Jerónimo detecta "sinais frágeis" de recuperação do movimento operário
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou que há "sinais, ainda que frágeis", de recuperação do movimento comunista e operário no Mundo na "luta pela superação revolucionária do capitalismo".
A posição de Jerónimo de Sousa foi expressa na abertura de um encontro internacional de partidos comunistas e operários, em Lisboa, que reúne, até domingo, delegações de 63 partidos, e a que faltou o representante da Coreia do Norte.
Num breve discurso perante uma sala com dirigentes comunistas de todos os continentes, o líder do PCP garantiu que a actual situação do movimento comunista e operário é caracterizada pela "resistência e acumulação de forças, mas também já por sinais, ainda que frágeis, de recuperação".
Jerónimo de Sousa afirmou o empenho do seu partido para "travar o passo" à "ofensiva global do imperialismo", através da "acção comum ou convergente" que "dê voz às aspirações dos trabalhadores e dos povos".
No plano nacional, afirmou, "continua a ser determinante a luta de classes, cada vez mais viva e intensa", que "oferece" o esforço dos comunistas portugueses na "luta mais geral pela superação revolucionária do capitalismo".
O líder comunista sublinhou a importância deste tipo de encontros internacional como forma de "troca de experiências", defendendo o socialismo, com uma "concepção renovada e enriquecida pelas lições da experiência, como a real alternativa ao actual sistema".
"Aprendendo com as experiências positivas e negativas, com as vitórias e as derrotas, combatendo as novas velhas tendências de criminalização das resistências, em particular dos comunistas, e afirmando o carácter intrinsecamente democrático do socialismo, estaremos a contribuir para que a Humanidade conheça um provir mais livre, mais justo, mais pacífico, fraterno e democrático", disse.
Jerónimo de Sousa saudou "todas as forças revolucionárias, todos os partidos comunistas" que prosseguem "corajosos processos de resistência contra a ocupação militar estrangeira, contra as agressões, as ameaças e ingerências do imperialismo" e "todos aqueles que são sujeitos ao recrudescimento do anti-comunismo e de medidas anti-democráticas" e "alvo de perseguição política fascizante".
Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP manifestou a sua solidariedade "aos trabalhadores da função pública", em greve na quinta-feira e hoje "pela defesa dos seus direitos que o actual Governo do PS tenta delapidar e destruir".
Os trabalhos do VIII Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários decorrem até domingo à porta fechada.
As intervenções das delegações, porém, serão divulgadas na página do PCP na Internet, anunciou a organização, que recusa "qualquer ideia de secretismo".
No sábado à noite haverá um comício em Almada, na Academia Almadense, com a participação do líder do PCP e dos dirigentes dos PC da África do Sul, Cuba, Grécia, Índia e Federação Russa, sob o tema "PCP - 85 anos de solidariedade com os povos em luta".
A sessão de encerramento, domingo cerca das 13:00, decorrerá à porta fechada, estando prevista a divulgação das conclusões durante a tarde, através de um comunicado conjunto.
"Perigos e potencialidades da situação internacional, a estratégia do imperialismo e a questão energética; A luta dos povos e a experiência da América Latina, a perspectiva do socialismo" são os temas do Encontro.
As anteriores edições dos Encontros Internacionais realizaram- se em Atenas, Grécia, por o PC grego ter sido o partido a propor pela primeira vez, em 1998, a realização de um encontro de "partidos comunistas e operários".