Leiria Capital Portuguesa da Cultura quer reagir a Kristin e ter efeitos pós-2028
A candidatura de Leiria a Capital Portuguesa da Cultura quer ser reação à tempestade Kristin e ter impacto para lá de 2028, anunciou hoje o município numa conferência do NEXXT Leiria.
Com o lema "Cuidar dos outros, de nós, da natureza", Leiria aposta num projeto com direção artística da gestora cultural Tânia Alves e consultoria externa do investigador, ensaísta e programador António Pinto Ribeiro.
A autarquia explicou, em comunicado, que pretende criar um "sistema cultural duradouro, capaz de fortalecer as relações entre criação artística, educação, comunidades e território".
Na linha da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 que Leiria empreendeu, o município tenta ser Capital Portuguesa com o foco na "diversidade de um ecossistema construído ao longo de décadas por artistas, associações, filarmónicas, escolas, equipamentos culturais e instituições".
"Mais do que criar uma nova realidade cultural ou concentrar a sua ambição na programação de um único ano", a estratégia é "reconhecer e fortalecer as relações existentes, estimular novas formas de colaboração e criar condições para que a cultura desempenhe um papel estruturante e continuado na vida do concelho".
Num concelho que conta com 11 filarmónicas, 20 ranchos folclóricos, sete grupos de teatro, 16 escolas de dança, 13 coros e 32 programadores culturais, investe-se para "aproveitar esta oportunidade para valorizar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, reforçar a nossa capacidade de criar e acolher projetos culturais e projetar Leiria a nível nacional", afirmou o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, citado no comunicado.
A experiência vivida após a tempestade Kristin foi "uma razão acrescida para refletir sobre o papel da cultura".
O lema "Cuidar dos outros, de nós, da natureza" concentra "uma ideia de cuidado entendida como prática continuada de atenção e responsabilidade perante as pessoas, as comunidades e o território".
"Em Leiria aprendemos que perante a adversidade podemos limitar-nos a reconstruir o que perdemos ou aproveitar essa experiência para conseguirmos imaginar novos caminhos - e novos caminhos juntos", frisou na manhã de hoje a vereadora da Educação e da Cultura, Anabela Graça, num dos painéis do NEXXT Leiria.
Já para a coordenadora da candidatura, "cuidar começa por prestar atenção às pessoas, aos lugares e às relações que dão vida a um território".
"Queremos construir um projeto artístico que reconheça essa diversidade, valorize a escuta e crie novas formas de participação e colaboração. A nossa ambição é transformar o cuidado num compromisso coletivo, capaz de gerar novas possibilidades para o futuro de Leiria", afirmou Tânia Alves.
Com a Capital Portuguesa da Cultura 2028, Leiria propõe-se a criar "um projeto que coloque a cultura no centro da forma como se pensa o nosso futuro", acrescentou Anabela Graça.
Mais do que construir equipamentos ou programar eventos, a ambição passar por "aproximar a cidade das freguesias e dos territórios rurais, cruzar património e criação contemporânea, reforçar a ligação entre cultura e educação e promover novas formas de participação e colaboração", para estabelecer "um sistema cultural mais próximo, cooperante e duradouro" para lá de 2028.
Anabela Graça vincou hoje que "2028 é um horizonte, não é um destino".
"O mais importante não é apenas o que acontecer em 2028, é aquilo que conseguirmos construir e que ficará para depois. Seremos com certeza uma candidatura vencedora, porque estamos a construir um território que é e vai ser mais capaz de cuidar dos outros, de nós e da natureza", concluiu a vereadora.
O município prevê entregar o dossiê do projeto em 03 de dezembro de 2026.