Moratória na caça à rola entre Portugal e Espanha é "pertinente e urgente" - Instituto

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O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas considera "pertinente e urgente" que Portugal e Espanha estabeleçam uma moratória da caça à rola, pelo menos por três anos, para proteger esta espécie.

"Tendo em conta o decréscimo acentuado da população nidificante (...) entende-se ser pertinente e urgente a articulação luso-espanhola (e eventualmente com outros países da área de distribuição da espécie), no sentido de estabelecer uma moratória da caça à rola comum, para um período nunca inferior a três anos", defende o ICNF.

Em resposta a questões da agência Lusa, a entidade tutelada pelos ministérios da Agricultura e do Ambiente refere ainda o acompanhamento da moratória da realização de avaliações anuais e de um Plano de Gestão Ibérico para a rola.

A Coligação C6, que reúne seis associações de defesa do ambiente, exigiu na terça-feira a proibição da caça à rola brava, uma espécie em risco de extinção, para evitar o seu desaparecimento, uma preocupação também transmitida pelas entidades representativas dos caçadores.

A rola brava (ou rola comum) é uma espécie migradora que "está a desaparecer a um ritmo galopante em Portugal e na Europa", alertam os ambientalistas, apontando que a situação da espécie no espaço europeu "é muito grave, estimando-se que a sua população tenha decrescido 73% nos últimos 20 anos".

O ICNF cita o Esquema Pan-Europeu para a Monitorização de Aves Comuns, que reúne dados de 25 países, e aponta uma redução de 69% entre 1980 e 2009, enquanto entre 1990 e 2009, a quebra é de 22%, e, no Censo de Aves Comuns, a diminuição média entre 2004 e 2010 é de 31%.

Desde 2006, existe um Plano de Gestão da União Europeia para a rola comum e, em Portugal, "está a ser feito um esforço na redução do impacto da caça nas populações de rola comum", refere o ICNF, mas o início da caça à rola está marcado para domingo.

"A confirmar-se a redução a nível mundial destas populações, será de considerar a adoção de medidas adicionais de contenção do esforço de caça, tais como o estabelecimento de planos de atuação conjuntos entre Estados onde tal espécie é caçada, onde claramente a Espanha terá obrigatoriamente de ser incluída", afirma o ICNF.

As causas para a redução da população de rola, mais acentuada nas regiões beirãs, no Ribatejo e no Oeste, regiões de maior abundância desta ave, relacionam-se com a sua sensibilidade à perda e degradação do habitat de reprodução, principalmente devido à intensificação da atividade agrícola e florestal, sendo também "muito vulnerável à caça excessiva".

Esta espécie está também muito dependente do regime de chuvas na região onde inverna, no continente africano.

"Os números atuais, pouco precisos, indicam que pelo menos 10% da população é caçada anualmente na Europa, realça o INCF.

EA // MAG

Tópicos:

Censo, Florestas, Monitorização,

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