Problemas no INEM. Presidente do instituto culpa "anos de estagnação" e desinvestimento

Problemas no INEM. Presidente do instituto culpa "anos de estagnação" e desinvestimento

O presidente do INEM garante que vão ser introduzidas alterações até ao final do ano a fim de melhorar a gestão do instituto.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

Mais de 26 mil doentes em estado crítico não tiveram o nível de socorro adequado no ano passado, segundo dados do último relatório de gestão de atividades da emergência médica.

Em entrevista à RTP, o presidente do INEM, Luís Cabral, reconhece o problema e culpa a ausência de investimento nos últimos anos.

“Tivemos alguns anos de estagnação em que não houve qualquer investimento nesta aérea e o país está a mudar, do ponto de vista demográfico e em número”, disse Luís Cabral. “Precisamos de nos adaptar. Isso não foi feito e agora temos de o fazer muito rapidamente”, acrescentou.
O presidente do INEM garante que até ao final do ano alguns dos obstáculos a uma melhor gestão vão desaparecer.

“Há alterações que têm de ser introduzidas e que serão introduzidas até ao final deste ano”, disse.
INEM vai adquirir 1400 monitores
Luís Cabral quer assegurar que os cuidados diferenciados sejam acionados para quem precisa mesmo e por isso vai dotar todos os meios de socorro de meios de diagnóstico que permitam fazer uma melhor avaliação de cada caso.

“Temos de ser capazes de dar a todos os meios essa capacidade para sermos mais eficazes e não estarmos apenas pendurados numa tipologia de resposta para resolver algumas outras situações”, disse.

Luís Cabral anunciou que vão adquirir 1400 monitores para entregar a todas as ambulâncias “para que tenham capacidade de efetuar eletrocardiogramas, com transmissão de informação em tempo real para os nossos centros de orientação de doentes urgentes”.

“Na maior parte das situações, não será preciso enviarmos uma equipa diferenciada e o doente segue na viatura até ao hospital”, explicou.

Para além disso, vão ainda dar formação aos bombeiros para que possam administrar o medicamento adequado nos casos de hipoglicemia.
Afirmações “inconsequentes”
Sobre os pedidos de demissão, Luís Cabral considera “um pouco abusivo” dizer que a maioria dos trabalhadores pediu a sua demissão e diz que “seria estranho estarmos num processo de reestruturação do INEM sem que houvesse algum grau de contestação”.

O presidente do instituto acusou ainda o Sindicato dos Técnicos de Emergência Hospitalar de fazer afirmações "inconsequentes", garantindo que a reforma do INEM não vai implicar redução de meios nem de pessoas.


“Seria de uma inconsciência enorme e total incoerência reduzir meios numa altura em que sabemos que há algumas zonas do país que estão deficitárias de meios”, disse.

“São afirmações inconsequentes e que não correspondem à realidade”, rematou.

Os técnicos do INEM pediram a demissão do presidente do instituto e anunciaram greves para os dias 14 e 28 de setembro para contestar a nova lei orgânica.
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