Líder de extrema-direita Mário Machado critica Ministério Público

O líder nacionalista Mário Machado, um dos 36 arguidos a serem julgados por discriminação racial, agressões e posse ilegal de armas, declarou em tribunal que “nunca se considerou racista”. Os juízes quiseram conhecer o pensamento do arguido.

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Mário Machado volta a depor quinta-feira, na terceira sessão do julgamento RTP

“A amplitude que foi dada às declarações do arguido neste processo não é comum nos tribunais portugueses”, reconheceu o juiz João Felgar. Contudo, “neste caso, dada a amplitude de referências ideológicas, a possibilidade de falar deve ser igualmente ampla”, acrescentou.

O líder dos Hammerskins, movimento de skinheads portugueses, explicou ao longo de mais de duas horas as suas principais convicções ideológicas.

Mário Machado disse ser “racialista”, porque defende o orgulho numa raça e “não impõe supremacia de uma raça sobre outra”, em detrimento do “racismo”, que aponta para “o ódio por outra raça”.

“Nunca me considerei racista. Não tenho qualquer ódio primário à raça negra, mas tenho orgulho em ser branco”, afirmou Mário Machado no Tribunal de Monsanto.

Após a distinção do orgulho nacionalista do racismo, Mário Machado referiu que nada o move contra os judeus, mas antes contra os que são sionistas. “Somos contra os judeus sionistas”, assim como há judeus que são contra os judeus-sionistas.

A dualidade de critérios do Ministério Público, quando são produzidas afirmações racistas em quadrantes políticos que não da extrema-direita, foi referida por Mário Machado para contestar a acusação. Parcialidade e dualidade de critérios foram invocadas pelo arguido, que contesta o facto de ser o único que se encontra detido.

Machado recordou que a declaração do presidente do Governo Regional da Madeira, dizendo que não queria chineses ou indianos no arquipélago, não teve qualquer seguimento judicial.

O arguido sustentou que “não há problemas que se resolvam com a violência”, mas reconheceu que a entrada no movimento com o intuito de praticar actos violentos constitui um problema.

Os simpatizantes do movimento skinhead de que é líder têm sido incentivados a colar cartazes e a promover conferências para “fazer o jogo da democracia”, no sentido de eleger Pinto Coelho para a Assembleia da República, pelo Partido Nacional Renovador.

Mário Machado explicou as dificuldades em controlar as expressões de ideias num fórum da Internet, onde foram publicados motes racistas. Também na Internet foi feito “um apelo às ramas em sentido figurado” através da frase “os activistas de rua deveriam levar os paus”. Uma “expressão infeliz”, admitiu o arguido.

Este recorreu às opiniões do comentador Pacheco Pereira e do bastonário da Ordem dos Advogados para sustentar a ideia de que o seu julgamento terá contornos políticos.

O colectivo de juízes deu margem ao arguido para que este explicasse ideias, comportamentos e esclarecesse situações relacionadas com mensagens divulgadas na Internet e com claques de futebol.

Apenas quatro dos 36 arguidos manifestaram intenção de depor.
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