Mais municípios abastecidos por autotanques
O número de municípios que recorrem a autotanques para abastecer os seus reservatórios devido à seca subiu de 43 para 56 na última quinzena de Agosto, revela o último relatório sobre a seca.
O relatório da Comissão para a Seca 2005 mostra que, apesar da ligeira diminuição da percentagem do território em seca extrema na última quinzena de Agosto (de 75 para 71 por cento, mantendo-se 29 por cento em situação de seca severa), aumentou o número de municípios que recorrem a autotanques.
A população afectada por esta situação subiu também, passando de 54.482 habitantes para 71.984.
Em 36 municípios verificaram-se reduções nos períodos de abastecimento que afectaram 98.875 pessoas.
Apesar de tudo, o relatório indica que a qualidade da água para consumo humano está garantida.
Apenas 16 autarquias referiram alguma diminuição da qualidade, estando a situação a ser acompanhada pelas entidades gestoras dos sistemas de abastecimento urbano, através do reforço das análises e tratamento da qualidade da água.
Cerca de 66 por cento dos concelhos desencadearam medidas de racionalização do uso da água, mas apenas 8,3 por cento calcularam a poupança que foi efectivamente atingida, indica um levantamento feito pelo Instituto Regulador de Águas e Resíduos.
Os principais problemas identificados pelos municípios prendem- se com o baixo nível de água nas origens subterrâneas (81 autarquias) e nas albufeiras (58 autarquias).
A sobre-exploração dos aquíferos está aliás a ser alvo de algumas medidas preventivas, como assinalou hoje o secretário de Estado, Humberto Rosa, na apresentação do relatório.
Os aquíferos com restrições situam-se em Aveiro, Beja e no Algarve (Querença-Silves).
Humberto Rosa salientou que "há sinais de intrusão salina" no aquífero Querença-Silves e que o seu actual ritmo de exploração se encontra a "um nível insustentável" o que obrigou a reforçar a fiscalização de furos ilegais.
Os volumes armazenados nas albufeiras também desceram na última quinzena de Agosto.
A bacia do Arade, por exemplo, está a 6,1 por cento da sua capacidade.
Apenas as bacias do Mira, Cavado, Lima, Douro, Mondego, Tejo e Guadiana ultrapassam os 50 por cento de volume de água armazenado.
O secretário de Estado do Ambiente notou, no entanto, que não se verificaram situações de ruptura eminente, nem conflitos de usos.
"Os bombeiros precisavam de combater os fogos e tinham água. A articulação entre as diversas entidades e o sentido de solidariedade têm dado resultado", frisou.