhã de hoje, no Bairro da Tirana, junto à vila de Grândola, registou-se a "derrocada parcial de uma primeira habitação", com um desalojado, apesar de a única residente, uma mulher idosa, se recusar "a sair da moradia".
Por outro lado, indicou, o abastecimento de água à população da aldeia de Melides foi interrompido, ao início da noite de terça-feira, "devido à subida da água" da ribeira que atravessa aquela localidade, em "cerca de 1,5 metros".
"Água muito enlameada e, portanto, teve de ser desligada a bombagem e o serviço de fornecimento de água está a ser assegurado pelos bombeiros, que estão a abastecer o depósito" de Melides, explicou.
Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de ser necessário ativar o Plano Municipal de Emergência, Luís Vital Alexandre disse que "ainda não é necessário" ativar este mecanismo, fazendo depender essa possibilidade da "evolução da situação".
Contactada pela Lusa, fonte do município indicou que, devido ao mau tempo, foram encerradas as escolas básicas da Aldeia do Futuro, Ameiras e Água Derramada, afetando um total de 40 crianças, assim como a creche e jardim-de-infância de Grândola.
"As crianças que necessitem de alternativa, na quinta-feira, serão acolhidas no Jardim-de-Infância n.º1 de Grândola", acrescentou.