Mortes em acidentes ferroviários diminuíram, mas passagens de nível voltam ao topo das ocorrências

Mortes em acidentes ferroviários diminuíram, mas passagens de nível voltam ao topo das ocorrências

Foram registadas 14 mortes em acidentes ferroviários no ano passado, menos seis que em 2024 - é o segundo valor mais baixo da última década. Apesar da redução da mortalidade, houve um aumento de acidentes nas passagens de nível, tornando-se novamente no principal tipo de ocorrência na ferrovia.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

O Relatório Anual de Segurança Ferroviária de 2025, divulgado esta terça-feira pelo Instituto de Mobilidade e de Transportes (IMT), mostra que o ano passado apresentou o segundo valor mais baixo de mortes da última década, desde 2016, em acidentes ferroviários.

Apenas 2022 apresenta um registo melhor, na altura com 12 mortes. Com o número do ano passado, é iniciada uma nova trajetória de descida, depois do ciclo quebrado em 2023 - o valor mais alto tinha sido em 2019, quando houve 32 mortes registadas em acidentes ferroviários.



O IMT considera que a melhoria "reflete o esforço continuado de investimento em prevenção, modernização da infraestrutura e reforço da cultura de segurança no setor ferroviário nacional". No entanto, o balanço que faz sobre os acidentes em passagens de nível não é tão positivo.

Apesar da diminuição da mortalidade, houve um aumento de acidentes nas passagens de nível no ano passado: passaram de 5 ocorrências em 2024 para 11 no ano passado, o terceiro número mais elevado da última década.


Dentro dessa estatística, os acidentes em passagens de nível passaram a ser o tipo de ocorrência mais relevantes entre as mortes em acidentes ferroviários - 9 em 14 mortes (64%), ultrapassando as colhidas que representavam o principal fator.



"Este aumento reforça a necessidade de gerir o risco tendo em conta a interação entre o transporte rodoviário e o ferroviário", aponta o IMT. A Infraestruturas de Portugal (IP) tem um plano para baixar o número de passagens de nível em Portugal, mas ainda existiam 763 no país em 2025 (eram 785 em 2024).

"Embora a supressão de passagens de nível continue a ser a medida mais eficaz para eliminar este tipo de acidentes, a sua concretização nem sempre é possível devido à complexidade técnica e aos elevados investimentos necessários", realça o IMT.

O plano da IP prevê a supressão de 135 passagens de nível consideradas de maior risco e a reclassificação de outras 237, num investimento 316 milhões de euros até 2030. Até ao final de 2026, a gestora ferroviária apontava à RTP Antena 1 o objetivo de suprimir 16 passagens de nível e proceder a 31 automatizações.

Segundo António Viana, coordenador da Estrutura de Missão para a redução da sinistralidade na IP, serão suprimidas todas as passagens de nível rodoviárias da Linha do Norte, da Linha da Beira Alta, da Linha do Alentejo e da Linha de Évora.

"O relatório anual identifica, também, um aumento dos precursores de acidentes (120), nomeadamente deformações de via e carris partidos", assinala ainda o IMT sobre o relatório do ano passado, acrescentando que "tendo em vista a melhoria da segurança ferroviária, foram realizadas, em 2025, 45 ações de supervisão, das quais resultaram 69 medidas corretivas".
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