MP requereu mais indícios de prova no caso dos manifestantes detidos no Porto
À porta do Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto, onde os detidos compareceram hoje por volta das 10h00, o advogado explicou que esta decisão significa que "não irá haver julgamento tão breve" e que não sabem se, "depois das diligências de prova, não poderá haver um arquivamento".
O advogado partilhou ainda que lhe parece que "se estão a misturar coisas", uma vez que as pessoas foram detidas pelo alegado crime de desobediência e que as diligências de prova "não têm a ver com isso", mas sem especificar o motivo que levou o tribunal a pedir que sejam recolhidas mais provas.
"Acho que nós temos que ter muito cuidado, temos que ter muito rigor e é aí que eu estou a falar (...). Quero que este processo seja um processo justo, equitativo e que seja um processo em que todos os olhos do país possam estar a acompanhar. Espero que o Ministério Público não peça segredo de justiça. Pedir segredo de justiça neste processo é silenciar o vosso trabalho", disse ainda aos jornalistas.
O advogado Ricardo Salazar falava hoje ao lado dos advogados Margarida Ferreira, Tiago Machado e Óscar Bártolo, que também representam os manifestantes que tinham sido detidos na madrugada de domingo.
(Com Lusa)
Moedas diz que ordens do tribunal são para cumprir
O Presidente da Câmara de Lisboa diz-se disponívell para conversar com os manifestantes.
Movimento rejeita convite de Pedro Duarte
O Movimento pela Habitação no Porto rejeita o convite feito pelo presidente da Câmara, para uma reunião que decorre esta terça-feira, na autarquia.
PSP multa por buzinar em apoio à manifestação
Em Lisboa, a noite de domingo contou com milhares de pessoas no Rossio.
Tribunal intima PSP a não repetir cargas policiais
O tribunal decidiu e protege os manifestantes pela habitação.
Chega diz que decisão do tribunal "promove ainda mais a anarquia e a confusão"
O Chega questionou hoje os fundamentos da decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa sobre as manifestações pela habitação e considerou que "promove ainda mais a anarquia e a confusão reinante" e "retira legitimidade" à polícia.
Em comunicado, a Direção Nacional do Chega manifesta "a sua discordância quanto aos fundamentos desta decisão e preocupação quanto às suas consequências", ainda que refira que, "num Estado de Direito democrático, as decisões dos tribunais são para cumprir", mesmo em desacordo com elas.
O Tribunal Administrativo de Lisboa considerou, no domingo, que o limite das 00:30 para manifestações não é "absoluto e automático", autorizando uma manifestante a permanecer de madrugada no Rossio, em Lisboa, com uma tenda.
O Chega contesta os fundamentos desta decisão "porque afastam regras normativas que estão explicitamente previstas na lei e que visam salvaguardar e preservar a ordem pública" e refere que, "com esta decisão, regras como a hora, a forma ou mesmo a extensão dos protestos passam a poder ser interpretados de acordo com cada grupo de manifestantes".
"Quanto às consequências, pior. Esta decisão desautoriza as forças da ordem e retira legitimidade aos que tentam conter a violência e a anarquia nos protestos", critica, alertando que "esta é uma decisão que promove ainda mais a anarquia e a confusão reinante".
O partido liderado por André Ventura defende que a Assembleia da República "deverá, com urgência, preparar e aprovar legislação clara para todos" e que "não deixe margem para dúvidas e que assegure todos os direitos e deveres fundamentais".
"O que aconteceu com tudo isto e agora reforçado com esta decisão - com responsabilidade partilhada de Governo, manifestantes - teve como resultado fazer dos polícias bodes expiatórios desta crise e isso é lamentável e inaceitável", refere ainda na nota enviada aos jornalistas.
Segundo a sentença do Tribunal Administrativo de Lisboa, a que a Lusa teve hoje acesso, o protesto poderá manter-se até 24 de novembro de 2026, data prevista para a votação final do Orçamento do Estado para 2027, incluindo entre as 00:30 e as 06:30, e terá de ser articulado com o Mercado de Natal programado para a Praça D. Pedro IV, vulgarmente designada de Rossio.
A manifestante tem, por sua vez, de não fazer barulho entre as 00:00 e as 06:30, não usar fogueiras ou materiais pirotécnicos e não pôr a causa a circulação e acesso ao Rossio e a salubridade do espaço.
Na decisão, o tribunal ordenou ainda à PSP e à Polícia Municipal de Lisboa que se abstenham de "adotar medidas de dispersão, cessação ou remoção do direito de manifestação" da cidadã em causa "caso o mesmo esteja a ser exercido nos moldes decretados".
A sentença resolve uma intimação para proteção de direitos, libertados e garantias intentada por uma manifestante, Renata Cambra, contra o Ministério da Administração Interna e o Município de Lisboa e, no processo, não foi apreciada "a legalidade de uma ocupação coletiva" do Rossio nem o reconhecimento de um direito geral de montar "tendas em espaço público por um número indeterminado de participantes".
A PSP tem invocado um decreto-lei de agosto de 1974, que estabelece as 00:30 como limite horário para concentrações, para dispersar à força as acampadas pelo direito à habitação que têm decorrido nas últimas três semanas na Praça D. João I, no Porto, e no Rossio.
Embora abstendo-se de analisar a legalidade das intervenções policiais, o tribunal lembra que o direito de manifestação está protegido pela Constituição de 1976, sustentando que "uma proibição geral aplicável a toda e qualquer manifestação após as 00:30" sem atender às características desta "dificilmente satisfaz as exigências do princípio de proporcionalidade".
Seguro diz que violência não faz parte da cultura do país
Na manhã desta segunda-feira, o Presidente da República lembrou que "o direito à manifestação é uma marca da liberdade e do regime democrático".
PS e PCP falam em "derrota estrondosa" para o Governo
"Situação individual e concreta". MAI reage à sentença proferida pelo Tribunal Administrativo de Lisboa
Acampada de Lisboa destaca vitória do direito à manifestação
"Depois de três intervenções policiais violentas, dezenas de pessoas feridas e várias detenções, esta decisão representa uma vitória da Acampada de Lisboa e do direito à manifestação".
"Não esquecemos a repressão policial, nem deixaremos de exigir responsabilidades. Esta vitória foi conquistada pela organização coletiva, pela solidariedade e pela resistência de quem não abandonou as ruas", acrescentou o grupo.
Segundo a Acampada, o tribunal confirmou "aquilo que sempre" defendeu: "a hora, por si só, não justifica a dispersão de uma manifestação, e as tendas são instrumentos de protesto, não campismo".
"A nossa luta nunca precisou da autorização de um tribunal para ser justa. A crise da habitação continua, as nossas reivindicações permanecem e nenhuma bastonada nos fará desistir", realçou.
Na nota, a Acampada agradece a Renata Cambra, que teve a iniciativa junto do Tribunal, e considera que "embora o processo tenha sido apresentado em nome individual, a vitória é coletiva".
"O seu alcance não se limita a quem o iniciou, mas estende-se a todas as pessoas que se organizam e acampam pelo direito à habitação", considerou.
A organização deixou ainda nota que hoje volta ao Rossio a partir das 19h30.
"Protesto tem todo o direito a acontecer nos moldes que tem acontecido", refere Renata Cambra
Ao abrigo da sentença, a que a RTP teve acesso, o protesto da manifestante poderá perdurar até 24 de novembro, a data da votação final da propota de Orçamento do Estado para 2027, incluindo o período entre as 0h30 e as 6h30, tendo, todavia, de ser articulado com o Mercado de Natal programado para a Praça D. Pedro IV.
Governo disponível para discutir propostas de habitação com o Livre "de forma séria"
"Para propostas do Livre, estamos sempre disponíveis para discutir. O Livre discute de forma séria, é verdade, e eu gosto de discutir de forma séria. Façamos esta discussão de forma séria. Vamos ver os números, sentemo-nos e vemos o que é que podemos fazer, como fizemos com o Fundo de Emergência Habitacional", afirmou, referindo-se a uma proposta do Livre de um orçamento anterior.
"Esta é a nossa forma de estar -- dela não fugimos e continuamos, com humildade, sempre disponíveis para toda a discussão", acrescentou, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para discutir na especialidade a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
A posição de Miguel Pinto Luz aconteceu depois de o deputado do Livre Jorge Pinto perguntar se o executivo está disponível para debater um conjunto de medidas, em relação às quais não se comprometeu a apoiar.
O parlamentar do Livre perguntou designadamente se o Governo está disponível para alterar a lei "para assegurar que o zonamento inclusivo é uma realidade e que todos os novos empreendimentos têm efetivamente uma percentagem mínima de habitação acessível, porque caso contrário a nova construção de pouco ou nada servirá".
O deputado perguntou igualmente se o executivo está disponível para discutir um adicional de IMI se foque especificamente nos imóveis devolutos "que poderiam e deveriam estar a servir para a habitação pública".
Se o Governo está disponível para rever as políticas fiscais que, para o partido, "estão a aquecer o mercado e a afastar milhares de pessoas do acesso à habitação".
(LUSA)
Secretária de Estado da Habitação está disponível para se reunir com manifestantes
Seguro sublinha que direito à manifestação é "marca do regime democrático" e que "violência não faz parte da cultura democrática portuguesa"
"Como é público, desde ontem que estou a recolher informações sobre tudo o que se passou e, sobretudo, concentrado em que se encontre vias de diálogo e bom senso para se resolver estes conflitos", recordou Seguro.
"É importante que nós possamos ter diálogo e bom senso para encontrar soluções. O direito à manifestação é um direito constitucional, é uma marca da nossa liberdade e do nosso regime democrático. A violência não faz parte da cultura democrática portuguesa. E eu não vou desistir de diálogo e bom senso", enfatizou então o presidente.
Governo legisla para quem se manifesta e para "maioria silenciosa" que está em casa
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou hoje que o Governo ouve quem se manifesta, mas sublinhou que legisla quer para essa "minoria", quer para "a maioria silenciosa" que está em casa e também sofre.
"É com enorme preocupação que olho para as manifestações na rua (...) e é com sentido de Estado que oiço quem se manifesta", garantiu no parlamento, em resposta a perguntas da bancada do PS, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para discutir na especialidade a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Antes de assegurar que ouve os cidadãos que se têm manifestado nas últimas semanas no país, Pinto Luz respondeu ao Chega que o executivo tanto legisla para quem sai à rua quanto para para quem não o faz.
"Hoje, uma minoria do país manifesta-se, mas eu não me esqueço da maioria que está silenciosa. Porque há muita gente que não quer ir para a rua, mas continua a sofrer. E nós temos consciência disso", disse Pinto Luz.
O ministro usou a expressão "maioria silenciosa" mais do que uma vez durante a primeira hora de debate para se referir a quem não tem marcado presença nas acampadas de Lisboa e Porto e nas manifestações.
"Há uma maioria silenciosa em casa, que também sofre, que também procura casa e não tem", disse.
"Não estamos só a legislar, a ter que encontrar soluções para aqueles que se manifestam nas ruas. Temos que legislar também para aqueles que estão em casa e que de uma forma silenciosa todos os dias da sua vida sofrem. A nossa geração tem essa obrigação. De outra forma, entregaremos um mundo pior do que [aquele] que recebemos dos nossos pais", afirmou.
O ministro foi questionado pelo deputado do Chega Francisco Gomes sobre se o Governo está disponível para apoiar uma redução do limite até ao qual se considera uma haver uma "renda moderada", dos atuais 2.300 euros para 1.500 euros, alteração a que Pinto Luz não abriu a porta.
O ministro não rejeitou de forma taxativa a proposta, mas defendeu a iniciativa do Governo.
Em resposta ao deputado, começou por responder: "Não se esqueça que este Governo facilitou e agilizou o processo da renda acessível. A renda acessível em Lisboa, que são 20% abaixo da mediana, anda na casa dos 1.600 euros. E não é IRS a 10%, é IRS a zero. E a renda acessível não tem taxa de esforço".
De seguida, defendeu o resultado da atual medida, em que os senhorios com uma renda até 2.300 euros podem beneficiar de uma taxa de IRS de 0%.
"Baixar dos 2.300 para os 1.500 quando eu já tenho um patamar da renda acessível (...) Se for para Bragança, um T0 são 200 e tal euros e tem IRS a zero. Tentarmos atirar para os olhos das pessoas uma realidade que não existe", vincou.
"Só quem não percebe minimamente de economia pode querer dizer que um senhorio que tem contratualizado 2.100 euros com o seu inquilino tem um incentivo para subir para 2.300 euros", afirmou, ressalvando que, quando se referia a desconhecimentos de economia, não se referia ao parlamentar do Chega.
"Um senhorio com uma renda de 2.600 euros tem todos os incentivos para baixar para 2.300", beneficiando do ganho fiscal, contrapôs.
Limite das 0h30 não é "absoluto e automático". Manifestante autorizada a manter tenda no Rossio
Neste processo, sublinha-se no acórdão, não foi apreciada "a legalidade de uma ocupação coletiva" do Rossio, ou o reconhecimento de um direito geral a erguer "tendas em espaço público por um número indeterminado de participantes".
O Tribunal Administrativo elenca "condições proporcionais de exercício" do protesto.
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Advogados afirmam que "há uma escalada de violência promovida pelo Estado"
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Advogado de manifestantes detidos no Porto afirma que "tudo isto tem sido um confusão muito grande"
Aguiar-Branco quer saber com urgência se partidos aceitam debate requerido pelo PCP
"A alteração excecional pretendida pressupõe a obtenção de consenso de todas as forças políticas representadas na conferência de líderes", indica o presidente da Assembleia da República.
Esta decisão de José Pedro Aguiar-Branco de determinar "a consulta urgente, por escrito, dos membros da conferência de líderes, para que, no prazo de 24 horas, se pronunciem sobre a possibilidade de alteração do calendário de apreciação do Orçamento do Estado para 2027 surgiu na sequência de um requerimento do PCP para a realização de um debate de urgência sobre a atuação policial na madrugada de 01 de domingo em Lisboa e no Porto.
"Não obstante o decurso do processo de especialidade do Orçamento do Estado, a Assembleia da República deve assumir as suas responsabilidades de fiscalização da atividade do Governo, em particular, face a uma situação que está a gerar uma enorme indignação na sociedade portuguesa", justificou o PCP, numa nota divulgada à imprensa.
O presidente da Assembleia da República refere que o Regimento "estabelece que a ordem do dia não pode ser preterida nem interrompida, salvo nos casos expressamente previstos ou mediante deliberação sem votos contra".
"Neste contexto, os antecedentes parlamentares identificados, em especial o entendimento firmado na conferência de líderes extraordinária de 25 de outubro de 2022, confirmam a exigência de consenso entre as forças políticas representadas na conferência de líderes para qualquer alteração excecional do calendário de apreciação do Orçamento do Estado", alega.
(Lusa)
Detidos em cargas policiais ouvidos em tribunal
Polícias e manifestantes feridos nos protestos em Lisboa e no Porto
Novas cargas policiais em Lisboa e no Porto fizeram dezenas de feridos na madrugada de domingo.
Foto: Manuel de Almeida - Lusa
Protestos no Porto. PSP confirma que agente à paisana mostrou arma
Os manifestantes no Porto acusam a polícia de introduzir agentes à paisana para destabilizar os protestos.
PSP diz que há "premeditação" dos manifestantes
A PSP garante que há premeditação dos manifestantes para o confronto.
Cargas policiais. Oposição exige justificações ao Governo
O PS quer ouvir com urgência no Parlamento o ministro da Administração Interna. O Livre exige a demissão de Luís Neves. Apenas os partidos à direita defenderam a atuação da polícia.
Luís Neves rejeita decisão política para ação policial
O ministro da Administração Interna lamenta as imagens da madrugada de domingo, mas defende a atuação da polícia.
Foto: Manuel de Almeida - Lusa
Onda de contestação na Europa leva a violência em vários países
Em vários países europeus centenas de milhares de pessoas estiveram na rua em protesto contra o aumento do custo de vida, a crise da habitação e a falta de perspetivas para o futuro.
Foto: Firas Abdullah - EPA