Moção de censura. PCP reserva voto, BE critica motivos do Chega, Livre fala em "folclore"

Moção de censura. PCP reserva voto, BE critica motivos do Chega, Livre fala em "folclore"

A esquerda uniu-se para sublinhar dúvidas sobre a moção de censura apresentada esta quarta-feira pelo Chega, em protesto contra a manutenção de Luís Neves como ministro da Administração Interna, apesar das suspeitas que envolvem a sua conduta.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Pedro A.Pina - RTP

Mesmo concordando que o Governo PSD/CDS-PP merece censura, o Partido Comunista Português criticou o Chega, acusando-o de só pretender "malabarismos políticos" com a sua moção, anunciada esta tarde pelo líder André Ventura.
 
A partir da sede do PCP em Lisboa, o dirigente Vladimiro Vale afirmou que "os factos que envolvem o ministro da Administração Interna exigem esclarecimentos que até ao momento não foram prestados" e que "o Governo PSD/CDS e a sua política merecem toda a censura". "O Chega não quer esclarecimentos, quer mais espaço para malabarismos políticos" e "esta moção de censura serve sobretudo para disfarçar a convergência do Chega com as opções políticas e ideológicas do Governo", afirmou Vale.

O dirigente comunista revelou também que o partido reservou para mais tarde o anúncio do seu sentido de voto. "Estamos em apuramento", adiantou. "Estarão todas as opções em aberto".

A opção de votar a favor da moção estará apesar disso excluída. 

"Não tem sido essa a nossa prática. Temos mantido alguma barreira desse ponto de vista", admitiu Vladimiro Vale.
Outros motivos de censura para o BE
Também o Bloco de Esquerda considerou que a moção do Chega falha nos motivos pelos quais Governo merece censura, mesmo admitindo que "Luís Neves se tem tornado um agente de confusão", reconheceu o coordenador nacional do partido, José Pureza. 

A moção "não tem nada a ver com aquilo que é essencial censurar na política do Governo" afirmou, referindo "a subida do preço das casas, da conta do supermercado, dos combustíveis", além do fato dos "salários e as pensões chegarem cada vez menos ao fim do mês para pagar as contas da eletricidade, da casa ou do supermercado". 

André Ventura não censurou o Governo por causa disso", apontou Pureza, apesar de considerar que o ministro da Administração Interna "não pode ser um agente de confusão". José Manuel Pureza evidenciou que não pediu a demissão do ministro, reconhecendo que a moção de censura poderá forçar a saída de Luís Neves. 

Sem mencionar formalmente o sentido de voto do BE, o coordenador nacional acrescentou, durante a conferência de imprensa que decorreu ao final da tarde de hoje em Coimbra, que "esta moção de censura é, pura e simplesmente, o instrumento de um campeonato entre o Chega e os outros partidos da direita", para "saber quem é mais radical".
Livre nunca votou a favor uma moção de censura do Chega

"Assistimos a mais um episódio de folclore", acusou por seu lado a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, sobre o anúncio de André Ventura, esta tarde.

"É certo que Luís Neves tem várias explicações para dar, que o primeiro-ministro tem que se pronunciar, mas também é certo que Luís Neves virá ao parlamento dia 08", sustentou, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República (AR).

Lembrando que, de acordo com o regimento da AR, a entrega esta quarta-feira da moção de censura irá "atirar o debate para segunda-feira, dia 7 de setembro", a deputada frisou que a audição parlamentar do ministro da Administração Interna, Luís Neves, irá ter lugar no dia seguinte.

Um desrespeito do "tempo do parlamento", considerou, acusando o partido liderado por André Ventura de "cavalgar sempre a maior polémica para estar sempre na crista da onda e ocupar todo o espaço mediático", impedindo que se debatam outros temas que "verdadeiramente preocupam o país".

Interrogada sobre o voto da sua bancada na moção de censura, Isabel Mendes Lopes remeteu a decisão final para os órgãos internos do partido, mas realçou que o Livre nunca votou favoravelmente uma moção de censura do Chega.
Derrota pré-anunciada, adiantou PSD

Enquanto o líder socialista, José Luís Carneiro, afirmou, ainda antes do Chega anunciar a moção de censura que, por parte do PS, não haverá lugar a uma crise política, em entrevista à RTP, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, disse não perceber a moção de censura apresentada ao Governo, afirmando que esta é "uma derrota parlamentar pré-anunciada" para o partido.

Bugalho acusou Ventura de "querer antecipar a sentença antes de fazer perguntas", ao avançar com uma moção de censura antes da Comissão de Inquérito ao ministro da Administração Interna, Luís Neves.

"Era a mesma coisa que estarmos num tribunal e condenarmos alguém antes do julgamento"
, disse o eurodeputado.

Sebastião Bugalho acusou ainda Ventura de dar uma justificação "quase excêntrica" para a moção de censura e pergunta: "O que falta responder? Quantas mais vezes é que o ministro tem de se explicar?".

c/Lusa 
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