País
Manuel Pedro nega “pagamentos ilícitos” no projecto do Freeport
Manuel Pedro, antigo associado da consultora responsável pelo licenciamento do Freeport de Alcochete, reage às notícias sobre indícios de corrupção com a garantia de que não procedeu a quaisquer “pagamentos ilícitos”. O antigo sócio da Smith & Pedro afirma que se encontrou com José Sócrates por uma única ocasião, quando foi chamado a uma reunião no Ministério do Ambiente, a pedido da Câmara de Alcochete.
Em comunicado ontem difundido, o empresário Manuel Pedro garante que “jamais” participou em "qualquer encontro de cariz pessoal ou profissional com o actual primeiro-ministro".
“Nunca procedi a pagamentos ilícitos e nem em circunstância alguma referi a terceiros ter pago verbas a políticos, governantes ou quaisquer pessoas no exercício de funções públicas”, sublinha o antigo associado da Smith & Pedro, a empresa consultora contratada para garantir as aprovações necessárias à construção do outlet de Alcochete.
Manuel Pedro afirma que só falou pessoalmente com José Sócrates durante uma reunião no Ministério do Ambiente.

“Nesse encontro e para além do senhor ministro do Ambiente, estiveram presentes o senhor secretário de Estado, doutor Rui Gonçalves, dois administradores do Freeport, senhores Gary Russel e Jonathan Rawsnley, representantes do ICN [Instituto de Conservação da Natureza] e CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] e, naturalmente, o senhor presidente da Câmara de Alcochete, José Inocêncio”, lê-se no comunicado do empresário.
Quanto às investigações em curso, Manuel Pedro promete prestar “declarações no momento e circunstâncias próprias, ou seja, no âmbito do processo judicial que corre em termos e quando para tal for solicitado pelas autoridades competentes”.
Troca de e-mails “fatais”
O semanário Sol publicou ontem excertos de uma troca de correspondência electrónica que sugere o pagamento de subornos com vista a garantir a chancela do Ministério do Ambiente na Declaração de Impacto Ambiental que viabilizou a construção do Freeport de Alcochete.
O Sol obteve e-mails que terão sido trocados entre responsáveis da empresa Freeport e o britânico Charles Smith, associado da consultora Smith & Pedro.

Uma das mensagens de correio electrónico enviadas por Smith ao administrador Gary Russel solicita que o dinheiro seja remetido a Portugal em duas tranches: “Aconselho-o a enviar a taxa esta semana em duas partes, uma para o EIA [Estudo de Impacto Ambiental] e outra para os protocolos. Tenho as pessoas sob controlo graças a essa transferência”.
O nome do ministro do Ambiente no Executivo de gestão de António Guterres não é citado nos e-mails revelados pelo Sol. No entanto, uma das mensagens electrónicas atribuídas a Charles Smith, enviada ao promotor imobiliário Billy McKinney, alude a um ministro: “Tenho estado sob ordens muito rígidas do ministro no sentido de não dizer nada antes da recepção do documento e do relatório”.
O semanário cita também a existência de uma figura preponderante para o objectivo de facilitar o processo de licenciamento do complexo comercial de Alcochete, a quem os administradores britânicos teriam atribuído o nome de código de “Pinóquio”.
No sábado, à saída da cerimónia de assinatura do contrato de concessão do Baixo Alentejo, o primeiro-ministro foi confrontado com as últimas notícias avançadas pela imprensa. José Sócrates começou por se escusar a tecer comentários. Mas acabou por se dizer “preparado para resistir a todas as ignomínias desta campanha”.
Pouco antes, o Presidente da República recusara-se a comentar o caso Freeport, que não deixou de classificar como um “assunto de Estado”.
Manuel Alegre condena “nebulosa”
O deputado socialista Manuel Alegre saiu ontem em defesa de uma investigação célere sobre o processo de licenciamento do empreendimento de Alcochete, uma vez que “há uma suspeição sobre as pessoas e uma suspeição generalizada sobre a política e isso afecta gravemente a democracia”.

“Parece que em Portugal há dificuldade em investigar. As coisas demoram muito tempo e depois ninguém é acusado e ninguém é inocentado”, assinalou o antigo candidato à Presidência da República, à entrada para a inauguração da sede do Movimento de Intervenção e Cidadania no Porto.
“Vive-se numa nebulosa e isso não é bom para a democracia. Este é o momento de fazer uma reflexão sobre isso. O que eu desejo é que não se instale nas pessoas a convicção de que a justiça não funciona e que a democracia não é adulta, porque isso é mau para a democracia”, insistiu Alegre.
“Nunca procedi a pagamentos ilícitos e nem em circunstância alguma referi a terceiros ter pago verbas a políticos, governantes ou quaisquer pessoas no exercício de funções públicas”, sublinha o antigo associado da Smith & Pedro, a empresa consultora contratada para garantir as aprovações necessárias à construção do outlet de Alcochete.
Manuel Pedro afirma que só falou pessoalmente com José Sócrates durante uma reunião no Ministério do Ambiente.

“Nesse encontro e para além do senhor ministro do Ambiente, estiveram presentes o senhor secretário de Estado, doutor Rui Gonçalves, dois administradores do Freeport, senhores Gary Russel e Jonathan Rawsnley, representantes do ICN [Instituto de Conservação da Natureza] e CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] e, naturalmente, o senhor presidente da Câmara de Alcochete, José Inocêncio”, lê-se no comunicado do empresário.
Quanto às investigações em curso, Manuel Pedro promete prestar “declarações no momento e circunstâncias próprias, ou seja, no âmbito do processo judicial que corre em termos e quando para tal for solicitado pelas autoridades competentes”.
Troca de e-mails “fatais”
O semanário Sol publicou ontem excertos de uma troca de correspondência electrónica que sugere o pagamento de subornos com vista a garantir a chancela do Ministério do Ambiente na Declaração de Impacto Ambiental que viabilizou a construção do Freeport de Alcochete.
O Sol obteve e-mails que terão sido trocados entre responsáveis da empresa Freeport e o britânico Charles Smith, associado da consultora Smith & Pedro.

Uma das mensagens de correio electrónico enviadas por Smith ao administrador Gary Russel solicita que o dinheiro seja remetido a Portugal em duas tranches: “Aconselho-o a enviar a taxa esta semana em duas partes, uma para o EIA [Estudo de Impacto Ambiental] e outra para os protocolos. Tenho as pessoas sob controlo graças a essa transferência”.
O nome do ministro do Ambiente no Executivo de gestão de António Guterres não é citado nos e-mails revelados pelo Sol. No entanto, uma das mensagens electrónicas atribuídas a Charles Smith, enviada ao promotor imobiliário Billy McKinney, alude a um ministro: “Tenho estado sob ordens muito rígidas do ministro no sentido de não dizer nada antes da recepção do documento e do relatório”.
O semanário cita também a existência de uma figura preponderante para o objectivo de facilitar o processo de licenciamento do complexo comercial de Alcochete, a quem os administradores britânicos teriam atribuído o nome de código de “Pinóquio”.
No sábado, à saída da cerimónia de assinatura do contrato de concessão do Baixo Alentejo, o primeiro-ministro foi confrontado com as últimas notícias avançadas pela imprensa. José Sócrates começou por se escusar a tecer comentários. Mas acabou por se dizer “preparado para resistir a todas as ignomínias desta campanha”.
Pouco antes, o Presidente da República recusara-se a comentar o caso Freeport, que não deixou de classificar como um “assunto de Estado”.
Manuel Alegre condena “nebulosa”
O deputado socialista Manuel Alegre saiu ontem em defesa de uma investigação célere sobre o processo de licenciamento do empreendimento de Alcochete, uma vez que “há uma suspeição sobre as pessoas e uma suspeição generalizada sobre a política e isso afecta gravemente a democracia”.

“Parece que em Portugal há dificuldade em investigar. As coisas demoram muito tempo e depois ninguém é acusado e ninguém é inocentado”, assinalou o antigo candidato à Presidência da República, à entrada para a inauguração da sede do Movimento de Intervenção e Cidadania no Porto.
“Vive-se numa nebulosa e isso não é bom para a democracia. Este é o momento de fazer uma reflexão sobre isso. O que eu desejo é que não se instale nas pessoas a convicção de que a justiça não funciona e que a democracia não é adulta, porque isso é mau para a democracia”, insistiu Alegre.