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Há pessimismo no verão da Marinha Grande mas "não podemos parar no pôr do Sol"

Há pessimismo no verão da Marinha Grande mas "não podemos parar no pôr do Sol"

A destruição da floresta e a lenta recuperação dos estragos levam a temer que o verão deste ano traga perigos para a Marinha Grande: os incêndios e a quebra do turismo. Perante as dificuldades das últimas semanas, até mesmo da comunicação social local, levantou-se a solidariedade.

Gonçalo Costa Martins, Horácio Antunes, Diogo Miguel Pereira - Antena 1 /
Fotos: CM Marinha Grande e Antena 1

Com o mote "Emissão Reconstruir", a Antena 1 fez o Programa da Manhã desta quinta-feira a partir da quartel de bombeiros da Marinha Grande. Numa emissão conduzida por Diogo Miguel Pereira e José Carlos Trindade, foram vários os momentos de reportagem e convidados deste concelho.

Na Marinha Grande recupera-se da tempestade com vários ritmos. Se no centro do concelho já existe uma retoma mais consistente das comunicações e da eletricidade, o mesmo não se pode dizer noutras freguesias periféricas.

Ao fim de tantos dias, o presidente da Junta de Vieira de Leiria diz que o que mais falta são as ligações à Internet e a reposição de energia, em alguns locais da freguesia. Depois de muito trabalho de limpeza, com ajuda de muitos voluntários e de muita solidariedade, tem sido possível repor telhados e vias de comunicação.

Na quarta-feira, a reportagem da Antena 1 percorreu o concelho, passando por localidades como Pilado e Garcia, e encontrou equipas a tentar repor a eletricidade - até que se fez luz. Ontem havia ainda cerca de duas mil casas sem energia, segundo a câmara municipal.
Reportagem de Horácio Antunes - Antena 1

Na freguesia de Vieira de Leiria, na praia, há um nevoeiro de pessimismo. O presidente da Associação para o Desenvolvimento Sócio Cultural da Praia da Vieira antevê consequências para as empresas e para o emprego.

"Não acredito, à velocidade a que estamos a recuperar, que o verão tenha uma praia bela como costumamos ter", diz Carlos Monteiro, acreditando que "o pior ainda está para vir, quando começarem a fechar empresas e comércio".

Pedindo mais atenção do Estado central, lamenta que não esteja a ser feita outra gestão dos materiais de contrução, como das telhas, essenciais para repor os telhados que deixaram de cobrir várias casas na Praia da Vieira.

Perante a situação atual, Carlos Monteiro pega até no slogan "Leiria não existe", que ficou conhecido na internet, e deixa a crítica: "Eu acho que Portugal não existe, existem as cidades e mais nada".
Carlos Monteiro

Há uma outra preocupação que paira sobre o verão. Depois das autoridades socorrerem a população - que há mais de uma semana contam também com o apoio dos fuzileiros, da Marinha -, o trabalho agora também é de limpeza, já que a tempestade Kristin deixou um manto de destruição na floresta do concelho, algo preocupante para os meses mais quentes.

"Quando chegar o verão, temos a preocupação dos fogos florestais", avisa Eduardo Abreu, comandante dos bombeiros voluntários da Marinha Grande, pois "a manta florestal está toda no chão".
Eduardo Abreu, comandante dos bombeiros da Marinha Grande (à esquerda), e Comandante Cruz Neves, da Marinha Portuguesa (à direita)

Os bombeiros da Marinha Grande não têm parado, é como se estivessem no modo de "centrifugação", descreve o comandante. "O nosso quartel foi muito fustigado", pela falta de telhas, "já fazemos tetris para conseguir pôr pessoal a dormir nas nossas camaratas porque já pinga em todo o lado".

Ao nível da indústria, a empresa vidreira Crisal estima prejuízos de oito milhões de euros, numa altura em que já foi possível retomar a maior parte da produção.

Enquanto o setor industrial ficou "devastado", mas vai recuperando, a vice-presidente da Associação Comercial e Industrial da Marinha Grande, Susana Santos, considera que é preciso apoiar mais os pequenos comerciantes.
A rádio que perdeu a torre e o clube que ficou sem pavilhão
Depois do apagão de 28 de abril do ano passado, as tempestades voltaram a virar atenções para a rádio. Mas Rui Graça, locutor na Rádio Clube Marinhense, não teve tarefa fácil.

"A nossa torre principal está no chão, continua ainda no chão passado três semanas", descreve.

Depois de um período sem emissão, a retoma só foi possível graças ao empréstimo de uma torre feito por uma rádio de Évora - a Diana FM. Ainda assim, "estamos apenas a emitir para o centro da cidade", acrescenta Rui Graça.
Rui Graça (à esquerda) e Carla Fragoso (à direita)

Já Carla Fragoso, jornalista do Jornal da Marinha Grande, recorda que quis recolher imagens e vídeos nos dias após a tempestade, para que, assim que houvesse eletricidade, conseguisse divulgar o primeiro impacto.

Os danos estendem-se às coletividades e ao desporto local. Um dia antes de assinalar os 87 anos, o Sporting Clube Marinhense recebeu a "a prenda que não queríamos".

"Estamos a falar de toda uma estrutura, de um pavilhão que desapareceu", conta o presidente Miguel Bataglia. O clube tem percorrido vários locais para treinar.
Miguel Bataglia

Em relação a animais, agora que há comunicações, estão a aumentar os pedidos de ajuda à Associação Protetora dos Animais da Marinha Grande, entre quem precisa de apoio para alimentação ou dos que procuram os animais que perderam.

"O pior está a começar agora a chegar", diz a presidente Catarina Contente, contabilizando à volta de 10 pedidos de ajuda por dia.
Enfrentar consequências de "cabeça erguida"
Paulo Tojeira é presidente da Associação Tocándar e diretor artístico. Entra na emissão da Antena 1 ao som da música "O Pôr do Sol a nascer", da associação.

"O sol nasce todos os dias e não podemos parar no pôr do Sol"
, explica, depois de uma "grande catástrofe" que diz que é passado, mas há "novos problemas" para enfrentar de "cabeça erguida".
Paulo Tojeira

No sábado a seguir à tempestade, Paulo Tojeira conta que os jovens envolvidos na associação e os pais mobilizaram-se para ajudar a limpar a sede da associação, a Oficina da Música, onde tinha caído uma árvores de grande porte.

Susana Rodrigues e Maria Ramalho, do Teatro do Botão, descrevem também que foi preciso reorganizar nesta altura o trabalho da companhia.
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