Via-Sacra, encontros com jovens e um discurso improvisado na Serafina
Abusos. D. José Ornelas garante que Igreja está a tomar "medidas concretas"
"Aquilo que se passa com os abusos e com colocar de lado os mais frágeis ou ao meu serviço, isso não é tolerável, particularmente nã é tolerável na Igreja", defendeu.
O presidente da Conferência Episcopal portuguesa considerou que esta tem estado a fazer isso mesmo e garantiu que "já estão a acontecer", "no terreno", "medidas concretas" de resposta aos abusos e das vítimas destes.
D. José Ornelas referiu mesmo que foi organizado "um grupo que está cuidar claramente das pessoas que abusadas", e que "já recebeu, muitas, pessoas que passaram por essas experiências traumatizantes".
Está assim ainda a ser formada "uma bolsa de técnicos", em psicologia, em psiquiatria e acompanhamento de pessoas "concretamente abusadas". "Estamos a fazer isso", afirmou.
O bispo garantiu ainda que "não tem conhecimento" de padres abusadores que se mantenham no ativo, sendo que os casos têm estado a ser passados pelas "comissões respetivas" aos bispos.
Não conhecendo nenhum caso na sua diocese, D.José Ornelas defendeu que "se tomem as devidas medidas porque isso é uma das coisas que nós assumimos que casos desses são para tratar concretamente". "É mais que justo".
O bispo frisou contudo que o processo passa por aferir a veracidade e plausibilidade das acusações, lembrando que atualmente "é mais fácil por não estarmos a falar de pessoas anónimas" o que permite "tomar medidas mais rapidamente"..
Sobre o facto da Conferência Episcopal não ter ainda organizado uma reunião com vítimas, ao contrário da prioridade dada pelo Papa Francisco, D.José Ornelas revelou que o encontro deste com 13 vítimas durante a JMJ foi proposto pelos bispos portugueses, que o delegaram no grupo independente "para que as pessoas pudessem livremente chegar ao Papa".
O presidente da Conferência Episcopal garantiu ainda que ele próprio e"e outros bispos", já reuniram com vítimas dos abusos. Lembrou contudo que muitas pessoas "e justamente, têm ainda muita dificuldade em falar" com pessoas de Igreja, explicando ser por isso que a Igreja mandou pessoas para esse efeito.
No rescaldo do apelo do Papa Francisco de que a Igreja tem lugar "para todos", D.José Ornelas frisou que a JMJ "é feita" para "a inclusão". "Isso é forma de começar a ser Igreja" afirmou face à objeção referida por muitos jovens peregrinos de que esta necessita mudar.
Quando o Papa diz "todos, todos, todos", considerou ainda o bispo, "pensa num mundo para todos". "Ele fala da economia, para todos, ele fala da cultura para todos, ele fala do direito a justiça e a uma vida melhor, para os migrantes que são excluídos...", explicou, rejeitando uma "atitude de juiz", de "quem entra e quem não entra", isso "não é a mensagem de Jesus".
"Toda a Igreja tem de mudar! Toda a sociedade tem de mudar!", afirmou, para lembrar que o Papa afirma "quando me considero perfeito e ponho os outros à porta, eu não estou a ser Igreja". Esta "é feita para o pecador", que afinal são todas as pessoas.
Bispo José Ornelas na RTP3. Jornada já "valeu a pena por ter acontecido"
"Dar vida às nossas cidades e viver esta experiência de internacionalidade à sombra da igreja (...) o mundo precisa disto, o mundo precisa de esperança, o mundo precisa dos jovens", acrescentou.
Sobre o papa, o presidente da Conferência Episcopal considera que "Francisco tem como grande documento a alegria do evangelho, é um papa do evangelho e o evangelho é quebrar tabus".
"Francisco vem da Argentina, vem da América do Sul, sofrida mas muito crente e que tem um sonho de um mundo melhor e ele é a voz dessa gente".
Sobre o lugar de cardeal patriarca de Lisboa que vai ficar vago e da possibilidade de vir a ocupar esse cargo, José Ornelas considera que "não faz sentido nenhum, há mais gente, não se preocupe".
Nas redes sociais e na Igreja: ser jovem católico "não está assim tão fora de moda"
O padre Paulo Vicente não tem dúvidas de que a “Igreja tem de aproveitar, cada vez mais as redes sociais, porque os jovens são o nosso futuro e os jovens estão muito presentes nas redes sociais”.
E se, atualmente, há menos população jovem a ter educação religiosa ou a assumir-se católica, o pároco da Beira Alta vê nas redes sociais uma “ferramenta importante” para chegar aos mais novos e mostrar que a Igreja Católica também pode ser moderna.
“É mais fácil se calhar transmitir a mensagem do Evangelho com um vídeo de dez segundos ou um vídeo pequeno (…) para chegar a eles, porque se calhar alguns andam afastados mas estão presentes nas redes sociais”, admitiu o também jovem padre em entrevista à RTP.
“As redes sociais têm de ser uma ferramenta importante para (…) transmitir e levar a mensagem do Evangelho”, continuou, acrescentando: “desde de que começamos a trabalhar com o TikTok temos tido muitos seguidores”.
No TikTok e no Instagram de Paulo Vicente, os seguidores e as visualizações têm crescido a olhos vistos. Nas paróquias de Arcozelo das Maias e Ribeiradio, no concelho de Oliveira de Frades, onde serve, também há mais aproximação aos paroquianos mais pequenos, que querem contribuir com os conteúdos publicados, participar nas danças que são tendência nas redes sociais e sugerir novas ideias para outros vídeos.
JMJ: “Uma semente que vamos lançar aos jovens portugueses”
Padre em três paróquias de Oliveira de Frades e, ao mesmo tempo, capelão militar em Lamego e Vila Real, Paulo Vicente veio a Lisboa para a Jornada Mundial da Juventude e trouxe consigo um grupo de 37 pessoas. As redes sociais, como confirmou, foram essenciais para a preparação para a vinda dos participantes que se quiseram juntar.
“Venho com dois grupos de jovens das minhas paróquias”, disse. “São dois grupos de jovens das paróquias de Arcozelo das Maias e Ribeiradio, no concelho de Oliveira de Frandes, e mais algumas pessoas que se juntaram a nós para vir à Jornada”.
Os mais novos deste grupo de peregrinos que vem das paróquias do distrito de Viseu são adolescentes de 16 anos. Mas a maioria dos que se juntaram a Paulo Vicente têm entre 20 e 30 anos e há ainda, pelo menos, duas pessoas com mais de 40 anos.
Para Paulo Vicente já não é uma estreia na Jornada Mundial da Juventude. Foi a Cracóvia e ao Panamá, antes. Agora veio à aguardada JMJ de Lisboa.
“Quando eu cheguei do Panamá, lancei o desafio e começamos logo a trabalhar. Estamos a trabalhar desde 2019, a angariar fundos, a preparar as catequeses, a fazer este caminho com os jovens”, contou com entusiamo. “Por isso, também vem um número consideravelmente grande para as paróquias que eu tenho – porque são paróquias rurais, do interior” – e virem 37 pessoas dessas paróquias “é bastante bom”.
Sacerdote há seis anos, manifesta ter esperança que esta JMJ seja uma “boa forma de mostrar aos jovens portugueses” algumas realidades dos jovens estrangeiros.
“Isto já se viu nas pré-jornadas. Eu vejo no meu concelho que os jovens às vezes estão um bocadinho parados (…) e agora com as influências que tivemos [do estrangeiro], viram que se calhar o catolicismo não está assim, como nós costumamos dizer, tão fora de moda”.
Por isso, continuou, “é bom haver esta partilha de culturas, haver esta partilha de fé”, porque estão representados na Jornada centenas de países do mundo, com o mesmo objetivo: “o Evangelho de Jesus e transmitir esse evangelho a todas as pessoas”.
"Porque o povo português, como sabemos, é um povo acolhedor, logo mostrar a nossa cultura a todos os países é bastante interessante. Vai ser bastante belo”.
JMJ. Manifestação em Lisboa contra o investimento, mas não contra a religião
Paulo Domingos Lourenço - RTP
Papa encontrou-se em Lisboa com jovens peregrinos ucranianos
Ortodoxos invadiram missa onde participavam católicos LGBT
Comércio aproveita chegada de milhares de peregrinos a Lisboa
Milhares de peregrinos enchem as praias da linha de Cascais
Jornada Mundial da Juventude. Via-Sacra em imagens
Voluntários e peregrinos fazem balanço positivo da organização da JMJ
Ana Sofia Pascoal, voluntária e chefe de equipa na área da logística, diz que o “feedback” que têm recebido até agora “é positivo”.
“Num evento destas dimensões há sempre coisas a apontar, há sempre pessoas que vão ter algo a dizer de coisas que correram menos bem. Mas das reuniões e formações que temos tido, ainda não há nada de alarmante a apontar. Portanto, acho que até agora tudo está a correr como devia”, disse a voluntária de 22 anos à RTP.
Mesmo aqueles que participaram em edições anteriores da JMJ tecem elogios à organização lisboeta.
Para o padre Pedro, do Algarve, esta é já a sua terceira experiência numa JMJ, tendo também participado em Madrid (2011) e em Cracóvia (2016). Diz estar “agradavelmente surpreendido” com a organização de Lisboa.
“Está muito boa, perfeita. Tudo está muito coerente, muito intuitivo”, afirmou. “Temos imensas pessoas que nos ajudam, nomeadamente nos transportes. Estou muito contente. Mesmo em comparação com as outras jornadas, acho que estamos muito bem”, acrescentou.
O ambiente em Lisboa também não fica “nada atrás” daquele que Pedro viveu em Madrid e Cracóvia. “É um ambiente de alegria, de felicidade, de juventude, de frescura”, afirmou.
Tal como o padre Pedro, também o jovem voluntário Francisco, de 24 anos, esteve, há sete anos, em Cracóvia. O lisboeta faz um balanço mais positivo da organização portuguesa do que a polaca.
“Acho que Lisboa até está melhor preparada para receber umas jornadas do que a Cracóvia. Foi bastante mais difícil lá”, disse.
“Há sempre pessoas a pedir casas de banho mais próximas. Queixam-se que as casas de banho estão posicionadas em sítios onde alguns setores têm dificuldades a aceder. Mas acho que ia ser sempre difícil conseguirmos chegar a toda a gente”, disse a voluntária Ana Sofia Pascoal.
Para Jorge e Diogo, esta é também a única crítica a apontar. “Há coisas a melhorar. Podia haver mais bebedouros e casas de banho, mas tirando isso acho que está tudo bem”, disse Jorge, de 22 anos.
“Temos que caminhar muito para ir a uma casa de banho ou encher uma garrafa de água. Mas de resto acho que está tudo bem”, observou Diogo, de 17 anos.
Os 30 graus Celsius que se fizeram sentir esta sexta-feira não demoveram os peregrinos. Estima-se que tenham estado cerca de 800 mil pessoas esta tarde no Parque Eduardo VII para acompanhar a cerimónia da Via-Sacra, um dos pontos altos deste evento. Faltam agora dois dias para terminar a Jornada Mundial da Juventude.
Centenas de pessoas protestam no Martim Moniz contra evento e Igreja Católica
O grupo contesta, sobretudo, os elevados gastos públicos por parte do Estado e das autarquias com a JMJ, que começou na terça-feira e termina no domingo.
No local são também muitas as referências aos abusos sexuais no seio da Igreja Católica.
Os manifestantes empunham cartazes com frases como: "tratem Portugal como se estivesse cá o Papa o ano todo", "4.815 + 40. Quantas mais precisam que sejam abusadas?" e "chega de papar o nosso dinheiro".
O protesto decorre em frente à Capela de Nossa Senhora da Saúde, no Martim Moniz, onde a organização montou duas colunas, um pequeno sistema de som e colocou à frente as bandeiras LGBTI+, trans e não binário.
Cerca das 19:30, um dos membros da organização leu o manifesto do movimento "Sem Papas na Língua", que se insurge contra a Igreja Católica e a sua "tradição histórica de abusos sexuais a menores".
O documento critica também os 40,2 milhões de euros gastos pela Câmara Municipal de Lisboa na JMJ, apontando que, "enquanto isto acontece, as pessoas continuam sem habitação digna e os pobres continuam pobres, a dormir nas ruas, mais ou menos escondidos do público".
"Num espaço de dias, as portas do metro irão abrir-se durante a noite na JMJ, para servirem de abrigo aos peregrinos, mas não para quem diariamente pede apoio social e habitação digna ao Estado ou à igreja", é também assinalado no manifesto.
Durante e após a leitura do documento, os manifestantes gritaram também algumas palavras de ordem, como: "abaixo o Papa, fora a concordata" e "para o Papa são milhões, para o povo são tostões".
A agência Lusa tentou falar com alguns dos organizadores do protesto, que foi convocado através das redes sociais, que disseram não querer prestar declarações.
Sara, de 25 anos, foi uma das centenas de pessoas que decidiram rumar ao Martim Moniz, defendendo que este protesto não foi convocado apenas "por causa das crianças abusadas, que são bastantes, mas também devido ao descontentamento dos portugueses por todo o dinheiro gasto neste evento, pago pelos contribuintes".
"São os transportes, não há casas, não há nada e de repente o Estado consegue proporcionar um evento deste tamanho. E acho que isso não faz sentido, visto que os portugueses não estão a receber ajuda para nada", afirmou à Lusa.
Também Maria, de 25 anos, considerou que o país não devia "desperdiçar tantos milhões numa publicidade a uma fé".
"Nós não temos nada contra a fé, mas isto é demasiado. Nós queremos realmente que os portugueses se sintam apoiados", acrescentou.
A poucos metros dos manifestantes, na Praça do Martim Moniz, os peregrinos aguardam pelo primeiro festival dos influenciadores católicos, com início previsto para as 21:00.
AJMJ é considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, que conta com a presença do Papa Francisco.
Estima-se que a jornada tenha um custo a rondar os cerca de 160 milhões de euros.
"Tudo está a correr bem" a nível de segurança na JMJ, garante MAI
Foto: José Sena Goulão/POOL - Reuters
Questionado sobre se houve reforço dos meios de segurança, o ministro esclareceu que só houve reforço agora "na área da prevenção dos incêndios rurais". O governante deixou ainda um apelo à população, devido aos alertas de aumento da temperatura no país para os próximos dias, para que "todos procurem ter comportamentos e atitudes muito cuidadosos".
"A maior ajuda que podem dar ao país, neste momento (...), é todos terem um comportamento de grande responsabilidade".
JMJ. Cerca de 1,8 milhões de passageiros utilizaram metro nos três primeiros dias
Dados enviados à agência Lusa pelo Metropolitano de Lisboa indicam que, entre terça-feira e quinta-feira, 1.829.000 passageiros circularam no metro, sendo uma "percentagem significativa" de participantes da JMJ.
Segundo a empresa, na quinta-feira, quando decorreu no Parque Eduardo VII a cerimónia de acolhimento da JMJ, presidida pelo Papa Francisco, utilizaram o metro 637.000 passageiros, num aumento de cerca de 67% face ao movimento verificado num dia equivalente em período homólogo.
"Com este número, o Metropolitano de Lisboa ultrapassou o movimento diário de passageiros em dia útil em período pré-pandemia, que se situava em cerca de 600 mil clientes" precisa a empresa.
No primeiro dia da JMJ, na terça-feira, o metro de Lisboa registou cerca de 605.000 mil entradas e na quarta-feira 587.000.
Sobre o escoamento de passageiros e as filas de pessoas que se encontram em certas alturas do dia às portas de algumas estações de metro, a empresa refere que as estações "têm um limite de passageiros que, por questões de segurança, não poderá ser ultrapassado".
A empresa explica que, em situações de grande afluência de passageiros, o metro tem que acionar uma série de medidas de segurança.
Além dos canais de validação (torniquetes) que desempenham uma função de controlo do acesso das pessoas de e para o cais, outras medidas de segurança passam, segundo o Metropolitano de Lisboa, pelo "controlo de entradas efetuado por elementos do metro e pela PSP, pelo aumento de comboios e da sua frequência para escoar os clientes do cais, entre outras medidas, neste caso concreto, concertadas com as forças de intervenção e de segurança".
A empresa frisa que é uma situação que "não é inédita, já que em grandes eventos que envolvem um elevado número de pessoas, como jogos de futebol e concertos, o Metropolitano de Lisboa adota a mesma metodologia de segurança.
O Metropolitano indica ainda que o transporte dos peregrinos no metro está a efetuar-se de forma ordeira e sem incidentes, respeitando as orientações que lhes são transmitidas.
Lisboa está a ser palco da Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Francisco e que, até domingo, reúne milhares de peregrinos de todo o mundo.
Após a Via-Sacra, Marcelo elogia cerimónia "excecional"
IPMA coloca Lisboa sob aviso vermelho no próximo domingo devido ao tempo quente
As 14 etapas da cerimónia da Via-Sacra
O tema de fundo da cerimónia foi a "vulnerabilidade e a fragilidade" com que todos se confrontam no dia-a-dia, através das seguintes etapas:
2. Jesus toma a Cruz aos ombros (reflexão sobre a “violência”)
3. Jesus cai pela primeira vez (reflexão sobre a “solidão”)
4. Jesus encontra Sua Mãe (reflexão sobre a “falta de compromisso”)
5. Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a Cruz (reflexão sobre a “intolerância”)
6. Verónica enxuga o rosto de Jesus (reflexão sobre o “individualismo”)
7. Jesus cai pela segunda vez (reflexão sobre “saúde mental”)
8. Jesus encontra mulheres de Jerusalém (reflexão sobre “a destruição da criação”)
9. Jesus cai pela terceira vez (reflexão sobre “as dependências”)
10. Jesus é despojado das Suas vestes (reflexão sobre a “incoerência”)
11. Jesus é pregado na Cruz (reflexão sobre as “crises humanitárias”)
12. Jesus morre na Cruz (reflexão sobre o “produtivismo”)
13. Jesus é descido da Cruz e entregue a Sua Mãe (reflexão sobre “desinformação/infoxicação”)
14. Jesus é depositado no sepulcro (reflexão sobre “o medo do futuro”)
Fátima terá sempre "lugar primordial" na defesa e proteção das crianças, diz reitor
O sacerdote, na véspera da visita do Papa Francisco à Cova da Iria, disse desconhecer se o pontífice vai aproveitar a sua presença no santuário para abordar o problema dos abusos sobre menores no seio da Igreja, sublinhando que "o Papa, ao querer iniciar, logo na chegada a Portugal, a visita com a questão dos abusos, deu um sinal muito claro de que não ignora este drama vivido em Portugal".
O Papa conhece "este drama que atinge a Igreja portuguesa, não ignora este crime cometido contra as vítimas, não quer que ignoremos as vítimas. Isso foi muito claro", afirmou à agência Lusa.
Para Carlos Cabecinhas, Francisco, "o Papa, ao receber as vítimas, ao falar diretamente com um pequeno grupo de vítimas, deu este sinal claro [de que] a Igreja não pode, de forma alguma, ignorar as vítimas, não pode, de forma alguma, deixar de as escutar, de as ouvir e de as levar muito a sério. Esse sinal está dado".
"Se o Papa vai ou não em Fátima falar da questão dos abusos, não sei", mas que "Fátima será sempre um lugar em que a questão da defesa das crianças, da proteção das crianças, tem de ter um lugar absolutamente primordial, isso é muito claro", disse o reitor à agência Lusa.
Desde logo, "até por esse facto histórico evidente que é: os protagonistas de Fátima foram crianças, foram crianças e são crianças que nos chamam a atenção para a necessidade permanente do cuidar dos mais frágeis, concretamente dos menores e das crianças".
"E quando falamos dos mais frágeis, eu digo particularmente as crianças, porque a questão dos abusos nos vai mostrando que não é apenas um problema com as crianças", acrescentou.
Carlos Cabecinhas mostrou-se ainda convicto de que Fátima, "a esse nível, tem esse papel fundamental de alertar as consciências para essa proteção das crianças, que é absolutamente decisiva e que tem que ser uma causa que a própria igreja em Portugal abraça".
"A Igreja, ao aceitar fazer todo o caminho que aceitou fazer, nomeadamente com a criação da Comissão independente, com toda esta investigação, com um pedido de perdão que apresentou, agora tem de ser consequente e o ser consequente obviamente, se Fátima é o Coração espiritual de Portugal - para utilizar essa expressão belíssima do Papa Bento XVI - não pode estar ausente também desta questão dos abusos. Tem de abraçar necessariamente esta causa e de ser esse lugar pioneiro da defesa das crianças, dos seus direitos e da sua proteção", concluiu Carlos Cabecinhas.
Cerca de 800 mil pessoas reunidas
Peregrinos devem evitar saída em simultâneo de Fátima no sábado
"Depois da saída de Sua Santidade existirá missa no recinto do Santuário e apelamos a que as pessoas não queiram sair todas em simultâneo imediatamente", disse hoje à agência Lusa o oficial de comunicação e relações públicas da GNR para a operação em Fátima, major Carlos Canatário.
A saída em simultâneo de milhares de peregrinos do Santuário de Fátima "vai complicar a fluidez do tráfego rodoviário e, naturalmente, a circulação de todos quantos quiserem sair", explicou, acrescentando não haver ainda uma previsão sobre quanto tempo demorará a normalizar o trânsito após a saída de Francisco.
A GNR, que no sábado terá em Fátima um dispositivo de cerca de 2.000 militares, apelou ainda a que as pessoas estacionem "nas 50 bolsas de estacionamento" existentes na cidade e que se dirijam "com antecedência para o recinto para facilitar as revistas e medidas de segurança" à entrada do recinto.
Carlos Canatário reiterou ainda que haverá percursos alternativos relativamente às vias cortadas ou condicionadas pela visita do Papa e que todas as informações poderão ser consultadas numa aplicação disponível na página da Câmara de Ourém.
No que respeita à Proteção Civil, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, disse à Lusa contar com "um dispositivo de 300 operacionais que já está completamente implementado no terreno".
De acordo com o mesmo responsável, "cerca de 70%" dos meios são bombeiros", mas o efetivo inclui também "elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Cruz Vermelha, Escoteiros, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e outros oficiais".
Este responsável considerou estar tudo preparado para responder ao elevado número de peregrinos esperado no recinto e na cidade, sobretudo "a partir do final do dia de hoje, para garantirem os seus lugares".
David Lobato alertou para a necessidade de as pessoas se prepararem para as condições meteorológicas, hidratando-se, usando chapéu e protetor solar, e evitando a exposição solar prolongada.
Lembrou que se as autoridades barrarem a entrada no Santuário, por se encontrar esgotada a sua capacidade, estão criadas condições para as pessoas assistirem em ecrãs gigantes colocados no exterior.
O Papa Francisco é esperado no Santuário de Fátima na manhã de sábado, para uma visita de cerca de duas horas, à margem do programa oficial da sua deslocação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que encerra no domingo, em Lisboa.
Francisco viaja de Lisboa para Fátima num helicóptero da Força Aérea Portuguesa, estando a chegada prevista para as 08:50, regressando à capital às 11:00.
Esta é a segunda vez que Francisco visita o Santuário de Fátima, onde esteve em maio de 2017, para as comemorações do centenário das "aparições" e a canonização de Jacinta e Francisco Marto.
Papa Francisco: "Temos de assumir o risco de amar"
E recordando a vida de Jesus, frisou: "Caminhou curando os doentes, atendendo aos pobres, fazendo justiça. Caminhou, pregando e ensinando-nos”
“Mas o caminho que está gravado nos nossos corações é o caminho do calvário, o caminho da Cruz”, continuou apelando a que os presentes caminhem e orem consigo, para “renovar o caminho da Cruz” e fazendo referência a um dos símbolos da JMJ: a Cruz.
Nas palavras de Papa Francisco, o “amor” foi o que guiou o caminho, o calvário.
“Vale a pena correr esse risco”, disse aos peregrinos. “Vamos fazer este caminho”.
Comércio em Fátima com procura superior à do ano do centenário
"O ano do centenário foi muito bom, mas este está a superar as expectativas, não estávamos à espera de tanto. A semana passada já foi muito boa na pré-jornada", garantiu Rita Marto, uma das lojistas.
O Papa Francisco, que está em Lisboa desde quarta-feira -- parte no domingo -, viaja no sábado de manhã para Fátima, onde tem uma visita prevista de duas horas.
Todos os anos, Rita Marto acaba por "ajudar um pouquinho" os seus pais nas vendas da banca, durante o mês de agosto, e, embora goste "de fazer negócio", foi com alguma emoção que destacou o ambiente que tem rodeado o Santuário de Fátima nos últimos dias.
"Ver estes jovens, a alegria e a união, ver isto diariamente, é fantástico. Tem sido muito bom a todos os níveis: ao nível do negócio, organização no geral, limpezas, trânsito e polícias", referiu.
Os jovens chegam em grupo de vários pontos do mundo e acabam por levar "pulseiras, terços da jornada e porta-chaves".
"São as coisinhas pequeninas, que são fáceis de transportar e não se partem e ainda trocam entre eles, o que é muito bonito", apontou.
Os jovens procuram especialmente "medalhas e pulseiras com a imagem da Nossa Senhora de Fátima" para levarem de recordação.
"Compram mais santos, especialmente a Nossa Senhora de Fátima. Nem é velas, para a parte das promessas, é mesmo a Nossa Senhora de Fátima", contou Carolina Oliveira, uma estudante que trabalha nas férias e fins de semana numa banca junto ao Santuário.
"A última semana tem sido muito diferente do habitual, com muitas pessoas de vários países, e vamos tendo melhor negócio. Vê-se muita diferença desta semana para as anteriores, tem muito mais gente mesmo do que o normal", descreveu.
Com um verão que "estava a ser muito fraco", em que as vendas eram bem menores do que em 2022, a semana da Jornada Mundial da Juventude veio ultrapassar expectativas.
"É muito melhor do que em 2017, em que foi só um dia ou outro. É bastante melhor. Como é a Jornada Mundial, foi a semana inteira a trabalhar", sustentou.
A poucos metros, Raquel Gouveia também não tem mãos a medir para atender os jovens que vão passando em grupo.
"O verão começou um bocadinho mais fraco, mas tem aumentado bastante e é uma alegria receber esta juventude. Acho que nunca houve um evento como este cá em Portugal, deveria repetir-se várias vezes durante o ano: era bom para a economia portuguesa", disse.
Também a lojista Felisbela Brás garantiu que as "pequenas lembrancinhas" são as mais levadas pelos jovens.
"Levam muitas, porque eles são muitos. Esteve mau. Nos meses de junho e julho nem parecia verão, mas agora temos a recompensa", concluiu.
Papa está no altar-palco para a Via-Sacra
Papa já está no Parque Eduardo VII
Pessoas não inscritas têm de entrar no Parque Tejo por Loures
Rui Alves Cardoso - RTP
Pedro Moura explicou que as pessoas não inscritas vão entrar pelas portas situadas no 'setor D'.
Quinhentas mil pessoas esperadas em Fátima para receber Francisco
Segundo o autarca, quer o Santuário de Fátima, quer a GNR, apontam para esse número.
"Não sabemos se irá ser ultrapassado ou não. A expectativa é essa. Vamos aguardar para ver se se confirmam esses valores ou se ainda são aumentados, porque, menos do que isso, acho que vai ser difícil", frisou Luís Albuquerque, em declarações à agência Lusa.
No início de julho, a Câmara de Ourém, no distrito de Santarém, anunciou a criação de novos parques de estacionamento e de acampamento, a instalação de bebedouros e o reforço da recolha de resíduos por causa da JMJ.
"Está tudo a correr dentro daquilo que tínhamos perspetivado", garantiu Luís Albuquerque, explicando que existem "diversos piquetes em permanência em Fátima".
O planeamento para criar as condições de acolhimento dos peregrinos da JMJ começou em agosto de 2022, com um grupo restrito de entidades (Câmara, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Guarda Nacional Republicana, Junta de Freguesia de Fátima, Santuário de Fátima e Associação Empresarial Ourém/Fátima).
O grupo alargado inclui, além destas entidades, as empresas BeWater, Tejo Ambiente, Suma, operadoras de telecomunicações, Rodoviária, Infraestruturas de Portugal, CP, E-Redes, Valorlis, Águas do Centro Litoral e Brisa.
Em julho, o autarca tinha estimado 200 mil pessoas diariamente em Fátima no âmbito da JMJ (número que aumentaria no sábado, com a deslocação do Papa).
"Houve dias em que isso aconteceu, mas não foram os dias todos", referiu hoje à Lusa, explicando que os grupos que se deslocam de autocarro "estão pouco tempo em cada local, rodam muito".
"Isso facilita muito toda a operação logística", sublinhou.
Luís Albuquerque mostrou-se convencido de que a visita de Francisco a Fátima, onde rezará pela paz e pelo fim da guerra na Ucrânia e recitará o terço, atrairá mais pessoas à Cova da Iria.
"Irá trazer mais pessoas a Fátima não só nesta altura, mas também nos próximos anos, porque a ida de Sua Santidade a qualquer lugar reflete-se não só no próprio dia, ou nos próprios dias, mas também nos dias e nos anos seguintes", sublinhou.
A operação instalada em Ourém "está montada até ao dia 15 de agosto a prever já este maior afluxo de pessoas" nos próximos dias, acrescentou.
Governo apela ao respeito pelos Direitos Humanos após invasão de eucaristia com comunidade LGBTI+
“Tendo em conta que infelizmente não se tratou de um episódio único nesta Jornada Mundial da Juventude - que convoca todas as pessoas para um desígnio comum no combate ao discurso de ódio e à violência contra todas as pessoas -, torna-se importante recordar que as pessoas LGBTI+ são dos grupos de pessoas mais estigmatizadas e alvo de episódios de violência, com base na orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais (OIEC), tal como dá conta, designadamente, a agenda mediática”.
A secretária de Estado apela, por isso, à “consciencialização social” e sublinha ser “imprescindível nesta fase garantir que todas as pessoas possam viver em segurança e liberdade”.
PSP alerta para cortes no trânsito sábado devido aos peregrinos que vão para Parque Tejo
"Foram previstos fluxos pedonais para o acesso dos peregrinos ao recinto. Esses fluxos pedonais têm a ver com a localização dos parques de estacionamento que foram definidos para os autocarros dos peregrinos que vão assistir às cerimónias no sábado e domingo", explicou o diretor do departamento de operações da Polícia de Segurança Pública, Pedro Moura.
Na conferência de imprensa diária sobre a operação de segurança da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que hoje cumpre o quarto dia, Pedro Moura afirmou que "todos os arruamentos vão ser devidamente policiados, a maioria deles estará cortado ao trânsito e será exclusivamente para os peregrinos andarem a pé".
Segundo aquele responsável da PSP, as ruas que vão estar com "fortes condicionamentos ao trânsito" e encerradas vão desde Santa Apolónia, Segunda Circular, Rotunda do Relógio, Encarnação, Moscavide, Sacavém e Santa Iria.
Pedro Moura especificou que todas estas ruas são aquelas que os peregrinos vão percorrer a pé na caminhada para o Parque Tejo, onde sábado à noite vai decorrer a vigília com os jovens e, no domingo de manhã, será celebrada uma missa, presididos pelo Papa.
O oficial da PSP aconselhou os peregrinos que estão em locais de acolhimento em Lisboa a utilizarem transportes públicos até à Gare do Oriente e deste local partirem a pé para o Parque Tejo.
"É por este meio que esperamos que devem chegar a maior parte dos peregrinos. Outro grande grupo são aqueles que vêm de autocarros, existindo parques de estacionamento reservados para esse efeito, que estão sinalizados e vão ter voluntários para os encaminhar para o Parque Tejo", disse.
Pedro Moura deu também conta que há um parque de estacionamento com capacidade para 1000 autocarros em Loures.
Na conferência de imprensa, Pedro Moura fez ainda um balanço positivo da operação de segurança da JMJ e da visita do Papa Francisco a Portugal, destacando o facto de ainda não ter ocorrido incidentes.
Lisboa está a ser palco da Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Francisco e que, até domingo, reúne milhares de peregrinos de todo o mundo.
Departamento de Acolhimento e Pastoral da Juventude tem realizado várias iniciativas
Paulo Cunha - Lusa
GNR prevê que lotação do Santuário de Fátima seja ultrapassada no sábado
Na conferência de imprensa diária sobre a operação de segurança da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a porta-voz da GNR Mafalda Almeida disse que o dispositivo de segurança em Fátima foi reforçado porque, "além dos peregrinos inscritos e não inscritos", é expectável que haja mais cidadãos do norte do país a querer ver o Papa e a deslocar-se às celebrações de sábado.
"Prevemos que a lotação do santuário seja total, ou seja, que a quantidade de visitantes e peregrinos no Santuário de Fátima exceda até a lotação e que, nas imediações, se possam juntar todos os peregrinos, que ainda temos muito espaço para isso", afirmou.
Mafalda Almeida disse ser expectável que, hoje à noite, na procissão das velas, "muitos peregrinos se mantenham no santuário para garantir o lugar para os eventos de sábado", razão pela qual as revistas de segurança aos visitantes irão começar já esta noite.
"Todas as entradas no Santuário de Fátima terão revista obrigatória, pelo que é necessário ter atenção aos objetos proibidos dentro do santuário. (...) Cheguem atempadamente para cumprir com estas medidas de segurança e para que se possa verificar o tipo de bagagem e de objetos que trazem convosco", pediu.
No que se refere à circulação rodoviária, a porta-voz da GNR avisou que se espera "uma grande afluência nos principais acessos para Fátima, sobretudo na A1, na EN356, EN357 e no IC9, tanto de norte como de sul". Em Fátima, a porta-voz explicou que haverá condicionamentos rodoviários, com a circulação cortada à volta do santuário.
Nesse âmbito, Mafalda Almeida aconselhou as pessoas a deixarem os carros nos cerca de 50 parques de estacionamento previstos pelas forças de segurança, salientando que haverá uma rede de transferes que passarão por alguns desses parques e conduzirão os visitantes até ao santuário e Cova da Iria.
A lotação de qualquer um desses parques de estacionamento poderá ser verificada através de uma aplicação para telemóvel intitulada "Fátima 2023 - JMJ", acrescentou.
A porta-voz da GNR apelou a que não se faça "a largada de passageiros em locais mais próximos do Santuário" - com exceção para as pessoas com mobilidade reduzida - e aconselhou a que se utilizem "transportes devidamente credenciados", como táxis, TVDE ou transportes públicos, advertindo que há "muita oferta de transportes que podem colocar em risco a segurança dos peregrinos".
Mafalda Almeida disse ainda que a GNR irá ter dois postos móveis de apoio ao peregrino em Fátima, para ajudar as pessoas que se percam dos seus grupos, e que terão o apoio de "forças congéneres em várias línguas para ajudar os cidadãos estrangeiros".
Antecipando temperaturas altas este sábado, a porta-voz referiu que a GNR vai reforçar o "seu dispositivo de prevenção e vigilância de incêndios", salientando que os fogos são uma das questões que "levanta preocupações".
"Gostaríamos que individualmente cada pessoa tivesse aqui algum bom senso e responsabilidade quanto à questão dos incêndios. Não se esqueçam que a segurança do santuário e de Fátima depende essencialmente da colaboração de todos", apelou.
Apelo à paz esperado em Fátima como na visita do Papa em 2017
Perante um mar de gente que enchia então o recinto do santuário, Francisco, logo na noite da chegada para a visita pastoral de menos de 24 horas, fez apelos à "paz e concórdia entre os povos", pedindo a "Nossa Senhora, que, no mais íntimo do Seu imaculado coração", veja "as dores da família humana que geme e chora neste vale de lágrimas".
"Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos", disse Francisco, na oração proferida na noite de 12 de maio, após um momento de recolhimento frente à imagem da Virgem de Fátima.
As preocupações com a guerra também deverão marcar a intervenção de Francisco na Capelinha das Aparições na manhã de sábado, em especial o conflito na Ucrânia.
Num texto publicado em julho, o diretor editorial dos media do Vaticano, Andrea Tornielli, considerou que a ida do Papa a Fátima está ligada "à tragédia da guerra que atormenta a `martirizada Ucrânia`".
Aquele responsável sublinhou que o gesto de Francisco "pode ser ligado diretamente a outro que ele realizou, pouco mais de um mês após o início da guerra: a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, realizada em São Pedro, em 25 de março de 2022".
"A consagração da Rússia, aliás, foi pedida pela aparição na mensagem aos pastorinhos de Fátima. Há 16 meses, Francisco rezou assim: `Perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões que morreram nas guerras mundiais. Desconsideramos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a trair os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens", recordou Tornielli no texto divulgado no portal Vatican News.
Há seis anos, e estando em Fátima, exortou os cristãos a serem, antes de mais, "marianos".
"Com Cristo e Maria permaneçamos em Deus", afirmou.
Já na homília de dia 13 de maio, Francisco apontou os dois novos santos -- Jacinta e Francisco Marto - como "um exemplo", considerando que "a força para superarem contrariedades e sofrimentos lhes foi dada pela Virgem Maria, presença constante nas suas vidas".
O Papa Francisco é esperado no Santuário de Fátima na manhã de sábado, para uma visita de cerca de duas horas, à margem do programa oficial da sua deslocação para a Jornada Mundial da Juventude, que encerra no domingo, em Lisboa.
Francisco viaja de Lisboa para Fátima num helicóptero da Força Aérea Portuguesa, estando a chegada prevista para as 08:50, regressando à capital às 11:00.
Aborto e eutanásia foram temas abordados no almoço do Papa com jovens
"Alguns jovens do grupo trouxeram dúvidas sobre o aborto e a eutanásia. Falámos também sobre os mais idosos, e a importância que cada um tem para Deus e para a Igreja", contou o brasileiro Pedro de Carvalho, de 24 anos, que classificou o encontro com Francisco como "um momento simples, comovente e intenso"
O jovem brasileiro contou que, a determinada altura, quando questionado sobre a cultura do descarte, tema que já abordou nesta visita, o Papa perguntou "a cada um se sentia ser descartável".
"Depois, o Papa deu a resposta dizendo que é importante saber que todos somos preciosos e importantes", afirmou Pedro Carvalho, um dos 10 jovens que almoçaram hoje com Francisco na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
O brasileiro disse ter ficado sensibilizado com o "sentido de caridade comunitária do Papa" e com o pedido que fez para que os "jovens não sintam a dor dos outros à distância, e partam ao encontro dos que mais precisam".
Sebastião Ribeiro, de 28 anos, um dos três portugueses que marcaram presença no encontro, garantiu ter ficado impressionado com a "capacidade de escutar" do Papa.
"O Papa ouviu-nos muito, com olhar muito atento. Isto é um sinal claro de uma Igreja que está aberta a ouvir e a escutar. Uma Igreja que tem uma proposta de vida e está disponível para acolher".
Sebastião Ribeiro mostrou-se convicto de que "o Papa está presente e ciente do que acontece com a juventude, num claro sinal de esperança e proximidade", e garantiu ter ficado sensibilizado com uma frase de Francisco: "A fé pode ser impopular, mas é coerente".
A simplicidade foi o que mais marcou Joana Andrade, de 24 anos, que explicou que, no encontro com jovens dos cinco continentes, um dos temas abordados foi o "encontro de gerações".
A importância de ouvir os mais pequenos, de os jovens concretizarem os seus sonhos e de se fazerem presentes na vida dos mais velhos, afirmou a jovem, que integra o Comité Organizador Local (COL).
Magdalena Mayie, da Guiné Equatorial, descreveu o encontro com Francisco como "uma experiência inesquecível", e assumiu ter saído com a sensação de que o mundo e seu país precisam dela.
"Não podemos generalizar a missão dos jovens, porque cada país é um mundo, e tem necessidades próprias. Cada um deve ajudar à sua maneira, à sua medida", afirmou, acrescentando: "Os problemas de África não são os mesmos dos jovens da Europa".
A ementa do almoço de Francisco com jovens de oito nacionalidades e com idades entre os 17 e os 28 anos, foi composto por: massa com molho de tomate, carne com legumes, manga, semifrio e café colombiano.
Presidente da República está no Parque Eduardo VII
Marcelo Rebelo de Sousa revelou ainda que o papa lhe disse em privado o mesmo que diz em público em relação a haver espaço para todos na Igreja, mensagem que tem especial valor numa “democracia como a portuguesa”.
Capelinha com adaptações para receber Papa em Fátima
Segundo informação disponibilizada na sua página a Internet, trata-se de adaptações ligeiras e específicas, "com elementos provisórios, mas com o objetivo de poderem ser reaproveitados no futuro", explicou o arquiteto Eusébio Calvário.
Entre as adaptações, consta a instalação de uma rampa na frente da Capelinha, desde o local onde o papamóvel vai deixar Francisco até ao presbitério, e a colocação de duas cadeiras - uma que vai utilizar para a oração em silêncio que fará à chegada ao local e que é a mesma usada na anterior visita do Papa, em 2017, com ligeiras alterações, e outra cadeira, feita para esta ocasião, e que será utilizada quando dirigir uma mensagem aos peregrinos, no final do terço.
A colocação de um estrado para nivelar a zona do presbitério, a substituição da cruz de ferro existente à direita da cadeira da presidência por uma cruz de prata, a substituição dos bancos corridos por cadeiras e a criação de uma zona aberta destinada a acolher as cadeiras de rodas utilizadas pelos jovens portadores de deficiência que vão estar com o Papa, foram outras das adaptações operadas.
Com as alterações provisórias, a lotação no espaço abrangido pela cobertura da Capelinha das Aparições será de 252 lugares, dos quais 46 para cadeiras de rodas.
O Papa vai ser acompanhado por 112 jovens, uns portadores de deficiência e outros reclusos que, "pela sua situação, não podem participar na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa", segundo a informação do santuário.
Jovens de diferentes países vão rezar terço com Papa no Santuário de Fátima
O Santuário de Fátima indicou que integram o grupo de jovens deficientes apoiados pelo Centro de Apoio a Deficientes João Paulo II (JPII), pelo Centro de Reabilitação e Integração de Fátima (CRIF), pela Casa do Bom Samaritano (CBS) e pelos Silenciosos Operários da Cruz (SOC).
Além destes jovens com deficientes, vão juntar-se nesta oração seis reclusos da prisão-escola de Leiria e dois colaboradores do Santuário de Fátima. Filhos de dois funcionários do Santuário oferecerão flores ao pontífice.
A celebração será animada pelo Coro do Santuário de Fátima, com o Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima e alunos do Colégio de São Miguel -- Fátima e funcionários e elementos do Serviço de Música Sacra do Santuário.
O Papa Francisco é esperado no Santuário de Fátima na manhã de sábado, para uma visita de cerca de duas horas, à margem do programa oficial da sua deslocação para a Jornada Mundial da Juventude, que encerra no domingo, em Lisboa.
Francisco viaja de Lisboa para Fátima num helicóptero da Força Aérea Portuguesa, estando a chegada prevista para as 08:50, regressando à capital às 11:00.
Num texto publicado em julho, o diretor editorial dos media do Vaticano, Andrea Tornielli, considerou que a ida do Papa a Fátima está ligada "à tragédia da guerra que atormenta a `martirizada Ucrânia`".
Aquele responsável sublinhou que o gesto de Francisco "pode ser ligado diretamente a outro que ele realizou, pouco mais de um mês após o início da guerra: a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, realizada em São Pedro, em 25 de março de 2022".
"A consagração da Rússia, aliás, foi pedida pela aparição na mensagem aos pastorinhos de Fátima. Há 16 meses, Francisco rezou assim: `Perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões que morreram nas guerras mundiais. Desconsideramos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a trair os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens", recordou Tornielli no texto divulgado no portal Vatican News.
Esta é a segunda vez que Francisco visita o Santuário de Fátima, onde esteve em maio de 2017, para as comemorações do centenário das "aparições" e a canonização de Jacinta e Francisco Marto.
JMJ. 120 peregrinos do Equador chegaram a Amarante
JMJ. Acessos em Lisboa voltam a estar fortemente condicionados
Entre 10 e 15 mil pessoas confessaram-se a 825 padres por dia no Parque do Perdão
Em conferência de imprensa, Rita Amaral, da direção Pastoral e Eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), adiantou que, no final desta iniciativa, que hoje termina às 16:00, a organização pretende entregar um confessionário a cada um dos três estabelecimentos prisionais que os construíram -- Coimbra, Paços de Ferreira e Porto.
Os restantes, disse, serão disponibilizados "às paróquias de Portugal que estiverem interessadas".
Papa volta a ter discurso de inclusão para com a comunidade LGBT
Parque Tejo recebe amanhã a vigília
Via Sacra. Vítimas de abusos sexuais recordadas numa das 14 estações
GNR dá conselhos a quem vai ver o papa a Fátima
Via-sacra é ponto alto do quarto dia da Jornada Mundial da Juventude
Papa almoça com jovens na Nunciatura
Papa confessou três jovens no "Parque do Perdão"
Papa quebra protocolo para benzer crianças
Foto: Vatican Media/Handout via Reuters
Sentimentos fortes vividos na Bairro da Liberdade
Papa esteve nos bairro da Serafina e Liberdade
Foto: António Pedro Santos - Lusa
O papa diz que vem como peregrino. mas fará a viagem no papamóvel e vai ocupar o lugar do bispo de Roma, no altar palco, ao cimo da chamada "Colina do Encontro".
JMJ. Transportadas para hospitais 87 pessoas das 719 assistidas na quinta-feira
Segundo dados divulgados pelo Sistema de Segurança Interna (SSI), referentes ao terceiro dia da JMJ, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) responderam a 794 ocorrências.
No total, o INEM e a ANEPC empenharam, na quinta-feira, 481 operacionais e 221 meios.
Desde o dia 01 de agosto, quando começou a JMJ em Lisboa, o INEM e a Proteção Civil prestaram assistência a 1.374 peregrinos, 111 dos quais foram transportados para unidades hospitalares, num total de 1.475 ocorrências.
Lisboa está a ser palco da Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Francisco e que, até domingo, reúne milhares de peregrinos de todo o mundo.
Papa visitou Centro Social e Paroquial de São Vicente de Paulo
Foto: Ana Serapicos - RTP
O cónego Francisco Crespo, que trabalha na Serafina há mais de 40 anos, diz que as críticas dos moradores fazem sentido. Presentes no bairro estiveram a ministra adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, e o autarca de Lisboa. Carlos Moedas deixou uma garantia.
Jovens que chegaram antes da hora retirados do recinto por falta de revista
Entre os jovens estavam Madalena, Leonor e Clara, que contaram à Lusa que fizeram questão de chegar muito cedo à "Colina do Encontro" (parque Eduardo VII) depois da desilusão que tiveram na terça-feira de não conseguirem ver o líder da Igreja Católica no encontro com milhares de jovens peregrinos vindos de todo o mundo, porque já não conseguiram entrar no recinto.
O calor que já se faz sentir não as demoveu do desejo de verem o Papa: "Estamos preparadas! Temos chapéu, muita água e comida", disseram as jovens peregrinas quase em uníssono à agência Lusa, destacando o ambiente de alegria e de amizade que se vive no maior evento da Igreja Católica.
Uma voluntária explicou à Lusa que os jovens tiveram de sair porque não foram revistados pela polícia, condição obrigatória para entrar no recinto para acompanhar a Via Sacra, além de que o recinto só abre às 14:00.
Por outro lado, para entrar no Parque Eduardo VII, os peregrinos têm de se dirigir para os setores indicados nas respetivas credenciais. Os setores têm as letras A, B e C com as devidas cores, que correspondem à cor e a letra que está nas credencias dos peregrinos.
Por todo o recinto, veem-se agora apenas voluntários, jornalistas, elementos da PSP, do INEM e cantoneiros que limpam as zonas verdes que mais tarde ficarão repletas de jovens para participar na Via Sacra, que decorrerá ao longo de cerca de 90 minutos, em que o Papa estará no palco, acompanhando o desenrolar da celebração como os restantes peregrinos.
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa até domingo para a JMJ, considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, e que conta com a presença do Papa Francisco.
Papa Francisco diz que transexuais "são filhos de Deus"
Numa entrevista à publicação espanhola Vida Nueva Digital, conduzida antes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mas só hoje divulgada, o Papa Francisco referiu que lhe "atiram à cara" que recebe transexuais nas audiências gerais.
O líder da Igreja Católica disse que quem costuma levar transexuais às audiências é uma monja francesa que pertence à fraternidade das Irmãzinhas de Jesus, fundadas por Charles de Foucauld, que vive num circo e se dedica aos transexuais.
"Da primeira vez que as trouxe, as raparigas saíram a chorar. Deram-me a mão e disseram: `Dei a mão ao Papa e deu-me um beijo`. Vocês são filhas de Deus: (...) continua a amar-vos como são", afirmou o Papa.
Nesta entrevista, o Papa Francisco considerou também que a Igreja não está preparada para um Concílio Vaticano III, acrescentando que também não é "necessário neste momento, uma vez que ainda não está em marcha o Concílio Vaticano II".
"Este foi muito arriscado e há que pô-lo em marcha. Mas existe sempre o receio, que nos contagiou a todos, de forma velada, por parte dos `velhos católicos` que, já no Vaticano I, se designavam como `depositários da verdadeira fé`. (...) É importante sair ao encontro dos sofismas", disse.
Sobre a guerra na Ucrânia, o Papa afirmou que o seu enviado especial ao conflito, o cardeal Matteo Zuppi, foi a Kiev, onde "persiste a ideia da vitória sem optar pela mediação".
"Também esteve em Moscovo, onde encontrou uma atitude que podíamos qualificar como diplomática por parte da Rússia. O avanço mais significativo que se alcançou tem a ver com o regresso das crianças ucranianas ao seu país", sublinhou.
O Papa referiu que o Vaticano está a fazer "tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir que cada parente que reclame o regresso dos seus filhos o consiga".
"Para tal, estou a pensar em designar um representante permanente que sirva de ponte entre as autoridades russas e ucranianas. Para mim, no meio da dor da guerra, é um grande passo", referiu.
O representante máximo da Igreja acrescentou ainda que, após a visita do cardeal Zuppi a Washington, a sua próxima escala prevista é em Pequim, salientando que os Estados Unidos e a China têm "a chave para baixar a tensão do conflito".
"Todas estas iniciativas são o que eu denomino como uma `ofensiva de paz`", disse.
"Ambiente extraordinário" no encontro dos líderes religiosos com o papa
O padre Peter Stilwell afirmou, por sua vez, que a principal ideia transmitida por Francisco foi “que as religiões contribuem para a fraternidade universal”.
Papa transmitiu a líderes religiosos que "somos todos humanos"
Já o representante da Igreja Mormon disse que o papa “falou sobre a irmandade entre nós e ajudarmos os jovens a romper o véu para conhecimento da transcendência”, transmitindo anda que “devemos todos fazer este trabalho em diálogo, em fraternidade e amor entre uns e outros”.
O presidente da Comissão de Liberdade Religiosa também esteve no encontro e considerou as palavras do papa “bastante simples, mas profundas”.
“Chamou sobretudo à atenção para a igualdade entre os homens”, que “nós procuramos manter através da liberdade religiosa e também dos encontros entre as várias religiões”, declarou.
Papa esteve com representantes de cinco religiões
“[O encontro] foi um gesto de simpatia do papa, de apoio ao trabalho que o KAICIID tem vindo a desenvolver, e portanto estamos com o papa e o papa está connosco. Foi isso que sentimos neste encontro”, disse António de Almeida-Ribeiro.
Depois da deslocação até à Serafina, Francisco volta à Nunciatura
Na Serafina, o papa enuncia: "Fazer o bem juntos, agir no concreto e estar mais próximo dos mais necessitados"
Francisco agradeceu aos responsáveis do Centro Paroquial da Serafina e às outras instituições presentes o trabalho desenvolvido junto dos jovens.
“É bom estar juntos num contexto da Jornada Mundial da Juventude enquanto olhamos a virgem Maria que se levanta e vai ajudar. De facto, a caridade é a origem e a meta do caminho cristão”, realçou o papa.
O sumo pontífice da Igreja Católica destacou três aspetos do trabalho levado a cabo por várias instituições no bairro da Serafina: “Fazer o bem juntos, agir no concreto e estar mais próximo dos mais necessitados”.
Francisco recorda o apóstolo João, “que disse uma coisa muito importante: é preciso não se deixar definir pela doença, mas fazer dela parte viva do contributo que prestamos ao conjunto da comunidade”.
“É verdade, não nos devemos deixar definir pela enfermidade e pelos problemas. Porque nós não somos uma doença, não somos um problema. Cada um de nós é um dom, um dom único, com os seus limites, mas um dom. Um dom valioso e sagrado para Deus, para a comunidade cristã e para a comunidade humana”.
“Assim como somos enriqueçamos o conjunto e deixemo-nos enriquecer pelo conjunto”.
Francisco recordou também João XXII, que considerava que “a Igreja "não é um museu de arqueologia. Alguns pensam assim, mas não é assim. É um antigo fontanário da aldeia que dá água às gerações de hoje, como deu às do passado".
“O fontanário serve para matar a sede das pessoas que caminham com o peso da viagem da vida, isto é concreto”.
O papa elogiou ainda “as virtudes típicas do povo português”.
Francisco acrescentou que teria "muito mais para dizer". "Mas os meus óculos não estão a funcionar. E não estou a ler muito bem”, admitiu, prometendo tornar público o discurso escrito que contava reproduzir.
"Este gesto enche-nos de grande alegria"
O discurso do sumo pontífice da Igreja Católica, no auditório do Bairro da Liberdade, foi antecedido de intervenções de representantes de associações sócio-caritativas, entre os quais o cónego Francisco Crespo.
"Este gesto enche-nos de grande alegria e anima-nos a fazer sempre mais e melhor por aqueles que precisam de apoio e do amor de Cristo", sublinhou o cónego.
Passagem pela igreja
O papa voltou a ser muito saudado pela população na despedida dos bairros da Serafina e Liberdade.
Francisco é efusivamente saudado pela população
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marca presença no encontro.
O papa ouviu três jovens em confissão
A comitiva papal segue agora para o bairro da Serafina, onde o sumo pontífice vai estar com representantes de centros de assistência sócio-caritativa.
Francisco avista-se com os peregrinos e ouve alguns em confissão
Convertido, por estes dias, em "Parque do Perdão", o jardim conta com uma pequena capela e 150 confessionários fabricados em materiais recicláveis por reclusos de Coimbra, Paços de Ferreira e Porto.
Francisco dirige-se ao Parque do Perdão, em Belém
Papa pretende visitar a Argentina e talvez o Uruguai e o Kosovo
"Posso confirmar que [a Argentina] está no programa. Veremos se vai realizar-se, depois do ano eleitoral (2024). Terminadas as eleições é possível", disse Jorge Bergoglio, sem precisar datas concretas, numa entrevista à revista espanhola Vida Nueva publicada hoje.
Nesta entrevista, o Papa Francisco revelou que está a ponderar nomear "um representante permanente" para "servir de ponte" entre a Rússia e a Ucrânia, ao mesmo tempo que anunciou que o seu enviado especial para mediar a guerra vai deslocar-se a Pequim, depois de já ter visitado Kiev, Moscovo e Washington.
Quanto às suas visitas, o chefe de Estado do Vaticano afirmou recentemente que tinha a intenção de se deslocar à Argentina e que gostaria igualmente de visitar o Uruguai.
"Nesta altura penso na Argentina (...) e talvez no Uruguai. Já houve algumas tentativas [de realizar a deslocação], mas as eleições [presidenciais argentinas] frustraram a visita", disse à publicação religiosa espanhola.
Questionado sobre a agenda de deslocações, além das viagens já anunciadas oficialmente, o Papa afirmou que gostaria de visitar o Kosovo.
O Papa Francisco, 86 anos, acrescentou que não pretende neste momento deslocar-se a países "grandes" na Europa até "terminar as visitas aos mais pequenos".
"Estamos a trabalhar na visita ao Kosovo, mas não está nada definido", disse.
Após a viagem que realiza neste momento a Lisboa, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, o Papa vai deslocar-se à Mongólia entre os dias 31 de agosto e 04 de setembro e vai participar em Marselha, França, nos Encontros do Mediterrâneo, entre os dias 22 e 23 de setembro.
Durante os Encontros do Mediterrâneo, em que participam autarcas e bispos do sul da Europa, o Papa Francisco deve reunir-se igualmente com o chefe de Estado francês Emmanuel Macron.
Força Aérea e Proteção Civil fazem testes de segurança no heliporto dos bombeiros de Fátima
Bairro da Serafina à espera do papa
Ao início da manhã, eram já muitas as pessoas à espera do papa.
Papa Francisco visita o bairro da Serafina
Lusa
Com diversas valências, apoiando desde crianças a idosos, o Centro Social Paroquial São Vicente de Paulo, no Bairro da Liberdade, foi construído gradualmente pelas mãos do cónego Francisco Crespo para responder às necessidades dos bairros da Liberdade e da Serafina, na freguesia de Campolide.
Peregrinos à porta da Nunciatura
Confissão e via-sacra vão ter o papa como protagonista
Pelas 9h45 Francisco vai avistar-se com representantes de centros de assistência sócio-caritativa, no Centro Paroquial da Serafina. Este Centro Social Paroquial São Vicente de Paulo, no Bairro da Liberdade, foi construído pelo cónego Francisco Crespo, visando responder às necessidades dos bairros da Liberdade e da Serafina, na freguesia de Campolide.Francisco estará esta quinta-feira num almoço com jovens na Nunciatura Apostólica, onde tem pernoitado desde a chegada a solo português.
Ao final da tarde, o sumo pontífice da Igreja Católica retorna ao Parque Eduardo VII, onde, na quinta-feira, teve o primeiro encontro oficial com os peregrinos, na cerimónia de acolhimento.
Francisco vai acompanhar como peregrino a via-sacra, que terá como tema a "vulnerabilidade e a fragilidade" com que todos se confrontam diariamente. Citado pela agência Lusa, o padre João Goulão, diretor do Centro Universitário Padre António Vieira, explica que nas 14 estações da via-sacra, que se prolongará por aproximadamente, 90 minutos, o papa vai estar no palco acompanhando o desenrolar da celebração como os demais peregrinos.
"A fragilidade e as feridas que todos atravessam", a "fragilidade da Igreja, a fragilidade da sociedade" serão temas em relevo.Para esta quinta-feira está marcada uma manifestação na Praça do Martim Moniz, em Lisboa, contra a realização da Jornada Mundial da Juventude e a Igreja Católica. O protesto é promovido por um movimento de cidadãos denominado "Sem Papas a Língua", que contesta os "elevados gastos públicos por parte do Estado e das autarquias com este acontecimento religioso".
Na quinta-feira, ao dirigir-se aos peregrinos a partir do palco montado no Parque Eduardo VII, o papa quis garantir que, na Igreja, “há espaço para todos” e que “ninguém pode ser excluído”. Apelou também a todos os jovens para que não tenham medo e sejam corajosos.
Encontro de Francisco com vítimas de abusos sexuais foi "profundamente difícil"
Foto: Marco Bertorello - EPA
Paula Margarido revelou ainda que o número de denúncias de vítimas de abusos sexuais na Igreja aumentou desde que a constituição das comissões diocesanas deixou de contemplar membros do clero.
"Desde abril e depois de se ter alterado a constituição de cada comissão diocesana, houve um aumento de denúncias", afirmou, ressalvando, porém, que ainda não são conhecidos esses números.