Médicos voltam a reunir-se e ponderam greve

| País

|

Associações, Ordem e sindicatos de médicos vão reunir-se na próxima sexta-feira para decidirem uma "estratégia conjunta". Em causa está o pagamento das horas extraordinárias. O bastonário não descarta uma greve.

A Ordem dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e algumas associações vão procurar estabelecer “uma estratégia conjunta”.

O bastonário da Ordem dos Médicos pondera a possibilidade de vir a ser convocada uma greve, devido ao descontentamento face à reposição do pagamento das horas extraordinárias.

Miguel Guimarães referiu na segunda-feira, durante uma reunião com os sindicatos, que “o Governo comete a imprudência de criar, por decreto, médicos de primeira e de segunda categoria com todas as implicações negativas que tal medida acarreta para a qualidade da medicina e integridade física e emocional dos doentes e dos médicos”.

Ainda antes, anunciou a reunião do “fórum médico”, no próximo dia 10, para “estabelecer uma estratégia conjunta que defenda o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que permita dar uma resposta eficaz às tentativas dissimuladas de ferir a dignidade dos médicos e do doente”.

Segundo o bastonário, o decreto 25/2017 “ofende gravemente o princípio da igualdade perante a Lei” e a Ordem e os sindicatos “encontram-se muito preocupados com a falta de justiça, de equidade e de valores que se verificam na saúde”.

Questionado pelos jornalistas, Miguel Guimarães não descartou a possibilidade de greve: “Neste momento todas as hipóteses podem ser consideradas.”
Decreto gera descontentamento
Em causa está o decreto publicado na passada sexta-feira que estabelece as normas de execução do Orçamento do Estado para 2017. Neste documento, o Governo estabelece que a reposição do pagamento das horas extraordinárias aos médicos será feita pela metade a partir de 1 de abril e na totalidade apenas no “segundo semestre de 2017, dependendo dos resultados de negociação com os sindicatos”.

O Governo não se compromete a repor os pagamentos na totalidade a partir de julho e ainda define um público-alvo para esta reposição.

Apenas os profissionais de saúde que estejam “em presença física para assegurar o funcionamento dos serviços de urgência externa que constituam pontos da Rede de Urgência/Emergência, bem como nas unidades de cuidados intensivos” serão atingidos pela reposição, ficando de fora os outros médicos (prevenção, cuidados intermédios, de chamada, prolongamentos de horários, entre outras situações).

O ministro da Saúde já tinha sido acusado, no sábado, pelo SIM de faltar aos compromissos assumidos para a reposição do pagamento do trabalho suplementar: “Desrespeitando os compromissos assumidos pela equipa dirigente do Ministério, a reversão parcial do corte da remuneração do trabalho suplementar irá vigorar a partir de 1 de abril de 2017, mas não se sabe quando, nem como, nem se, ocorrerá a restante reversão, até que se atinjam os 100 por cento.”

Questionado no mesmo dia sobre a posição do sindicato, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou, à margem do Encontro das Ordens Profissionais da saúde, em Lisboa, que “o que está escrito no decreto-lei de execução orçamental é até julho a [reposição de] 75 por cento e a partir de julho 100 por cento, em função das negociações com os sindicatos, e é isso que está lá escrito”.

Tópicos:

Bastonário, Greve, Médico, Sindicatos,

Artigos Relacionados

A informação mais vista

+ Em Foco

Em 9 de abril de 1918, a ofensiva alemã varre a resistência portuguesa. O dossier que se segue lança um olhar sobre o antes, o durante e o depois.

    Quase seis décadas depois, a Presidência de Cuba deixou de estar nas mãos de um membro do clã Castro.

    Porto Santo tem em curso um projeto para se transformar na primeira ilha do planeta livre de combustíveis fósseis.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.