Ministério Público sublinha que indícios contra Sócrates estão consolidados

José Sócrates deixa de estar em prisão domiciliária. O ex-primeiro-ministro foi libertado, estando agora apenas impedido de se ausentar do país. O advogado Rogério Alves sublinha que o comunicado da Procuradoria-Geral da República indica que, nesta fase da investigação, os indícios já se encontram mais consolidados.

RTP /
"Portanto, neste momento já é mais claro para o MP a relação entre estes índicios e os factos que poderão ser imputados aos arguidos", explicou o advogado, havendo menos suscetibilidades de a prova, conservação da prova e recolha da prova serem perturbadas. Este era um dos riscos que era apontado pelas autoridades para justificar a medida de coação até agora aplicada.

"Considerando que, agora, esse risco já não existe, o Ministério Público promoveu a alteração da medida de coação", esclareceu. O advogado sublinhou que a investigação ainda se encontra a decorrer e que irá acabar numa acusação ou num arquivamento.

Rogério Alves explicita ainda que, para além da alteração da medida de coação, os arguidos passarão a ter acesso ao processo. A defesa "deixa de estar no desconhecimento", entrando a investigação numa "fase mais interativa". "Será uma fase mais participada, mais contraditória e mais viva", aclarou ainda.

O advogado considera que o Ministério Público vai tentar deduzir a acusação o mais rapidamente possível, mas não arrisca datas. "Há de continuar a ter alguma paciência", conclui o advogado.

O antigo primeiro-ministro deixa agora de estar sujeito à prisão domiciliária, mas permanece impedido de se ausentar do país e de contactar com os restantes arguidos da %u201COperação Marquês%u201D. Também Carlos Santos Silva, empresário e amigo de longa data do antigo secretário-geral do PS, passa a estar em liberdade.
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