Lisboa. EMEL sem data para reabrir estações de Santa Clara após 100 bicicletas vandalizadas

Em outubro do ano passado, a EMEL decretou o fecho de três estações da Gira na zona da Ameixoeira e na Alta de Lisboa. Até então repetiam-se avarias, reparações e queixas à PSP, levando a empresa a uma "reavaliação" de como continuar o serviço na freguesia de Santa Clara.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Estação junto ao Parque Oeste, a norte de Lisboa | Gonçalo Costa Martins - Antena 1

A Câmara Municipal de Lisboa anunciou, no penúltimo dia de 2025 nas redes sociais, a presença da Gira nas 24 freguesias como um dos “melhores momentos de 2025” na cidade. Abriu em Santa Clara e depois na Ajuda, mas no primeiro caso é como se não existissem - as quatro estações estão desativadas, entre elas uma nem chegou a abrir.

No dia 27 de fevereiro entrou em funcionamento na freguesia a primeira das estações das bicicletas partilhadas da Gira, junto ao metro da Ameixoeira, um dia que deixou feliz o jovem morador Miguel Diogo.

Em vez de ir de autocarro da Ameixoeira ao Lumiar, donde seguia de bicicleta até Alcântara, onde estagiava, a chegada da Gira permitiu que Miguel pedalasse desde a zona onde mora. Miguel Diogo utiliza regularmente a Gira para se deslocar em Lisboa

“Foi uma notícia que recebi com bastante felicidade, mas durou pouco tempo porque foi cerca de um mês até a estação ser desativada”, assinala num primeiro momento.

Quando a Antena 1 falou com Miguel junto à estação, as 31 docas estavam vazias. Apenas se mantém ligada uma luz vermelha ao lado das ranhuras, com a legenda “bicicleta ou doca indisponível” e, em alguns casos, com um grafiti por cima. Mas de noite só existem mesmo aquelas luzes, porque falta iluminação pública na estação. Nem mesmo a presença de um parque de estacionamento da EMEL com videovigilância à entrada parece afastar eventuais atos de vandalismo. Docas têm estado sem bicicletas há vários meses na zona da Ameixoeira

“Tento sempre alinhar a minha rota para conseguir utilizar a Gira”, conta, pois para Miguel “é um prazer enorme andar de bicicleta”.

A paixão fez com que ele quisesse perceber junto dos funcionários da EMEL com quem se cruza o porquê destas sucessivas paragens.

Dizem-lhe que “há pessoas que levam kits de ferramentas até às estações para desmontar a bicicleta da doca e levá-la consigo”, relata Miguel, mas também falam de bicicletas “deixadas ou atiradas” em lagos, morros e vales. 
Estação vazia com 31 docas junto ao metro da Ameixoeira EMEL regista pelo menos 12 atos de vandalismo
Aberta a primeira no final de fevereiro, as outras duas estações na freguesia de Santa Clara sofreram do mesmo mal: os episódios de vandalismo levaram a que fechassem e abrissem várias vezes, entre avarias e reparações.

Numa resposta escrita à Antena 1, a Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) revela que “foram registados pelo menos 12 atos de vandalismo em três estações entre os meses de abril e setembro de 2025, a que se soma à vandalização de mais de 100 bicicletas”.

Perante a situação, decidiu apresentar queixas formais à PSP, anexando “vídeos remetidos por residentes e utilizadores que testemunharam os incidentes”.

A empresa garante que foi reabrindo logo que possível as estações após cada intervenção, mas “a persistência e recorrência destes comportamentos na zona obriga a uma reavaliação dos moldes em que a operação se pode continuar a realizar”. Quatro estações não funcionam em Santa Clara | Captura da ecrã na app Gira às 5h46 de 9 de janeiro de 2025

Decidiu por isso em outubro fechar e sem calendário: “A EMEL mantém todo o interesse em reabrir estas estações, no entanto é sua obrigação assegurar a salvaguarda do interesse público, nomeadamente a segurança e sustentabilidade dos equipamentos, garantindo uma correta utilização pela comunidade, face ao contexto atual, não é ainda possível indicar, uma data concreta para a reabertura das estações.

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara conhece os episódios de vandalismo, de bicicletas “retiradas com bastante violência” das estações e uma posterior destruição.

" Naturalmente isso tem de ser condenado, não pode ser tolerado e aquilo que queremos é ter as condições de ter as docas e as bicicletas a funcionar”, diz Carlos Castro, a pensar não só nos residentes, mas em todas as pessoas que se queiram deslocar com a Gira na cidade.

Tal como a EMEL salientou à Antena 1 que está a “preparar um trabalho de proximidade com associações locais” para “incentivar condutas mais responsáveis” neste tema, também o autarca se mostra disponível nesse trabalho, até para que haja um “sentimento de pertença das próprias comunidades”. Estação junto ao metro da Ameixoeira fica ao lado de um parque de estacionamento da EMEL
Indisponibilidade trava utilizações regulares
A luz vermelha que existe na estação junto ao metro da Ameixoeira está apagada noutras docas, como as que existem a sul do Parque Oeste. Foi aqui que a Antena 1 se encontrou com Catarina Pereira, também residente em Santa Clara.

“Sempre foi uma esperança que chegasse à nossa freguesia”, afirma, ela que usa a bicicleta em viagens pontuais, ao contrário de Miguel.

“Comecei a planear usar mais no dia-a-dia", mas “infelizmente rapidamente foram desativadas”. Ao puxar pela memória, diz que se recorda de usar “umas três vezes”. Catarina Pereira gostaria de usar mais a Gira na zona onde vive

Catarina Pereira gostaria de ver a Gira a chegar a outras partes da freguesia, como a Charneca ou as Galinheiras, pois as quatro estações desativadas (três mais a que nunca abriu, na Rua João Amaral) ficam mais a sul, na Ameixoeira. 

Artigo atualizado às 14h07 para incluir a reportagem áudio do Portugal em Direto

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