Especial
Debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027

Manifestantes detidos há uma semana em Lisboa conhecem decisão do MP

Manifestantes detidos há uma semana em Lisboa conhecem decisão do MP

Os 55 manifestantes pelo direito à habitação detidos há uma semana no Rossio, em Lisboa, vão comparecer hoje perante o Ministério Público para ficar a saber que rumo será dado ao processo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: José Sena Goulão - Lusa

As diligências decorrem a partir das 10:00 no Campus de Justiça de Lisboa e, segundo a Procuradoria-Geral da República, os arguidos poderão ter o processo suspenso provisoriamente, se assim concordarem, ou serem remetidos para julgamento em processo especial sumário.

Os manifestantes são suspeitos de desobediência, por alegadamente terem resistido quando, em 20 de outubro, a PSP retirou as tendas da Acampada de Lisboa da Praça D. Pedro IV, vulgarmente conhecida como Rossio.

O crime é punível nas suas várias modalidades com um máximo de dois anos de prisão ou de 240 dias de multa.

As acampadas pelo direito à habitação começaram em 10 de outubro, no Porto, e estenderam-se depois a Lisboa, tendo originado várias intervenções policiais com recurso à força, das quais resultaram dezenas de feridos e detidos.

Os manifestantes têm invocado o direito constitucional à manifestação para não acatar as ordens de remoção de tendas ou de dispersão dadas pela PSP, que, por sua vez, fundamenta a sua atuação num decreto-lei de 1974.

O movimento Acampada de Lisboa agendou para as 10:00 de hoje, no Campus de Justiça de Lisboa, uma vigília de apoio às 55 pessoas detidas há uma semana no Rossio e libertadas no mesmo dia.

Para o final da tarde, às 18:30, a plataforma Casa para Viver convocou uma concentração em frente à Assembleia da República em protesto pela "violência policial" contra as acampadas pela habitação de Lisboa e do Porto, na madrugada de domingo.

Neste dia em que começa a votação na generalidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027, o movimento pretende assim contestar a carga policial que, nas suas contas, fez "cerca de 60 feridos, alguns deles graves", e lembrar que "quem estava nas acampadas não cometeu crime nenhum -- estava a exercer um direito constitucional, o direito de manifestação, para defender outro direito constitucional, o direito à habitação".

Segundo a plataforma, "escolher a madrugada para lançar cães e carregar à bastonada sobre pessoas que se manifestavam pacificamente é uma decisão política", que "mostra que este Governo prefere reprimir quem denuncia a crise da habitação a resolver a própria crise".

A Acampada de Lisboa já se associou à iniciativa, apelando a que depois seja montada, junto ao parlamento, a sua habitual assembleia popular: "É Acampada no parlamento! Poder popular do Rossio a São Bento!".

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