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Regime iraniano decreta 40 dias de luto pela morte de Ali Khamenei

Regime iraniano decreta 40 dias de luto pela morte de Ali Khamenei

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Regime iraniano decreta 40 dias de luto pela morte de Ali Khamenei

O Irão decretou um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, após a morte, aos 86 anos, do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, no poder desde 1989. Acompanhamos aqui em direto a situação no Médio Oriente.

Cristina Sambado - RTP /

Majid Asgaripour - WANA via Reuters

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Joana Raposo Santos - RTP /

Morte de Khamenei. Quem poderá ser o novo líder supremo do Irão?

Após a morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irão, aproxima-se a resposta há muito aguardada sobre quem irá suceder-lhe. O tópico, que gerou intensa especulação ao longo dos últimos anos devido à idade avançada e problemas de saúde do ayatollah, é complexo.

O cargo de líder supremo é vitalício e a escolha do seu ocupante cabe à chamada Assembleia de Peritos. Foto: EPA/ Supreme Leader Office

O cargo de líder supremo é vitalício e a escolha do seu ocupante cabe à chamada Assembleia de Peritos, grupo composto por 88 académicos responsáveis por várias das questões de liderança da República Islâmica.

Esses especialistas são eleitos por sufrágio universal, mas todos os candidatos devem antes ser aprovados pelo Conselho dos Guardiães da Constituição, cujos membros são, por sua vez, eleitos pelo ayatollah em funções.

“O papel de líder supremo é, claramente, muito político, assim como a escolha da próxima pessoa a ocupar o cargo”, explicou o historiador Jonathan Piron numa entrevista à France 24 em 2022.

Desde a criação da República Islâmica do Irão, em 1979, o cargo de líder supremo teve apenas uma transição de poder, que ocorreu após a morte de Ruhollah Khomeini em 1989. Khomeini tinha nomeado um sucessor, o ayatollah Hossein Ali Montazeri, mas mudou de ideias ao último minuto depois de este ter criticado duramente o líder por autorizar a execução sumária de cerca de cinco mil presos políticos em 1988, no final da guerra entre Irão e Iraque.

Montazeri foi demitido e posteriormente colocado em prisão domiciliária. Nenhum novo sucessor foi nomeado até Khomeini morrer e a Assembleia de Peritos ter escolhido Ali Khamenei. Agora, mantém-se a incógnita sobre o próximo ocupante do cargo. Mojtaba, o filho
O cargo de líder supremo não é hereditário. No entanto, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido líder supremo Ali Khamenei, é um dos nomes que têm surgido nas especulações sobre a sucessão.

Mantendo um perfil discreto ao longo dos anos, Mojtaba tem reunido uma extensa lista de aliados, entre os quais os membros da Guarda Revolucionária, divisão das Forças Armadas do país.

O filho de Ali Khamenei tem ocupado um papel central no Beit, nome dado ao gabinete do líder supremo. Este gabinete é constituído por conselheiros do ayatollah e funciona como uma instituição paralela ao Governo iraniano, possuindo a sua própria administração e validando decisões para que estejam de acordo com a vontade do líder.

“As ações do Beit são pouco transparentes e baseiam-se em jogos de poder”, referiu Jonathan Piron à France 24. “Mojtaba Khamenei nunca foi eleito. Foi nomeado para o cargo pelo seu pai, que quis rodear-se de pessoas leais. Os críticos consideram-no uma figura corrupta que beneficia da sua posição no gabinete do líder supremo apenas por ser seu filho”.

Mojtaba Khamenei (centro). Foto: Alamy Live News

Mojtaba é, assim, olhado com desagrado por parte da população iraniana, até porque está envolvido com frequência com a Basij, milícia paramilitar que trabalha para o líder supremo e que tem sido responsável pela repressão de estudantes quando estes se manifestam e de mulheres quando estas usam incorretamente o véu islâmico.

Foi em 2009 que o nome de Mojtaba passou a ser mais conhecido, quando se viu associado a acusações de fraude eleitoral por alegadamente ter orquestrado a vitória do então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Foi também acusado de reprimir os protestos da população após essas eleições.

Para além do laço familiar, Mojtaba é próximo dos líderes da Guarda Revolucionária Iraniana e conhecedor das redes financeiras controladas pelo pai.
Arafi, Mirbagheri e Hassan Khomeini
Alireza Arafi é um clérigo consagrado que passou por várias instituições governamentais. Era também confidente de Ali Khamenei.

Atualmente, atua como vice-presidente da Assembleia de Peritos e é membro do poderoso Conselho dos Guardiães. É também chefe do sistema de seminários do Irão.

De acordo com Alex Vatanka, especialista da organização sem fins lucrativos Instituto do Médio Oriente, o facto de Khamenei ter nomeado Arafi para cargos superiores e estrategicamente sensíveis revela que tinha “muita confiança nas suas habilidades burocráticas”.

Outro possível sucessor é Mohammad Mehdi Mirbagheri, clérigo e membro da Assembleia de Peritos, representando a ala mais conservadora do clero.

Recentemente justificou o elevado número de mortes na ofensiva israelita em Gaza, afirmando que mesmo a morte de metade da população mundial “vale a pena” se permitir uma aproximação a deus.

De acordo com o IranWire, um órgão de comunicação ativista, Mirbagheri opõe-se veementemente ao Ocidente e acredita que um conflito entre crentes e infiéis é inevitável. Atualmente, lidera a Academia de Ciências Islâmicas na cidade sagrada de Qom, no norte do país.

Outra possível escolha para a sucessão é Hassan Khomeini, neto do primeiro líder supremo.

Simpatizante dos reformistas, chegou a candidatar-se à Assembleia de Peritos e demonstrou vontade em seguir os passos do avô, mas viu a sua tentativa rejeitada por alegada ausência de competências religiosas.
Qual é o papel do líder supremo?
O Governo da República Islâmica do Irão ramifica-se em duas partes. A primeira, que representa a soberania do povo, é comandada por um presidente, que atua como chefe de Estado, de um Parlamento encarregue de criar e debater leis e de um sistema judicial que interpreta e pode vetar essas leis.

A segunda parte representa a soberania de deus, representada por uma única figura: a do líder supremo, ou faqih. O conceito de faqih foi criado pelo homem que primeiro reivindicou o cargo para si: o ayatollah (líder religioso) Ruhollah Khomeini.

É o líder supremo quem tem a última palavra sobre todas as decisões políticas no Irão. O seu cargo sobrepõe-se ao de presidente do país. Um ayatollah é alguém que escolhe dedicar a vida ao estudo da religião islâmica e é capaz de interpretar os textos sagrados do Islão. Um ayatollah pode tornar-se mujtahid se alcançar determinado nível nesse estudo e, a partir daí, passa a poder dar opinião sobre a fé islâmica.

O faqih, que possui o monopólio absoluto sobre o poder do Estado, é quem nomeia o chefe do sistema judiciário e tem o poder de demitir o presidente e de vetar qualquer lei aprovada pelo Parlamento. É também o comandante oficial do Exército e o responsável por institucionalizar o controlo religioso de todos os aspetos do Governo.

O líder supremo elege também metade dos membros do Conselho dos Guardiães. Este órgão, composto por 12 homens, controla a política iraniana ao examinar candidatos a cargos legislativos, incluindo para a Assembleia de Especialistas, a Presidência e o Parlamento.

O conceito de faqih, relativamente recente, veio alterar o modo de governação no Irão. Até 1979, o xiismo ditava que a religião não deveria interferir com os assuntos do Governo, dado que qualquer forma de exercício político era vista como ilegítima por usurpar a autoridade divina, e por essa razão os religiosos adotavam o silêncio em relação a esse tema.

Em 1979, porém, dá-se a terceira revolução no Irão e o xiismo saiu das mesquitas para entrar no Governo. Esta mudança foi, essencialmente, da responsabilidade de Khomeini, que interpretou de forma inédita a doutrina xiita.

Segundo Khomeini, na ausência do Mahdi – figura messiânica que os islâmicos acreditam que virá à Terra para restaurar a verdadeira religião – o poder político deve ficar nas mãos dos seus representantes, ou seja, os religiosos. Khomeini chamou a esta teoria Valayat-e Faqih.
Uma teoria “herege”
Esta radical mudança no islamismo xiita foi ainda mais longe quando Khomeini sugeriu que a autoridade política não deveria caber a todos os religiosos, mas sim a um único líder supremo. E defendeu ainda que, como líder supremo, a sua autoridade deveria não só ser equivalente à do Mahdi, como à do profeta Maomé.

O autor e professor Reza Aslan relembrou, num artigo de opinião para a organização internacional Project Syndicate, que esta teoria contraria séculos da teologia islâmica. “A teoria era tão herege que foi imediatamente rejeitada por quase todos os outros ayatollahs do Irão, incluindo os superiores diretos de Khomeini”, escreveu. Ainda assim, este conseguiu o seu objetivo.

Todas estas mudanças na governação do Irão aconteceram de forma muito repentina após a Revolução de 1979, altura de crise económica e descontentamento com o xá Mohammad Reza Pahlavi, que acabou por ser derrubado.

Os religiosos xiitas conseguiram tomar o poder pois tinham os contactos, infraestruturas (mesquitas e escolas religiosas) e sistemas de poder já em vigor. Tinham também uma visão clara do que pretendiam e o apoio do ayatollah Khomeini, na altura popular pelos seus discursos. Usaram também a violência para não deixarem espaço para a oposição.
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Exército iraniano avança que atacou bases norte-americanas na região do Curdistão iraquiano e no Golfo Pérsico

O exército iraniano afirmou ter atacado bases norte-americanas na região do Curdistão iraquiano e no Golfo Pérsico no domingo, em resposta ao assassinato de Khamenei.

"Há poucos minutos, pilotos da Força Aérea da República Islâmica do Irão bombardearam com sucesso bases norte-americanas nos países do Golfo Pérsico e na região do Curdistão iraquiano, em várias fases de operações", declarou o exército iraniano num comunicado divulgado pela TV estatal.
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Aeroportos do Médio Oriente continuam encerrados ou com restrições

As viagens aéreas globais permaneceram fortemente afetadas este domingo, com os ataques aéreos contínuos a manterem os principais aeroportos do Médio Oriente, incluindo o Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, encerrados, num dos maiores choques na aviação dos últimos anos.

Aeroportos de trânsito importantes, incluindo o Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, foram encerrados ou tiveram as suas operações severamente restringidas, uma vez que grande parte do espaço aéreo da região permaneceu encerrado após ataques dos EUA e de Israel ao Irão.

O Aeroporto Internacional do Dubai sofreu danos durante os ataques iranianos, e os aeroportos de Abu Dhabi e Kuwait também foram atingidos. Milhares de voos foram afetados em todo o Médio Oriente, de acordo com dados da plataforma de rastreamento de voos FlightAware.

O espaço aéreo sobre o Irão, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar permaneceu praticamente vazio, como mostravam os mapas do Flightradar24 no início do domingo.

O serviço de rastreamento de voos informou que um novo "Aviso aos Aeronavegantes" (NOTAM) estendeu o encerramento do espaço aéreo iraniano até, pelo menos, a manhã de 3 de março.
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Petroleiro atacado ao largo da costa de Omã

Um petroleiro foi alvo de um ataque, na costa de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, e a sua tripulação, incluindo quatro feridos, foi evacuada, no segundo dia de ataques aéreos iranianos no Golfo em retaliação pelo ataque israelo-americano, informou a agência noticiosa oficial omanita.

"O Centro de Segurança Marítima anunciou que o petroleiro (SKYLIGHT), que navegava sob a bandeira da República de Palau, foi alvo de um ataque a cinco milhas náuticas a norte do porto de Khasab", declarou a Autoridade Marítima Nacional (NMA).

“A tripulação de 20 pessoas, incluindo 15 indianos e cinco iranianos, foi evacuada e, segundo informações iniciais, quatro deles "sofreram ferimentos de gravidade variável", acrescentou a NMA.
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Hamas lamenta morte de Khamenei e condena "crime abominável"

O Hamas classificou este domingo como um "crime abominável" o ataque conjunto entre os EUA e Israel que matou o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irão e um fervoroso defensor do movimento islamista palestiniano.

"Nós, no Hamas, lamentamos a morte do ayatollah Ali Khamenei", pode ler-se num comunicado. "Os Estados Unidos e o Governo de ocupação fascista (Israel) são totalmente responsáveis por esta agressão flagrante e crime hediondo contra a soberania da República Islâmica do Irão, bem como pelas suas graves repercussões para a segurança e estabilidade da região", acrescentou o documento.
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Relatadas explosões perto do complexo de radiodifusão iraniano em Teerão

Os meios de comunicação iranianos estão a avançar que foram ouvidas várias explosões junto do complexo de radiodifusão iraniano em Teerão.
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Israel anuncia que está a atacar "o coração de Teerão"

O exército israelita anunciou este domingo, que tinha lançado uma nova vaga de ataques contra alvos do "regime terrorista iraniano no coração de Teerão".

Nas últimas 24 horas, "a Força Aérea israelita realizou ataques em grande escala para estabelecer a superioridade aérea e abrir caminho para Teerão", acrescentou um breve comunicado militar.
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Vários mortos em protesto pró-Irão em frente ao consulado dos EUA em Karachi

Várias pessoas morreram este domingo em Karachi, no Paquistão, durante um protesto em frente ao consulado dos EUA contra os ataques aéreos norte-americanos e israelitas no Irão, informaram as equipas de resgate.

"Transportámos pelo menos oito corpos para hospitais civis em Karachi, enquanto outras 20 pessoas ficaram feridas no incidente no consulado", disse à AFP Muhammad Amin, porta-voz dos serviços de emergência da Fundação Edhi, acrescentando que a maioria apresentava ferimentos de bala.
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Guarda da Revolução iraniana anuncia ataques contra 27 bases militares

A Guarda da Revolução Islâmica anunciou hoje ataques contra 27 bases militares dos EUA no Médio Oriente, depois de prometer vingança pela morte do aiatola Ali Khamenei na ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, designou hoje os líderes dos Estados Unidos e de Israel como "criminosos imundos", garantindo que enfrentarão "golpes devastadores" pelos seus ataques à República Islâmica, num vídeo divulgado pela televisão estatal iraniana.

Qalibaf é o funcionário de mais alto escalão na hierarquia do poder iraniano a aparecer perante as câmaras de televisão desde o início dos ataques, no sábado.

"Vocês ultrapassaram a nossa linha vermelha e terão de pagar o preço", afirmou. "Vamos desferir golpes tão devastadores que vocês mesmos serão levados a implorar".
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Tailândia prepara-se para retirar cidadãos do Médio Oriente

Banguecoque prepara-se para evacuar cidadãos tailandeses do Médio Oriente, anunciou este domingo o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul, no meio da operação militar conjunta EUA-Israel contra o Irão, que retaliou com ataques de mísseis.

O governo tailandês está a coordenar-se com a Força Aérea Real Tailandesa para preparar recursos aéreos para evacuar os cidadãos tailandeses, dando prioridade aos que estão no Irão, disse o primeiro-ministro aos jornalistas em Banguecoque, acrescentando que os voos fretados também estão a ser considerados.

Charnvirakul acrescentou que dezenas de milhares de trabalhadores tailandeses estão na região, citando dados do Ministério do Trabalho.

Quase 59 mil tailandeses estavam registados no escritório de emprego tailandês em Israel e mais de 11 mil no escritório de Abu Dhabi, responsável pelos Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã e Irão, segundo o ministério.

"O Governo tailandês fará todo o possível para repatriar os cidadãos tailandeses em segurança. Se quiserem regressar, vamos trazê-los de volta", disse o primeiro-ministro.
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Em Omã
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Porto comercial de Duqm atingido por dois drones

O porto comercial de Duqm, no Omã, foi atingido por dois drones, ferindo um trabalhador estrangeiro, informou este domingo a agência de notícias estatal.

Os detritos de outro drone caíram numa área próxima de tanques de combustível, mas não houve vítimas ou perdas materiais registadas, acrescentou a agência.

A embaixada dos EUA em Mascate recomendou aos seus cidadãos que permanecessem em casa, no segundo dia de ataques aéreos iranianos no Golfo em retaliação pelo ataque israelo-americano.

"A Embaixada dos EUA em Omã instruiu os seus funcionários para permanecerem em casa. Recomendamos que todos os americanos em Omã façam o mesmo até novo aviso", disse a embaixada num comunicado divulgado pela agência X.
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Agência Internacional de Energia Atómica convoca reunião extraordinária para segunda-feira

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) vai realizar uma reunião extraordinária esta segunda-feira em Viena para tratar da situação no Irão, atacado por Israel e pelos Estados Unidos.

Segundo informou este sábado a AIEA, a "sessão especial" foi convocada pela delegação russa e terá lugar pouco antes do início da reunião ordinária de primavera do Conselho de Governadores da agência, agendada para a próxima semana.

A reunião extraordinária abordará "questões relacionadas com os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o território da República Islâmica do Irão", indicou o comunicado.

Até ao início dos ataques ao Irão na manhã de sábado, as delegações do Irão e dos Estados Unidos deveriam reunir-se na próxima semana à margem da reunião do Conselho para discutir questões técnicas relativas a um possível acordo nuclear entre as partes.
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Centenas de manifestantes tentam invadir embaixada dos EUA no Iraque

Centenas de manifestantes tentaram hoje invadir a zona de alta segurança que abriga a embaixada dos Estados Unidos em Bagdade, depois da confirmação da morte do líder supremo iraniano. Ali Khamenei.

"As tentativas foram frustradas até agora, mas continuam a tentar" romper o cordão de segurança, disse uma fonte de segurança em declaraçês à AFP.

Manifestantes, alguns deles empunhando bandeiras de grupos armados pró-iranianos, atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com granadas de gás lacrimogéneo, observou a agência.

A imprensa local noticiou outras manifestações em províncias do sul do Iraque.

Vários grupos armados iraquianos apoiados pelo Irão declararam no sábado que não permaneceriam "neutros" e que defenderiam a República Islâmica.

Entre eles, o poderoso grupo Kataëb Hezbollah anunciou que atacaria bases norte-americanas em resposta à morte, no sábado, de dois dos seus combatentes em ataques aéreos no sul do Iraque.

No início da manhã de domingo, fortes explosões foram ouvidas perto do aeroporto de Erbil, que acolhe tropas da coligação liderada pelos Estados Unidos na região autónoma do Curdistão iraquiano, testemunhou um jornalista da AFP, que viu uma espessa nuvem de fumo preto a subir da zona do aeroporto.

Pouco depois, um pequeno grupo pró-iraniano reivindicou ataques com drones contra soldados americanos em Erbil.

No sábado, as forças da coligação liderada pelos Estados Unidos abateram vários mísseis e drones carregados com explosivos sobre Erbil, informaram as autoridades locais.

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Ataques matam Chefe do Exército e decapitam liderança militar

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Moussavi, foi morto juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou hoje a televisão estatal iraniana.

A televisão citou o nome de Moussavi entre os altos funcionários mortos no sábado, juntamente com o ministro da Defesa, o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo e secretário do Conselho de Defesa.

A emissora precisou que foram mortos "durante uma reunião do Conselho de Defesa", acrescentando que outros nomes serão anunciados posteriormente.

Entrentanto, processo de transição no Irão em consequência da morte do líder supremo Ali Khamenei terá início ainda hoje, segundo o principal responsável pela segurança do país, Ali Larijani.

"Um conselho de direção provisório será formado em breve. O Presidente, o chefe do poder judicial e um jurista do Conselho dos Guardiães assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder", disse Larijani, chefe do órgão de segurança mais alto do Irão, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ex-conselheiro de Ali Khamenei.

"Este conselho será criado assim que possível. Estamos a trabalhar na sua formação a partir de hoje", acrescentou, alertando contra tentativas de "divisão" entre o poder iraniano.

"Os grupos que procuram dividir o Irão devem saber que não o toleraremos", afirmou Larijani, numa entrevista transmitida pela televisão estatal, apelando aos iranianos para que se unam.

Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do aiatola Ali Khamanei.

Os três responsáveis assumirão o "período de transição" resultante da morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA.

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Processo de transição do poder após morte de Khamanei começa imediatamente

O processo de transição no Irão em consequência da morte do líder supremo Ali Khamenei terá início ainda hoje, anunciou o principal responsável pela segurança do país, Ali Larijani.

"Um conselho de direção provisório será formado em breve. O Presidente, o chefe do poder judicial e um jurista do Conselho dos Guardiães assumirão a responsabilidade até a eleição do próximo líder", disse Larijani, chefe do órgão de segurança mais alto do Irão, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ex-conselheiro de Ali Khamenei.

"Este conselho será criado assim que possível. Estamos a trabalhar na sua formação a partir de hoje", acrescentou, alertando contra "tentativas de divisão" entre o poder iraniano.

Um conselho formado pelo Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, pelo chefe do poder judiciário, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um jurista do Conselho dos Guardiães assumirá a liderança do país após a morte do aiatola Ali Khamanei.

Os três responsáveis assumirão o "período de transição" resultante da morte de Ali Khamanei nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, após 36 anos no poder, informou a agência estatal iraniana, IRNA.

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Regime decreta 40 dias de luto e sete feriados pela morte de Ali Khamenei

O Irão decretou hoje um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, após a morte, aos 86 anos, do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, no poder desde 1989.

"Com o martírio do líder supremo, o seu caminho e a sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão prosseguidos com mais vigor e zelo", declarou um apresentador da televisão estatal.

Os Guardas da Revolução iranianos, tropa especial do aiatola, prometeram uma "punição severa" aos "assassinos" do líder supremo, cuja morte foi confirmada anteriormente pela televisão estatal.

Num comunicado, os Guardas condenaram "os atos criminosos e terroristas cometidos pelos governos maléficos dos Estados Unidos e do regime sionista", acrescentando: "a mão vingativa da nação iraniana não os deixará em paz até infligir aos assassinos do imã da Oumma um castigo severo e decisivo do qual eles arrependerão".

Entretanto, uma nova série de fortes detonações foi ouvida hoje em Teerão, por volta das 05:30 locais (02:00 TMG), depois de explosões anteriores terem atingido os bairros a leste da capital iraniana.

Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou hoje, às 05:00 locais (01:30 TMG), em lágrimas, a morte do aiatola Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.

A televisão iraniana não especificou em que circunstância Ali Khamenei faleceu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão. Fotos e imagens de arquivo são transmitidas com uma faixa preta no ecrã em sinal de luto.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha já anunciado a morte do líder supremo iraniano, dizendo que oferece à população iraniana a hipótese de recuperar o país. "Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país", disse.

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A televisão estatal confirma a morte de Ali Khamenei

Um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou hoje, às 05:00 locais (01:30 TMG), em lágrimas, a morte do aiatola Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica do Irão, que estava no poder há 36 anos.

A televisão iraniana não especificou em que circunstância Ali Khamenei faleceu aos 86 anos, nem mencionou os ataques israelitas e americanos de sábado contra a sua residência em Teerão. Fotos e imagens de arquivo são transmitidas com uma faixa preta no ecrã em sinal de luto.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha já anunciado a morte do líder supremo iraniano, dizendo que oferece à população iraniana a "maior chance" de "recuperar" o país.

A televisão estatal iraniana e a agência de notícias estatal IRNA não informaram a causa da morte do líder de 86 anos. A morte coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional.

"Khamenei, uma das pessoas mais maléficas da história, está morto", escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de "bombardeamentos pesados e precisos" ao longo da semana e mesmo além, no quadro de um ataque que os EUA justificam como necessário para incapacitar as capacidades nucleares do país.

O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos Estados Unidos no Irão, e traz consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla, representando uma demonstração surpreendente de um Presidente norte-americano que assumiu o cargo com uma plataforma a que chamou "America First" e prometeu manter-se fora de "guerras eternas".

Se confirmada, a morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido e porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder.

Khamenei liderava o `establishment` clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante.

À medida que surgiram notícias sobre a morte do líder religioso, testemunhas oculares em Teerão disseram à Associated Press que alguns residentes estavam a comemorar, a apitar e a gritar.

O Irão, que respondeu aos ataques com o seu próprio contra-ataque, advertiu para a retaliação.

Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos "se arrependerão das suas ações".

"Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais", publicou Larijani na rede social X.

A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país.

Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das "centenas de ataques com mísseis e drones iranianos".

Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares.

Por seu lado, Israel afirmou ter matado o comandante da Guarda Revolucionária e o ministro da Defesa do país, bem como o secretário do Conselho de Segurança iraniano, um conselheiro próximo de Khamenei.

Khamenei "não conseguiu escapar aos nossos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer", afirmou Trump. "Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país", disse.

Um diplomata iraniano disse no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite.

Alguns dos primeiros ataques ao Irão parecem ter atingido as proximidades dos escritórios de Khamenei, o segundo líder da República Islâmica que sucedeu ao aiatola Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades israelitas confirmaram a morte de Khamenei, depois do anúncio de Trump.

Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso.

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Quem era Ali Khamenei, líder supremo do Irão

A morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irão, foi anunciada a 28 de fevereiro de 2026, horas depois do início de uma operação militar israelo-americana contra o Irão. Estava no cargo desde 1989 e era apenas o segundo homem a ocupá-lo desde a criação da República Islâmica do Irão. Visto por muitos como o símbolo da consolidação do regime após a guerra entre Irão e Iraque, era condenado por grande parte da sociedade civil por refletir uma doutrina religiosa considerada extremista.

Com a morte do ayatollah, resta saber quem ocupará o seu lugar. Foto: EPA/ Supreme Leader Office

Ali Khamenei morreu na consequência de um bombardeamento durante a operação conjunta israelo-americana "Fúria Épica". A sua morte foi precedida de um vai-vém de confirmações, por parte de Israel, e negações, do regime iraniano.

O presidente norte-americano, Donald Trump, acabou por confirma-la numa publicação na rede Truth Social. "Khamenei, um dos homens mais perversos da História, está morto", escreveu Trump.

Khamenei não resistiu a três dezenas de bombardeamentos do complexo fortificado onde residia e que foi destruído.

Um dos objetivos da ação militar de Washington e Telavive, lançada a 28 de fevereiro de 2026, era, precisamente, atingir a cúpula dirigente de Teerão, abrindo caminho ao derrube do regime dos clérigos xiitas, no poder desde a Revolução Iraniana de 1979.

O líder iraniano ia completar 87 anos no próximo dia 19 de abril. Era o segundo Líder Supremo da República Islâmica do Irão desde a chegada ao poder dos ayatollahs, cargo que ocupava desde 1989.

Nos últimos anos, a sua saúde frágil levantou a hipótese de renúncia ao cargo, algo que nunca se concretizou. 
Problemas de saúde

Em setembro de 2022 tinham já surgido notícias sobre o estado de saúde de Khamenei, que chegou a cancelar todas as reuniões e compromissos depois de ter ficado gravemente doente e em repouso. Pouco tempo depois, o ayatollah voltou a aparecer em público, aparentemente saudável.

Em 2014, foi operado com sucesso na sequência de um cancro na próstata.

Estava no cargo desde 1989, tendo sucedido ao ayatollah Ruhollah Khomeini – que estabeleceu a República Islâmica do Irão depois da revolução de 1979 - quando este faleceu.

Ao longo das mais de três décadas no poder, Ali Hosseini Khamenei liderou a política iraniana e as forças armadas do país com mão de ferro, pondo fim a quaisquer ameaças ao seu poder, muitas vezes de forma violenta.

Também a nível de assuntos externos o líder demonstrou posições firmes, mantendo um prolongado confronto com os Estados Unidos.

Khamenei nasceu em 1939 na cidade iraniana de Meshed e estudou em seminários na sua cidade natal antes de se mudar para a cidade sagrada xiita de Qom, a cerca de 150 quilómetros da capital.

Aos 23 anos juntou-se ao movimento religioso da oposição liderado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini contra o xá (título dado aos monarcas) então em funções, Mohammad Reza Pahlavi – que acabou derrubado pela Revolução Islâmica, em 1979.

Ainda jovem, Khamenei tornou-se um devoto seguidor de Khomeini, chegando mais tarde a dizer que tudo aquilo que fez e em que acreditava se devia à visão deste último sobre o islamismo.
De presidente a líder supremo
Khamenei esteve ativamente envolvido em protestos contra o xá Reza Pahlavi e chegou mesmo a estar preso em várias ocasiões. Após a revolução de 1979, serviu no Conselho da Revolução Islâmica, grupo conservador formado pelo ayatollah Khomeini para governar do lado do Governo interino.

Mais tarde, Khamenei tornou-se vice-ministro da Defesa e ajudou a fundar o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica, divisão das Forças Armadas do Irão que assegura a segurança nacional e que se tornou uma das mais poderosas instituições do país.

Em 1981 ficou gravemente ferido e com um braço paralisado num ataque bombista numa mesquita em Teerão, cuja autoria foi atribuída a um grupo rebelde de esquerda.

Dois meses depois, o mesmo grupo foi acusado de assassinar o presidente do Irão, Mohammad-Ali Rajai, e Ali Khamenei foi o escolhido para a sucessão, ficando no cargo durante oito anos. Ao longo desse período, teve várias divergências com o primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi por considerar que este trazia demasiadas reformas ao país. Khamenei foi eleito líder supremo pela Assembleia de Peritos, grupo composto por 88 académicos responsáveis por várias das questões de liderança da República Islâmica.

Foi em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, que Ali Khamenei deixou o cargo de presidente para se tornar o novo líder supremo – apesar de, nessa altura, ainda não ter atingido os títulos de “marja-e taqlid” e “grand ayatollah”, como prevê a Constituição estabelecida pelos religiosos xiitas.

Para contornar a situação, acrescentou-se à Constituição uma emenda segundo a qual o líder supremo apenas teria de possuir “escolaridade islâmica”. Além disso, foi atribuído da noite para o dia o título de ayatollah a Ali Khamenei, que até então era apenas “hujjat al-Islam”, título honorífico com menor peso.

Na altura, a Constituição iraniana foi também alterada para abolir o cargo de primeiro-ministro e para conceder maior poder ao presidente.
Os desafios e as críticas
Vários dos presidentes que serviram o país sob a liderança de Khamenei vieram a desafiar a sua autoridade. Mohammad Khatami, que esteve no cargo entre 1997 e 2005, tentou diminuir as hostilidades com o Ocidente e procurou mais liberdades políticas e sociais no Irão. A maioria das suas tentativas de reformas foi, porém, bloqueada pelo ayatollah.

Já o sucessor, Mahmoud Ahmadinejad, era visto como protegido de Khamenei. Ainda assim, este presidente enfrentou duras críticas à sua governação, nomeadamente no campo económico e dos negócios estrangeiros.

Ao ser reeleito em 2009, Ahmadinejad foi alvo dos maiores protestos no Irão desde a revolução de 1979. Khamenei insistiu que os resultados eleitorais eram válidos e ordenou o fim das manifestações, que terminaram com dezenas de apoiantes da oposição mortos e milhares de detidos.

Ahmadinejad acabou por sair do cargo depois de alegadamente ter tentado aumentar os seus próprios poderes, originando um desentendimento com o líder supremo.

Foto: Supreme Leader Office
Em 2013 foi a vez de Hassan Rouhani chegar à presidência. Durante o mandato, conseguiu negociar um inédito acordo nuclear que recebeu a aprovação do ayatollah. No entanto, o líder supremo resistiu aos esforços do presidente para aumentar as liberdades civis no Irão e para criar reformas na economia.

A ausência de medidas que aliviassem a crise económica da população – que piorou depois de, em 2018, Donald Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do acordo nuclear e aplicado novas sanções ao Irão – desencadeou protestos em massa em novembro de 2019.

Nesses mesmos protestos, chegou a cantar-se “morte ao ditador”, numa referência a Ali Khamenei. Como resultado, as forças de segurança terminaram violentamente com as demonstrações, causando a morte de 1.500 pessoas, segundo um relatório da agência Reuters – número negado pelas autoridades iranianas.
Polémicas e relação com o Ocidente
O líder supremo é quem tem a última palavra sobre todos os assuntos dos Negócios Estrangeiros. E o ayatollah Ali Khamenei demonstrou, ao longo dos anos, desconfiança nas relações com o Ocidente, em particular com os Estados Unidos. Já em 1981, quando era ainda presidente do Irão, Khamenei prometeu pôr fim ao “desvio, liberalismo e aos esquerdistas influenciados pelos americanos”.

Em 2015, apesar de não se ter oposto ao acordo nuclear assinado com os EUA, China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha, o ayatollah não escondeu as críticas ao presidente Hassan Rouhani por ter negociado o acordo com a expectativa de que os Estados Unidos cumprissem com a sua palavra.

Três anos depois, quando Donald Trump abandonou o acordo nuclear e renovou as sanções ao Irão, Khamenei avisou o então presidente norte-americano de que estava a cometer um erro e reafirmou a falta de confiança na América.

Em 2020, quando os Estados Unidos mataram o general iraniano Qasem Soleimani num ataque com drones no Iraque, o ayatollah – que era seu aliado – prometeu “uma severa vingança”. Mais tarde, o Irão levou a cabo dois ataques com mísseis balísticos a bases iraquianas que abrigavam militares norte-americanos.

Mas as polémicas nas relações estrangeiras não ficaram por aí. O líder supremo pediu repetidamente a eliminação do Estado de Israel, chegando a descrever, em 2018, esse país como um “tumor canceroso” que deveria desaparecer.

Khamenei questionou também a veracidade do holocausto. Em 2014, escreveu no Twitter que “o holocausto é um evento cuja realidade é incerta e, se aconteceu, não é certo de que forma aconteceu”.
Abate de avião, covid-19 e protestos contra o regime
Para além destes episódios, em 2020 Ali Khamenei viu-se perante duas grandes crises. A primeira ocorreu quando a Guarda Revolucionária Iraniana abateu acidentalmente um avião da companhia Ukraine International Airlines enquanto este sobrevoava os arredores de Teerão, matando todas as 176 pessoas a bordo – muitas delas de nacionalidade iraniana.

A tentativa do Governo de omitir o erro originou fortes protestos, com muitos a exigirem demissões. Na altura, as forças de segurança foram acusadas de usar munições para dispersar os manifestantes.

Um mês depois, em fevereiro, o Irão viu-se afetado pela pandemia de covid-19 e o ayatollah, à semelhança de outros líderes internacionais, tentou descredibilizar a gravidade da doença. Mais uma vez, a atitude mereceu condenação pelo povo.

Mais tarde, em setembro de 2022, o Irão foi alvo dos maiores protestos desde a Revolução Islâmica, deixando o regime numa das mais profundas crises em três décadas. As manifestações foram originadas pela morte de uma jovem curda iraniana de 22 anos, Mahsa Amini, depois de esta ter sido presa pela “polícia da moralidade” por alegadamente usar de forma errada o hijab (véu islâmico).

Os protestos foram marcados por confrontos entre a população e as autoridades, resultando na detenção e morte de centenas de pessoas, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Foto: EPA
Em novembro desse ano, Ali Khamenei associou os protestos às forças ocidentais, considerando que o “inimigo” tenta constantemente “retirar ao povo e à juventude a esperança” nos progressos alcançados pelo Irão.

“Aqueles que orquestram os motins nos bastidores querem levar as pessoas para as ruas e estão a tentar desgastar as autoridades através de ações vis”, chegou a acusar o ayatollah, referindo-se à violência dos protestos.

Na altura, vários iranianos foram executados após decisões de julgamentos sumários relacionados com os protestos provocadas pela morte Mahsa Amini.
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RTP /

Celebrações em cidades iranianas com notícia da morte de Khamenei

O anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, provocou festejos em Teerão, onde os moradores aplaudiram das suas janelas e tocaram música, enquanto gritos de alegria ecoaram pouco depois das 23h00 locais, segundo várias testemunhas.

"Ali Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto", anunciou Trump na sua rede social Truth Social, a partir da sua luxuosa residência na Florida, onde supervisiona a campanha militar que está a mudar a face do Médio Oriente.

"Foi incapaz de escapar à nossa inteligência e aos nossos sofisticados sistemas de rastreio e, em estreita cooperação com Israel, nada pôde fazer, tal como os líderes mortos como ele", escreveu o líder republicano.

A campanha de bombardeamentos vai continuar "durante toda a semana", acrescentou o presidente norte-americano, acreditando que o povo iraniano tem a sua "maior hipótese" de "retomar" o controlo do país.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já tinha declarado que existiam "numerosos indícios" de que Ali Khamenei tinha sido morto num ataque ao seu complexo.
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RTP /

Pergunta começa a colocar-se, o que vai suceder agora no Irão?

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RTP /

Reza Pahlevi. Morte de Khamenei relega República Islâmica do Irão "para o lixo"

Com a morte de Khamenei, a República Islâmica do Irão foi relegada para a "lixeira da história", celebra o filho do Xá.

"Com a sua morte, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e em breve será relegada para a lixeira da História", escreveu Reza Pahlavi no X, apelando os iranianos a reclamarem o poder nas ruas. 
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Momento-Chave
RTP /

Donald Trump confirma na rede Truth Social que Ali Khamenei "está morto"

"Era uma das pessas mais perversas da História e está morto", escreve o presidente dos EUA.
O presidente apela ainda às forças de segurança iranianas que deponham as armas.

O corpo do Líder Supremo "foi recuperado dos escombros do seu complexo", informou a emissora pública israelita KAN. 

Segundo o Canal 12, "foi mostrada uma foto do corpo a Netanyahu e Trump".


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