Técnicos do INEM avançam para greve e pedem demissão do presidente do instituto

Técnicos do INEM avançam para greve e pedem demissão do presidente do instituto

Os técnicos do INEM decidiram marcar greve dois dias em setembro, a 14 e 28, para contestar a nova lei orgânica do instituto.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Nuno Patrício - RTP

Os técnicos do INEM pedem a demissão do presidente do instituto, "considerando que a forma como o Instituto tem vindo a ser conduzido, a relação mantida com os trabalhadores e as suas estruturas representativas e a gestão das alterações atualmente em curso comprometem a confiança necessária ao exercício das suas funções".

O pedido da demissão consta da resolução aprovada esta quinta-feira na Assembleia Geral de trabalhadores do INEM, da qual constam dez deliberações e muitas críticas à atuação e declarações do presidente do organismo público de emergência médica, nomeadamente as críticas feitas à comissão de trabalhadores, em entrevista à Antena 1, questionando a sua representatividade, e pedindo "críticas construtivas".

Na resolução, os trabalhadores afirmam que quando alertaram para "falhas, riscos ou consequências das decisões tomadas" não o fizeram por "interesse corporativo, partidário ou pessoal", mas por conhecerem o instituto e saberem que "decisões tomadas no papel têm consequências concretas no terreno".

"Por isso, os trabalhadores rejeitam igualmente a ideia de que apenas são aceitáveis as chamadas "críticas construtivas", quando esta expressão é utilizada para separar as críticas que agradam à direção das que a incomodam. Uma crítica fundamentada não deixa de ser construtiva porque é dura. Alertar para um erro antes de ele produzir consequências é ser responsável. Discordar de uma decisão não é atacar o INEM", defendem os trabalhadores.

O sindicato representativo dos trabalhadores do INEM anunciou esta quinta-feira que decidiu marcar uma greve para 14 e 28 de setembro para contestar a nova lei orgânica da instituição e "a retirada" de 100 ambulâncias do seu dispositivo operacional. O diploma prevê a passagem das ambulâncias do Instituto de Emergência Médica para as unidades locais de saúde e também outras mudanças no socorro, como a tripulação passar a deslocar-se não na ambulância mas numa viatura ligeira.

"Nós contávamos que o Governo anunciasse a reversão destas medidas para que nós possamos desconvocar a greve", afirmou Rui Lázaro, líder sindicalista.

Os sindicatos estão contra a transferência de ambulâncias para os hospitais e dizem que a nova lei orgânica do instituto retira capacidade de resposta ao INEM.

Segundo Rui Lázaro, não estão em causa "questões laborais, salariais", mas sobretudo "o desmantelamento do INEM e a consequência que pode ter para a vida" dos cidadãos.
O sindicato foi sempre contra esta medida que tem levantado polémica. A lei orgânica vai ser discutida na Assembleia da República.

Para estas paralisações, o sindicato pede o apoio na adesão dos sindicatos dos médicos, enfermeiros e da função pública (com trabalhadores representados no INEM).
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