INEM. Sindicato diz que greve só será cancelada se Governo recuar "por escrito"

INEM. Sindicato diz que greve só será cancelada se Governo recuar "por escrito"

Em entrevista à RTP, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, disse que a greve no INEM só vai ser cancelada se o Governo recuar por escrito nas medidas, que, na sua opinião, terão "consequências gravíssimas".

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

Rui Lázaro disse que a greve anunciada para os dias 14 e 28 de setembro surgiu como “última opção”, depois de o Governo ter ignorado os alertas do sindicato.

“Estamos há dez meses a alertar o Governo para as consequências destas medidas. Ignoraram os nossos alertas e esta greve surge como última opção”, disse, acrescentando que só será cancelada caso o Governo se comprometa, por escrito, a recuar nestas medidas.

Nós desejamos e esperamos que o Governo nos dê condições para cancelar a greve. Caso não o faça, é porque não atribui à greve importância suficiente para apresentar essas medidas. E aí, o ónus da responsabilidade ficará do lado do Governo”, asseverou.

Rui Lázaro garante “toda a flexibilidade” do lado do sindicato e diz que recuarão “com todo o gosto” na decisão da greve “desde que nos seja garantido que o serviço de emergência médica vai ser reforçado”. O INEM reúne-se no próximo dia 26 com o sindicato dos técnicos de emergência e o Ministério da Saúde para esclarecer as razões das greves marcadas para setembro e a alegada redução de ambulâncias. O presidente do instituto, Luís Cabral, também estará presente na reunião.

Luís Cabral também deu, esta quinta-feira, uma entrevista à RTP, onde acusou o Sindicato dos Técnicos de Emergência Hospitalar de fazer “afirmações inconsequentes”.

Em resposta, Rui Lázaro diz que o presidente do INEM “acaba por ele próprio, nas suas declarações, contrariar a retórica das medidas que tem implementado” e acusa-o de não ter experiência suficiente.
“Consequências gravíssimas”
O sindicato anunciou a greve para contestar a nova lei orgânica do instituto, que prevê, entre outras medidas, a passagem das ambulâncias do Instituto de Emergência Médica para as unidades locais de saúde e também outras mudanças no socorro, como a tripulação passar a deslocar-se não na ambulância mas numa viatura ligeira.

Rui Lázaro alerta para as “consequências gravíssimas” destas medidas e diz não ter dúvidas de que serão revertidas. “Resta saber se o Governo as vai reverter antes de produzirem consequências ou se vai aguardar que morram pessoas para as reverter”, disse.

Para o presidente do sindicato, “devia continuar o plano que estava em marcha deste Governo, que era o alargamento da carreira de técnico de emergência pré-hospitalar a todas as ambulâncias do sistema, garantindo assim que os parceiros, bombeiros e cruz vermelha, tinham acesso a mais formação e mais competências”.

O presidente do INEM culpou os “anos de estagnação” e a ausência de investimento nos últimos anos pela existência de doentes críticos sem o socorro adequado. Rui Lázaro concorda, mas alerta que os problemas se vão agravar “caso as atuais medidas anunciadas sejam implementadas”.
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