Juiz ouve mais arguidos após inquirição de Penedos
O Juízo de Instrução Criminal de Aveiro prossegue hoje as inquirições de arguidos do processo Face Oculta. Paulo Penedos, advogado de uma empresa de Manuel Godinho e filho do presidente da REN, deve conhecer as medidas de coacção. O pai, José Penedos, foi ouvido durante nove horas. À saída das instalações do DIAP, um dos seus advogados preconizou a duração do interrogatório.
À saída do DIAP de Aveiro, os jornalistas quiseram saber se a equipa de defesa de Penedos mantém a convicção da inocência do administrador. O advogado Galvão Teles abreviou a resposta: "Claro".
José Penedos é acusado de tráfico de influências e corrupção passiva. Juntamente com o filho, Paulo, e os demais arguidos do processo, é referido pelos investigadores como parte de uma "rede tentacular" alegadamente montada pelo empresário de Ovar Manuel Godinho, administrador de negócios de recolha e triagem de resíduos e sucatas com ligações contratuais a empresas de capitais públicos. Paulo Penedos, advogado da SCI - Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica S.A., está indiciado, segundo o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, pela prática de dois crimes de tráfico de influências. Esta sexta-feira, poderá ficar a saber as medidas de coacção.
O segundo arguido a ser hoje interrogado é António Paulo Costa, que chegou pelas 10h30 ao Juízo de Instrução Criminal de Aveiro. O quadro da Petróleos de Portugal (Galp) é suspeito de ter recebido, das mãos de Manuel Godinho, um automóvel de alta cilindrada para facilitar a concretização de negócios.
Treze arguidos interrogados em Aveiro
Desde o início das inquirições, a 30 de Outubro, o Juízo de Instrução Criminal ouviu 13 dos 15 arguidos no processo, incluindo António Paulo Costa. Nove já viram aplicadas as respectivas medidas de coacção. Cinco tiveram as suas funções profissionais suspensas - Manuel João Espadinha Guiomar, José Lopes Valentim e Carlos Vasconcellos, todos quadros da REFER - Rede Ferroviária Nacional, o chefe da Repartição de Finanças de São João da Madeira, Mário Pinho, e o administrador da EDP Imobiliária Paiva Nunes.
Paiva Nunes foi igualmente obrigado a suportar uma caução de 25 mil euros, à semelhança de Namércio Pereira da Cunha. Ao arguido Hugo Sá Godinho foi aplicada uma caução de 50 mil euros. José António Contradanças, vogal da administração da Indústria de Desmilitarização e Defesa, é por ora o único arguido com termo de identidade e residência, a medida de coacção mais leve. Por sua vez, Armando Vara, entre os arguidos do processo, foi ouvido na quarta-feira durante sete horas. A inquirição do antigo ministro socialista é retomada a 27 de Novembro.
O empresário Manuel Godinho, apontado como mentor do alegado esquema de corrupção, encontra-se em prisão preventiva desde 30 de Outubro. No aditamento a um requerimento submetido há uma semana ao juiz de instrução criminal, os seus advogados alegaram que "tem condições" para "estabilizar a sua saúde" em prisão domiciliária, de acordo com a agência Lusa. Com base em relatórios médicos, a defesa do empresário do Norte descreve um quadro cardiovascular "complicado" e "problemas graves" decorrentes da diabetes.
Pinto Monteiro promete decisão sobre escutas para sábado
O Procurador-Geral da República adiantava ontem que vai tomar já este sábado uma decisão sobre as escutas de conversas telefónicas entre Armando Vara e José Sócrates. Após uma cerimónia de homenagem póstuma ao juiz Artur Maurício, na Fundação Mário Soares, Pinto Monteiro resumiu: "Vou decidir sábado aquilo que me compete decidir".
Há uma semana, um comunicado com a chancela da Procuradoria-Geral da República prometia uma "decisão final", até ao fim desta semana, sobre cinco escutas obtidas na investigação do processo Face Oculta envolvendo o primeiro-ministro.
Ao todo, foram 11 as escutas que envolveram José Sócrates - seis foram declaradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, que decretou também a destruição de todos os suportes.