Jantar da Web Summit no Panteão Nacional é "indigno" e "ofensivo"

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O jantar de encerramento da Web Summit que teve lugar no Panteão Nacional está a provocar polémica. O primeiro-ministro fala numa utilização "absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos” e, por isso, vai proibir a realização de festas naquele monumento. Marcelo diz que nem "o jantar mais importante de Estado" pode ali decorrer.

Em comunicado enviado às redações, o Ministério da Cultura explica que o jantar foi realizado no âmbito de um regime adotado pelo Governo de Pedro Passos Coelho. “Neste Regulamento, entre diversas medidas, está prevista a realização de jantares no Corpo Central do Panteão Nacional”, explica a tutela.

O Governo irá agora “determinar a imediata revisão do referido Despacho”, revisão essa que “determinará a proibição de realização de eventos de natureza festiva no Corpo Central do Panteão Nacional”.

O Ministério da Cultura explica ainda que “não permitirá que a utilização para eventos públicos dos monumentos nacionais possa pôr em causa o caráter e a dignidade próprias de cada um desses monumentos”.

Em resposta, o secretário de Estado da Cultura do Governo de Passos Coelho admite ser o autor do despacho mas salienta que os eventos têm de ser adequados aos espaços e que o Executivo podia ter recusado a sua realização.


Regime será alterado
Também o gabinete do primeiro-ministro enviou uma nota à comunicação social onde critica a utilização do Panteão Nacional para eventos festivos. "A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos", refere o comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

Tal como a nota do Ministério da Cultura, o gabinete do chefe do Governo indica que esta situação é legal, frisando que tal é permitido por “despacho proferido pelo anterior Governo”.

O Executivo classifica esta utilização de ofensiva e informa que esse regime será alterado “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais".

Esta é a reação do Governo ao jantar que juntou, na noite de sexta-feira, cerca de 200 pessoas no Panteão Nacional. Marcaram presença presidentes-executivos de empresas, startups e investidores num jantar que pretendeu assinalar o fim da Web Summit, a conferência de tecnologia e inovação que se realizou pelo segundo ano consecutivo em Portugal.

Também o Presidente da República defendeu no sábado que o Panteão Nacional não é o espaço adequado para qualquer tipo de jantar. Marcelo Rebelo de Sousa considera por isso que a decisão anunciada pelo Governo é óbvia e sensata.

O Bloco de Esquerda defende que é preciso apurar quem deu autorização para a realização do evento no Panteão Nacional.

O PCP lamenta que o jantar tenha ocorrido, mas considera que o que importa agora é alterar os regulamentos.

O CDS diz que o Governo nunca assume a responsabilidade pelo que corre mal.

O PSD admite que foi o Executivo anterior que aprovou a lei, mas sublinha que foi o atual Governo que autorizou o jantar.

CEO da Web Summit pede desculpa
O responsável pela Web Summit reagiu no Twitter à polémica com o jantar de encerramento da cimeira que aconteceu no Panteão Nacional. Paddy Cosgrave pediu desculpa ao “querido Portugal”.


O responsável explica ainda que é irlandês e que tem por isso uma abordagem diferente em relação à morte. “Os irlandeses celebram a morte”, diz Paddy.

O presidente executivo da Web Summit garante ainda que adora Portugal, como se fosse a segunda casa, e que nunca faria nada para ofender os grandes heróis do passado de Portugal.

Entretanto, multiplicam-se as reações com diversos vídeos e fotografias a serem partilhados nas redes sociais.



c/Lusa


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