"Irmandade". Detidos em operação contra movimento neonazi continuam a ser ouvidos

Os 37 detidos pela Polícia Judiciária, no âmbito da Operação Irmandade, continuam esta quinta-feira a ser ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Inês Moreira Santos - RTP /
Unidade Nacional de Armamento e Segurança da Polícia Judiciária Rui Alves Cardoso - RTP

Ainda não há informação sobre quando serão conhecidas as medidas de coação, uma vez que só na tarde de quarta-feira é que os 37 detidos foram todos identificados. 

Os arguidos chegaram pelas 9h33 ao Campus de Justiça. Segue-se agora um primeiro interrogatório com o juiz de Instrução Criminal, procedimento que pode demorar caso os suspeitos decidam todos colaborar com a Justiça. 

Os arguidos passaram novamente a noite na prisão anexa à Polícia Judiciária e vão reunir, também esta quinta-feira, com os respetivos advogados. 

São suspeitos de integrarem um movimento neonazi, que estava a preparar ataques contra imigrantes em Portugal, conhecido como Grupo 1143. Entre os detidos está um agente da PSP da divisão de setúbal, um militar da Força Aérea e três militantes do Chega - um deles foi conselheiro nacional do Chega e outros dois candidatos autárquicos do partido em Guimarães.
Telejornal | 21 de janeiro de 2026

Estão em causa crimes de discriminação, incitamento ao ódio, à violência, crimes de associação criminosa, ameaça, perseguição e ofensa à integridade física grave. O grupo, identificado como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que daria as instruções a partir da cadeia.

Na quarta-feira, os 37 detidos foram presentes a um juiz para identificação e primeiras declarações. A advogada de vários dos alegados membros desta organização defendeu que em causa está somente "um grupo de convívio", sem nada de violento.

"É um grupo de convívio, não tem ali nada de violência"
, defendeu Lusa Mayza Consentino, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

A RTP apurou, entretanto, que o despacho de indiciação refere que Mário Machado reergueu esta organização e continuava a dirigi-la mesmo a partir da cadeia, estando a planear ações contra a comunidade muçulmana em Portugal.
Telejornal | 21 de janeiro de 2026

A Força Aérea anunciou também que vai abrir um processo disciplinar ao militar que foi detido nesta operação e garantiu estar “a acompanhar o evoluir do inquérito”.


“Atualmente aguarda conhecimento concreto dos factos que permitam, como é procedimento habitual, instaurar o competente processo disciplinar ao militar, sem prejuízo da colaboração com as autoridades judiciais”.

As 37 pessoas detidas têm "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais", tendo sido ainda constituídos arguidos no âmbito desta operação "Irmandade" outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas.

Os detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".

A organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", referiu a PJ.

c/ Lusa
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