Habitantes de povoação na Azambuja autorizados a regressar a casa
Os habitantes da localidade de Póvoa de Manique, no concelho da Azambuja (Lisboa), que tinham sido retirados por causa do impacto do mau tempo na barragem da Retorta, tiveram autorização para regressar a casa, anunciou hoje o município.
Em comunicado, a Câmara Municipal da Azambuja garantiu que estão reunidas as condições de segurança da barragem da Retorta, localizada na Quinta da Torre Bela, depois de ter sido feita hoje uma avaliação técnica pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
A informação sobre as condições de segurança desta pequena barragem e sobre a possibilidade de regresso às habitações foi transmitida hoje à população, numa sessão de esclarecimento.
Na mesma sessão, a autarquia informou os habitantes de que "o centro de saúde poderá reabrir, retomando o seu funcionamento habitual", e que a escola da localidade também poderá retomar a atividade letiva a partir de quarta-feira.
No passado dia 06, a Câmara Municipal da Azambuja decidiu retirar preventivamente cerca de 30 pessoas nos lugares de Póvoa de Manique e Carvalhos, no concelho de Azambuja, devido ao risco de instabilidade no que designaram açude, provocado pela chuva intensa.
Essas três dezenas de pessoas retiradas tinham sido encaminhadas para o quartel dos Bombeiros Voluntários Alcoentre, disse, na altura, a vereadora da Proteção Civil da Câmara de Azambuja, Ana Coelho, à agência Lusa.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas nas últimas semanas pela sucessão de depressões atmosféricas ocorridas em Portugal e que causaram 16 mortos, centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Proteção Civil registou 377 ocorrências até às 18h00
A Proteção Civil registou hoje, até às 18:00, 377 ocorrências relacionadas com a situação meteorológica adversa que está a afetar o território de Portugal continental.
Num ponto de situação, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicou em comunicado que entre as 00:00 e as 18:00 de hoje foram registadas 377 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sem especificar quais.
De acordo com os dados divulgados, desde as 16:00 do dia 01 de fevereiro até às 18:00 de hoje foram registadas um total de 18.762 ocorrências.
As sub-regiões mais afetadas foram a Sub-Região Coimbra, com 2.600 ocorrências, a Sub-Região Oeste, com 2.277, e a Sub-Região Grande Lisboa, com 1.840.
De entre as tipologias de ocorrência mais registadas destaque para as quedas de árvores com 5.574, seguida de inundações (5.153), quedas de estruturas (3.024), movimentos de massa, vulgarmente conhecidos como deslizamento de terras (2.914), limpeza de vias (1.852), salvamento aquáticos (162) e salvamentos terrestres (83).
Segundo a Proteção Civil, na resposta a estas ocorrências estiveram envolvidos 63.685 operacionais, apoiados por 26.087 meios.
A ANEPC recordou que o impacto dos efeitos do mau tempo pode ser minimizado através da adoção de comportamentos preventivos adequados recomendando, em particular nas zonas historicamente mais vulneráveis, que se evite qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações.
A autoridade apelou ainda a que sejam retirados das zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e outros bens, colocando-os em locais seguros e que não se atravessem zonas e estradas inundadas, além de túneis e passagens inferiores.
Se estiver a conduzir, pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água, referiu ainda a nota informativa da ANEPC.
Em casa, a Proteção Civil sugere que os cidadãos se mantenham nos andares superiores ou pontos altos, que se afastem equipamentos elétricos da água e se desligue o gás e a eletricidade, se for seguro.
"Se tiver de abandonar a habitação leve apenas o essencial e siga rotas seguras", aconselhou ainda, apelando a que a população esteja atenta a sinais que podem indicar instabilidade do terreno (fendas; muros, postes e árvores inclinados; saída de água barrenta do solo), e que em caso de observar algum destes sinais, "se afaste de imediato".
Em caso de encontrar uma linha elétrica caída ou cabos à expostos, a autoridade pede que se afaste "de imediato, pois existe perigo de eletrocussão, e reporte a situação à E-REDES (800 506 506)".
"Não toque nem tente afastar cabos - nem com paus, ferramentas ou quaisquer outros objetos" e, se estiver num veículo que tocou num cabo elétrico, a ANEPC pede que permaneça dentro do veículo e peça ajuda de imediato.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15, domingo, para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Número de clientes sem energia em Portugal desce para 26 mil
O número de clientes da E-Redes sem abastecimento de energia elétrica em Portugal continental desceu, sendo às 17:00 de hoje 26 mil, a maioria nas zonas de maior impacto da depressão Kristin, devido aos efeitos das condições climatéricas adversas.
Num balanço relativo às 17:00, a empresa indicou que na zona mais crítica, a essa hora, estavam ainda cerca de 16 mil clientes sem energia.
Num comunicado hoje divulgado, a E-Redes afirmou que "tem continuado focada em restabelecer o fornecimento de energia elétrica, em particular nas zonas de maior impacto da depressão Kristin".
No anterior balanço, hoje pelas 08:00, a E-Redes apontava para cerca de 19 mil clientes sem energia na zona mais crítica e 31 mil clientes sem energia no total do território continental.
Na nota informativa, a E-Redes também reforçou "o alerta para que, caso identifique infraestruturas elétricas caídas ou danificadas, se mantenha afastado e reporte a situação à E-Redes (800 506 506 ou balcaodigital.e-redes.pt)".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
CEO do Montepio: "Apoios surgiram de uma forma mais abrangente, mais rapidamente" após tempestades
O CEO do Banco Montepio destaca a rapidez com que os apoios financeiros foram colocados à disposição das pessoas e das empresas afetadas pelas tempestades onde foi declarado o estado de calamidade.
Imagem e edição de vídeo: Pedro Chitas
Refere que, para já, a procura por informação sobre os apoios financeiros e as moratórias é bastante, mas que nem toda essa procura ainda se materializou porque particulares e empresas procuram avaliar melhor os estragos para determinar se se justifica pedir o apoio financeiro. Pelas contas do CEO do Montepio, em termos gerais, cerca de 10 a 15 por cento da carteira de crédito pode estar nas áreas afetadas. Isto significa que há risco de incumprimento, mas esse risco pode ser mitigado se as medidas de apoio avançarem rapidamente para o terreno e forem bem aplicadas. Sobre a atribuição de verbas a fundo perdido, Pedro Leitão considera que a existência de mais opções é sempre positiva, desde que os critérios sejam concretos e de fácil compreensão para serem usados de forma complementar. Sobre a garantia pública à compra de habitação pelos jovens, o CEO do Banco Montepio revela à Antena 1 e ao Jornal de Negócios que a procura tem sido muito grande. O montante inicial atribuído esgotou-se rapidamente. A linha foi reforçada para os 60 milhões de euros e deste montante 2/3 já estão comprometidos, sendo que o ano passado do total de crédito concedido, 41 por cento, foi a jovens e, destes, uma parte significativa com garantia do Estado, um instrumento que, considera, deve continuar. Ao contrário de outros CEO de bancos, Pedro Leitão não vê necessidade de financiar os créditos à habitação a 100 por cento. Na semana em que foram apresentados os resultados do banco, acima dos 100 milhões de euros, Pedro Leitão que, já se sabe, vai deixar a presidência executiva do Montepio, prefere não adiantar o valor dos dividendos a atribuir, mas, ainda assim, refere que não serão inferiores aos 30 milhões do ano passado. Pedro Leitão diz que é preciso ter sentido de responsabilidade e critério e lembra que com a sua administração foi possível quebrar um "jejum de 12 anos em que não foi possível distribuir dividendos". Neste sentido refere ao Conversa Capital que, ao contrário do que acontecia quando chegou ao banco, em 2020, só é possível distribuir dividendos porque os resultados têm vindo a crescer, ascendendo atualmente a mais de 100 milhões. Isso acontece, diz, porque os níveis de capital deixaram de estar no zero, como no passado, permitindo ter uma almofada financeira confortável, porque o malparado de 2 mil milhões de euros foi limpo do balanço e porque, ao contrário do que acontecia há seis anos, o banco, em vez de se financiar com um spread de 10 por cento, hoje vai ao mercado com 1,48. Pedro Leitão diz mesmo que foi o "turn around mais vibrante da história recente da banca em Portugal". Sobre a sua saída do Banco, não admite ter ficado surpreendido e prefere dizer que se deve olhar para a situação com "normalidade", lembrando que o trabalho que lhe foi pedido de conseguir um banco robusto e sustentável está cumprido, o contributo é inequívoco e o "algodão não engana". . Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Hugo Neutel, do Jornal de Negócios.
Pescas paradas. Tempestades impediram pescadores de irem ao mar
O mau tempo está a ter um forte impacto no sector das pescas. O comboio de tempestades impediu os pescadores de saírem para o mar durante várias semanas.
Castelo de Torres Vedras encerrado devido ao risco de derrocada
Depois das tempestades, há risco de derrocadas e deslizamentos de terras em grande parte do país.
Mais de 100 mil sinistros participados às seguradoras
A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) avançou hoje ter participados mais de 100 mil sinistros, metade dos quais comunicados na ultima semana, referindo que desde a primeira hora as seguradoras estão no terreno das zonas afetadas.
De acordo com a nota, "75% dos sinistros já foram objeto de 1ª peritagem, de adiantamento, ou pagamento total ou parcial das indemnizações, e/ou aguardam o envio de orçamentos ou documentos comprovativos dos danos sofridos para serem definitivamente dados como concluídos".
Aqueles que ainda não têm peritagens feitas deve-se, na maioria dos casos e de acordo com a APS "a problemas de acesso aos locais, inundados ou com vias interditadas, ou respeitam a participações efetuadas muito recentemente".
Segundo a nota, as seguradoras estão no terreno, "desde a primeira hora do dia 28 de janeiro", com equipas multidisciplinares que incluem "centenas de peritos, a apoiar os seus clientes, em estreita colaboração com as autarquias afetadas por esta sucessão de tempestades, muitas delas também segurados".
Para a associação representativa do setor, o compromisso assumido com o Governo de ter 80% das peritagens efetuadas nos 15 dias após essa participação "está a ser plenamente cumprido -- e até superado".
O organismo refere que tal só foi possível "graças à capacidade de organização e decisão das empresas de seguros que, desde logo, por iniciativa própria e sem necessidade de apelos a que o fizessem, implementaram medidas excecionais para acelerar a avaliação, a reparação ou o adiantamento de verbas para os seus clientes poderem fazer face aos prejuízos, sempre que tal se revela possível".
Segundo a APS, as medidas de flexibilização e agilização dos procedimentos adotadas, são tomadas num quadro de "adequada e equilibrada resposta à urgência que a situação impõe, mas tendo sempre em conta que as indemnizações pagas pelas empresas de seguros são pagas com o dinheiro proveniente dos prémios recebidos dos seus clientes", e que estas gerem de "modo rigoroso e responsável, sem nunca comprometer o cumprimento dos contratos e das garantias que assumem perante quem nelas depositou a sua confiança".
A APS adianta ainda estar a recolher informação de todas as seguradoras, e que as próprias seguradoras "têm estado permanentemente acessíveis e disponíveis para partilhar essa informação, atualizada, credível e fiável, e têm-no feito sempre que tal foi solicitado".
Hoje, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em visita ao concelho de Alcácel do Sal, assolado por cheias, afirmou que falou com o presidente daquela associação e que, até ao momento, tinham sido recebidas cerca de 100 mil participações para a cobertura de prejuízos, das quais foram despachadas 12 mil.
Ereira continua isolada. Moradores só saem com ajuda da marinha e exército
Em Montemor-o-Velho a água continua alta, mas muitos acreditam que o pior já passou.
O presidente de Montemor receia que o Europeu de Velocidade de Canoagem possa estar em risco e pede apoios para os agricultores do vale do Mondego
Afastado risco de cheias. Lojas da baixa de Coimbra reabriram
Está afastado para já o risco de cheias em Coimbra. A barragem da Aguieira estabilizou e a água no Mondego está a descer.
Há prejuízos na cidade e nem os campos de treino da académica escaparam.
Fundo de Emergência Social da Cáritas de Leiria já angariou mais de 1,5 milhões de euros
O Fundo de Emergência Social lançado pela Cáritas Diocesana de Leiria para apoio às famílias diretamente afetadas pelos danos provocados pela depressão Kristin angariou mais de 1,5 milhão de euros até este sábado, foi hoje anunciado.
A instituição salientou, em comunicado, que o valor angariado de 1.573.112,06 euros reflete a "solidariedade contínua da sociedade portuguesa e a confiança depositada numa resposta que se quer humana, rigorosa e transparente".
A Cáritas Diocesana de Leiria anunciou que irá reunir-se, na próxima quarta-feira, às 14:00, no Seminário Diocesano de Leiria, com os presidentes de Junta e dos municípios das áreas afetadas integradas no território da Diocese de Leiria-Fátima, "no seguimento do compromisso assumido com uma gestão transparente e articulada do Fundo".
Na reunião, vai apresentar e esclarecer o funcionamento do Fundo de Emergência Social -- Tempestade Kristin, nomeadamente o seu Regulamento Interno, e os procedimentos e critérios de atribuição de apoios, reforçando a articulação institucional e a transparência de todo o processo.
"A Cáritas Diocesana de Leiria reafirma o seu compromisso de permanecer no terreno, acompanhando as famílias, sinalizando necessidades e mobilizando recursos", lê-se no comunicado, no qual a instituição apela ao país para não esquecer as zonas mais afetadas.
Em virtude da reorganização logística dos seus armazéns, informou ainda que hoje e domingo não procede à entrega de cabazes alimentares nem à distribuição de bens nas comunidades.
"Esta reorganização é essencial para assegurar uma gestão mais eficiente, rigorosa e equitativa das doações recebidas, reforçando a capacidade de resposta nos próximos dias", sustentou a instituição.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
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O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
PR diz que eleitores de concelhos onde eleições foram adiadas vão votar no domingo
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que os eleitores dos concelhos onde as presidenciais foram adiadas vão `responder à chamada` e votar nas eleições que se realizam no domingo neste concelho.
"Eu vinha [votar] com certeza e aí há uma coisa que os portugueses mostraram, que é, quanto maior é o desafio, mais lá estão na mesa de voto", afirmou o chefe de Estado, durante uma visita a Alcácer do Sal, cuja marginal esteve inundada devido às cheias no Rio Sado.
As eleições presidenciais realizam-se, no domingo, no concelho de Alcácer do Sal, após a câmara ter decidido o adiamento do sufrágio, marcado para dia 08, por não estarem reunidas as condições de segurança necessárias para o ato eleitoral.
Além de Alcácer do Sal, também os concelhos de Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, Golegã, no de Santarém, vão ter eleições presidenciais este domingo.
Nas declarações aos jornalistas, o chefe de Estado disse que os portugueses votam, em qualquer que seja a votação, porque entendem que "é fundamental" para a sua vida: "Se não sou eu a ir votar, então, quem é que vai?", aludiu.
Questionado pelos jornalistas sobre se não haverá pouca motivação entre os eleitores para votar, uma vez que já um presidente eleito, Marcelo respondeu que considera o contrário.
António José Seguro foi eleito, no dia 08 deste mês, Presidente da República com cerca de dois terços dos votos expressos, somando aproximadamente 3,48 milhões de votos, quando faltam ainda apurar 20 freguesias de oito municípios.
André Ventura obteve mais de 1,7 milhões de votos.
O Presidente da República eleito alcançou uma percentagem próxima dos 67%, enquanto o líder do Chega superou os 33%.
A tomada de posse do novo chefe de Estado realiza-se no dia 09 de março.
Nível do rio Tejo deve continuar a descer durante a noite
O nível do rio Tejo manteve a tendência de descida ao longo de todo o dia e a expectativa das autoridades é que continue a baixar durante a noite e a madrugada, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.
O rio está com a "situação a estabilizar em alta" e espera-se que vá "paulatinamente descendo durante o resto da noite", embora ainda haja "bastante caudal", afirmou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato.
A mesma fonte indicou que ainda se registam "caudais de 4.000 metros cúbicos por segundo em Almourol", Vila Nova da Barquinha, e, embora a barragem de Castelo de Bode esteja a fazer descargas, o volume de água libertado está a ser "conjugado com as barragens espanholas" para garantir que o nível do Tejo continua a descer.
"Não é expectável que tenhamos problemas, portanto, está a ser um final de tarde muito mais descansado e esperamos que amanhã continue assim", antecipou, perante as previsões que apontam para uma melhoria das condições climatéricas e a redução da precipitação.
David Lobato adiantou ainda que, caso estas expectativas se confirmem, na segunda-feira, o nível de alerta do plano da Proteção Civil distrital de Santarém poderá descer do vermelho para o laranja ou, "eventualmente, até ao amarelo".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu em 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Espetáculo solidário "Amor ao Centro" rendeu 18.707 euros
A campanha de angariação de fundos do concerto solidário "Amor ao Centro", de apoio às vítimas da depressão Kristin, reuniu 18.707 euros para as associações ATLAS e Sharing Love, revelou hoje à Lusa fonte da organização.
"Amor ao Centro" é um evento solidário que aconteceu no passado dia 11 na Casa Capitão, em Lisboa, com a atuação de vários artistas, como Ana Lua Caiano, Bia Maria, Iolanda, Joana Espadinha e Surma, e com uma angariação de fundos na plataforma GoFundMe, que terminou na sexta-feira.
De acordo com a organização, foram angariados 18.707 euros, dos quais 11.107 euros resultaram da campanha online e 7.600 de receita de bilheteira daquele espetáculo.
O dinheiro angariado reverte, na totalidade, para duas associações que "atuam diretamente em zonas carenciadas": A ATLAS, com sede em Coimbra, mas que atua em todo o território, nomeadamente nas cidades de Coimbra, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Alcobaça e Batalha, e a Sharing Love - Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, que atua em Ourém.
O espetáculo reuniu artistas com forte ligação ao Centro do país ou com amigos, famílias e até casas impactadas pela tempestade.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas nas últimas semanas pela sucessão de depressões atmosféricas ocorridas em Portugal e que causaram 16 mortos, centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Família de Leiria abrigou-se num roupeiro durante a tempestade
Uma família de quatro teve de se abrigar num roupeiro durante a passagem da depressão Kristin. A casa nos Milagres, em Leiria, ficou sem teto.
Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria apela à prorrogação da isenção de portagens
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria remeteu hoje um ofício a ao Presidente da República a solicitar a prorrogação do regime excecional e temporário de isenção do pagamento de taxas de portagem nas principais autoestradas que servem o território, na sequência da tempestade Kristin e dos fenómenos meteorológicos que se lhe seguiram.
“As vias alternativas às autoestradas abrangidas pela isenção, nomeadamente a EN1/IC2 e a EN242, permanecem fortemente condicionadas, estando em curso intervenções de estabilização de taludes, reposição de pavimentos e limpeza de resíduos florestais”, acrescenta.
“Neste contexto, a reposição das portagens já no próximo dia 15 de fevereiro representaria um encargo acrescido para famílias e empresas que continuam a enfrentar sérias dificuldades, numa fase em que a prioridade deve ser a recuperação económica e social da região”, argumenta.
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, em representação dos seus dez municípios, entende, por isso, que a isenção deve manter-se, pelo menos, “até que estejam reunidas condições mínimas de circulação nas vias alternativas, garantindo assim uma solução justa e adequada à realidade vivida no território”.
Marinha Grande queixa-se de ter quase 20% do território sem eletricidade
Cerca de 4.400 clientes do município da Marinha Grande, correspondente a 19% do concelho, estavam sexta-feira à noite sem eletricidade, divulgou hoje a Câmara Municipal do distrito de Leiria.
"A recuperação da rede elétrica tem sido uma preocupação prioritária", salientou a autarquia, em comunicado, já depois de na sexta-feira ter sido aprovada uma nota de repúdio na Assembleia Municipal contra a demora na reposição da energia.
De acordo com a nota, dos 334 postos de transformação existentes no concelho 20 permanecem sem abastecimento de energia, enquanto 22 geradores ligados pela E-Redes estão a funcionar.
A E-REDES informou hoje que na zona mais crítica, às 08:00, cerca de 19.000 clientes estavam sem energia e que no total do território continental o número ascendia a 31.000 clientes.
No balanço aos estragos da depressão Kristin, a Câmara da Marinha Grande estimou hoje que 95% do tecido empresarial do concelho foi afetado, além de danos em todo o tecido associativo do concelho e nos equipamentos desportivos e culturais.
Também contabilizou já 2.100 pedidos registados no balcão de apoio instalado pelo município.
As escolas do concelho foram sendo reabertas de forma faseada, após avaliações técnicas e intervenções de segurança realizadas nos últimos dias, mas dos 30 estabelecimentos de ensino.
No terreno, segundo a Câmara Municipal, andam 52 militares do Exército, 60 elementos da Marinha Portuguesa, 10 militares da Força Aérea, 190 agentes da PSP mobilizados na região, 22 elementos da GNR, além das equipas municipais e numerosos voluntários locais.
O município já recebeu cerca de 1.000 referenciações sociais, atualmente em acompanhamento pelos serviços municipais, sendo que as situações de maior fragilidade emocional estão a ser encaminhadas para o Projeto Manicómio, que garante resposta psicológica especializada.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Marcelo propõe criação de fundo de calamidade
De visita a Alcácer do Sal, Marcelo Rebelo de Sousa propôs a criação de um fundo de calamidade, como existe, por exemplo, em Espanha e França.
“Novas situações obrigam a novas soluções”, asseverou.
Sem luz há mais 15 dias. Idoso depende de fio improvisado para ligar máquina de oxigénio
No Sobral, a poucos minutos de Leiria, numa aldeia onde a vida costuma correr tranquila, a tempestade já passou, mas Guilhermino, de 80 anos, vive sem luz há mais de 15 dias e todas as noites, um fio improvisado de eletricidade garante-lhe o essencial: respirar.
Depois de uma infeção pulmonar, passou a sofrer de apneia do sono e precisa de dormir com uma máscara de oxigénio ligada a uma máquina elétrica.
“Todos os dias durmo com isto, sou obrigado a dormir com isto”, diz, apontando para a máscara de oxigénio que todas as noites o ajuda a respirar.
“Já disse que tenho o meu marido doente, mas eles nada”, lamenta a esposa.
Um fio pela janela
A solução chegou apenas esta quarta-feira quando o filho conseguiu eletricidade. Da casa ao lado, puxou um fio elétrico pela janela que atravessa o quintal, e alimenta a máquina de oxigénio através de uma janela da casa de banho.
O cabo entra pela janela, passa por baixo de um tapete, “que é para o meu marido não cair” e segue até ao quarto.
Oxigénio manual
Em casa, o casal tem um aparelho que mede os níveis de oxigénio no sangue. Só em caso de valores abaixo do recomendado é que Guilhermino terá de ser encaminhado para a urgência.
O hospital tem mantido contacto regular com a família e chegou a questionar se seria necessário internamento.
Até agora, Guilhermino tem permanecido em casa, recorrendo ao oxigénio manual.
Desde a noite da tempestade, a esposa de Guilhermino contatou os serviços de avarias e a Junta de Freguesia de Santa Catarina da Serra, mas ainda não há previsão para a reposição da energia.
“Eles dizem ‘Está bem, já sabemos’. Já telefonei à Junta de Freguesia, dizem para telefonarmos para as avarias. Já telefonei duas vezes e eles não vieram.” contou a esposa.
Numa rua onde as luzes já voltaram a acender, há ainda uma casa às escuras.
Deslizamento de terras na zona da Granja provoca corte da EN 115-5, sentido Vialonga - Santa Iria de Azóia
O encerramento da via foi realizado pela Infraestruturas de Portugal e estão neste momento a ser feitas vistorias
O eixo rodoviário também passa pelo concelho de Loures, que diz estar a "acompanhar de perto os trabalhos e a evolução da situação".
Campanha de solidariedade Reerguer Leiria já disponibilizou gratuitamente 300 mil telhas
Relativamente à entrega de telhas, o autarca indicou que já foram disponibilizadas mais de 300 mil a 6.000 contribuintes, acrescido de outros materiais como cimento, cordas e espumas de poliuretano.
A campanha de solidariedade Reerguer Leiria para acudir aos lesados da depressão Kristin já permitiu ajudar 8.677 famílias com alimentos e artigos de higiene e disponibilizar gratuitamente 300 mil telhas.
Prejuízos no Douro. Agricultores pedem apoio do Governo na região
O Douro também sofreu com o excesso de chuva dos últimos dias. Com socalcos destruídos, vinhas arrancadas e acessos cortados, há milhares de euros em estragos. Os viticultores pedem apoio ao Governo.
Em Leiria, há milhares de pessoas sem luz há 18 dias
Em Leiria, milhares de pessoas continuam sem eletricidade. Os prejuízos no concelho podem chegar às centenas de milhões de euros.
Estrutura de missão continua a receber pedidos de ajuda
Já foram apresentadas 34 mil candidaturas ao apoio de 10 mil euros para a reconstrução de casas nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo.
A Estrutura de Missão para a Recuperação de Zonas Afetadas diz que o perímetro do dano está sempre a aumentar na região de Leiria.
Freguesia de Ereira isolada há mais de uma semana
A Marinha, bombeiros e Exército continuam a garantir o abastecimento da aldeia e o transporte das populações.
Mau tempo. Europeu de Velocidade de Canoagem pode estar em risco
O Campeonato, decisivo para a qualificação olímpica, está marcado para junho em Montemor-o-Velho, mas a infraestrutura ficou submersa.
Cheias em Coimbra. Nível do rio baixou mas ainda há zonas alagadas
O alerta mantém-se em Coimbra, mas está afastado o risco de cheia centenária.
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa
O pior já terá passado, mas a população não pode ainda regressar a casa.
Proteção Civil fala em desagravamento tempo, mas chuva regressa domingo
De acordo com o comandante Nacional da Proteção Civil, preveem-se episódios de vento "por vezes forte" no litoral, mas numa condição meteorológica "perfeitamente normal".
Este cenário meteorológico terá, segundo Mário Silvestre, um "impacto positivo na questão hidrológica", nas barragens e no escoamentos da água dos rios. Espera-se, por isso, um "desagravamento a nível nacional".
Mesmo com o melhoramento do tempo, os solos continuam muito saturados de água e ainda há risco de queda de árvores e de derrocadas ou deslizamento de terra.
Ainda há cerca de 19 mil clientes da E-Redes sem eletricidade.
Montemor-o-Velho. Casal de idosos desaparecido desde sexta-feira
O alerta foi dado na sexta-feira à GNR, pelas 19h45. O casal de 68 e 65 anos reside em Verride. Na sexta-feira saiu de casa e não regressou, o que motivou o alerta dos familiares.
As buscas foram iniciadas ainda na sexta-feira, tendo sido suspensas pelas 22h00 e retomadas hoje de manhã com quatro militares da GNR e cinco operacionais dos Bombeiros Voluntários de Soure, com duas viaturas.
Segundo o comandante dos Bombeiros de Soure, João Paulo Contente, as buscas decorrem na zona oeste do concelho, na freguesia de Vinha da rainha, numa zona que abrange os campos agrícolas de arroz do Vale do Pranto.
Caudais no Tejo mantêm-se altos mas com tendência a descer
O comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato, afirmou que a noite passou sem sobressaltos e dentro do que era expectável, "com os caudais bastante altos, mas sem nenhuma situação de relevo" a registar.
"Agora de manhã, mantém-se assim, mantém-se na mesma com os 5.000 metros por segundo em Almourol (Vila Nova da Barquinha), sem expectativas de termos alguns picos ou alguns aumentos", reportou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo.
David Lobato adiantou que as perspetivas da Proteção Civil apontam para que o Tejo "não volte a aumentar" o nível, porque as bacias e as barragens "estão agora a estabilizar" e "não estão a encher".
As zonas mais afetadas e que geram mais preocupação são a zona baixa de Constância, "que já está um bocadinho mais aliviada", e a zona baixa de Vila Nova da Barquinha, que também está "na mesma situação", identificou o comandante sub-regional.
Figueiró dos Vinhos ainda muito limitado nas comunicações
O município foi bastante afetado pela depressão Kristin e existem ainda localidades sem energia elétrica, embora em 96% do território a eletricidade já tenha sido reposta.
Até ao final desta sexta-feira a autarquia tinha reportados danos em cerca de 1.230 edificações, entre habitações, empresas e edifícios públicos.
Já esta manhã, a Câmara de Figueiró dos Vinhos anunciou a abertura da piscina municipal na segunda-feira, nos horários habituais. A piscina continua também disponível para utilização dos balneários, assegurando banhos quentes a munícipes que precisem deste apoio por motivo de falta de energia elétrica.
CAP diz que "é obrigatório tratar todos os agricultores da mesma forma"
Luís Mira, secretário-geral da CAP, salienta que "há prejuízos" um pouco por todo o país e não só nos concelhos onde foi decretado o estado de calamidade. Realça que é necessário tratar todos os agricultores da mesma forma.
"O Estado foi negligente, não cumpriu a sua função", apontou o secretário-geral da CAP.
Em relação aos estragos, houve estragos sobretudo nas estufas e os prejuízos "ainda estão a ser calculados", mas poderão chegar a "mil milhões de euros", entre destruição agrícola e florestal, passando pela destruição de infraestruturas de rega, de equipamentos ou arranque de árvores
Luís Mira salientou ainda que há ajudas da tempestade Martinho do ano passado "que ainda não foram pagas porque não há meios humanos para fazer as verificações".
Por fim, o responsável sublinhou a importância de criar um fundo de emergência ou calamidade para este tipo de situações.
Situação em Montemor-o-Velho continua a preocupar
Em Montemor-o-Velho ainda há inundações e ruas alagadas. Preocupa também o estado do Centro de Alto Rendimento de Canoagem.
Coimbra. Autarquia diz que o pior já passou
O pior cenário não se confirmou relativamente à possibilidade de uma cheia centenária, mas a cidade mantém-se em alerta.
Cerca de 20 mil pessoas continuam sem energia na região de Leiria
À margem de um encontro da comunidade intermunicipal da região de Leiria, Jorge Vala lamenta que não se tenham tirado lições do apagão e refere que está em risco a saúde mental das pessoas ainda a viver sem eletricidade.
Já passaram duas semanas e meia desde a passagem da depressão Kristin.
"Sentimos que houve um alívio no risco". Coimbra mantém cautela apesar de situação mais estável
A situação em Coimbra está "um pouco mais estável", mas a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil não exclui, para já, a possibilidade de uma evacuação da baixa da cidade. A margem esquerda do Mondego está parcialmente inundada há uma semana e a população do outro lado do rio está a prevenir-se para evitar o pior.
A gelataria Doppo, na Praça do Comércio, esteve aberta durante o dia de sexta-feira para os poucos clientes que por lá passaram nos intervalos da chuva. Mas à porta estava um pequeno muro de sacos de areia.
"Já estivemos mais preparados. Sentimos que houve um alívio no risco", contou à RTP o gerente. "Contamos que o risco de inundação da baixa já não exista. Ainda assim, vamos deixar as coisas preparadas para se houver água".
O estabelecimento tem dois pisos e, quando começou o mau tempo, Fernando Castelo Branco decidiu retirar máquinas e colocar sacos de areia e "umas placas" no piso inferior - "porque é na zona mais baixa da Baixa".
"Ontem retirei os equipamentos mais caros, porque o risco era muito, muito grande. Acreditei mesmo que houvesse inundação da Baixa", disse o lojista. "Os equipamento são tão caros que não podia assumir esse risco".
A gelataria está há quatro anos no centro da Baixa de Coimbra e até agora nunca tinha estado em risco de ser alagada, até porque não está mesmo junto ao rio.
"O que aconteceu este ano foi algo excecional", explicou Fernando Castelo-Branco, que reconheceu que "as alterações climáticas apontam" no sentido de que volte a "acontecer no futuro".
Apesar de se manter em "cautela", o gerente deste espaço comercial já não está tão assustado com a previsão da subida do Mondego até à zona central da cidade. "Ontem assustei-me mesmo", conta.Santa Clara alagada
O cenário é diferente quando saímos da Baixa de Coimbra e atravessamos a Ponte de Santa Clara. A zona ribeirinha da margem esquerda está parcialmente inundada: o Mondego extravasou desde o Parque da Canção até às traseiras do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
O rio Mondego é conhecido pelo leito de cheias e nas últimas semanas tem tirado proveito dessa fama. São muitos os concelhos do baixo Mondego que estão a enfrentar as inundações e as ruas alagadas da margem esquerda da cidade espelham bem o aumento do caudal do rio.
O restaurante "Taberna de Portugal", junto ao Portugal dos Pequenitos, está encerrado há uma semana e sem eletricidade. A rua está completamente inundada, sendo impossível circular ou entrar no restaurante.
A água ainda não entrou no interior do estabelecimento, mas com os frigoríficos desligados, grande parte da comida já se estragou.
"Nós não conseguimos trabalhar. Todos os nossos produtos que estavam em frigorífico estragaram-se", lamentou Adriana Fernandes.
Segundo a funcionária deste restaurante conimbricense, "a situação é preocupante" e a maioria das casas e serviços foram já evacuados.
"Todos os dias ficamos aqui até às quatro ou cinco da manhã a ver se a água não sobe. E depois estamos de volta às nove da manhã para ver a situação, porque é bastante preocupante com o rio e as habitações".
É habitual esta rua ficar com "um bocadinho de água", mas nunca "nada tão crítico como agora".
"Já há mais de 20 anos que não acontece assim nada tão crítico", disse ainda Adriana. "A nossa preocupação é não deixar entrar água no restaurante e depois disso restabelecer a normalidade".
Sair de barco e entrar de galochas
Umas ruas mais abaixo, nas traseiras do Mosteiro de Santa Clara, há uns quantos prédios com caves e garagens quase submersas. E em frente habitações térreas completamente inundadas.
De galochas, Ana Paula Pedro mostrou à RTP a casa dos pais completamente alagada.
"A casa está num estado lastimoso, está tudo alagado", disse, quando tentava "ir à cozinha" mas com dificuldade porque "as botas já não permitem com a altura da água".
A habitação onde também viveu, quando era criança, tem ainda primeiro e segundo andar, a que os pais de Ana Paula estão limitados há três dias. Os eletrodomésticos, o sofá e os móveis do rés do chão estão "debaixo de água".
"Está tudo destruído", lamentou. "Desde que me lembro, sempre houve cheias. Mas não com esta dimensão".
Antigamente, recordou, o pai "tinha de sair do primeiro andar de barco", quando havia cheias do Mondego. Mas essas eram "histórias muito antigas".
Na porta da casa vêem sacos de areia e uma mangueira a drenar a água do interior da casa para a rua.
"Isto está melhor do que ontem", assegurou, não deixando de admitir "que é uma tristeza" ver os danos.
"O que vale é que tem o primeiro e o segundo andar e resolvemos a situação".
Previa-se que a situação fosse pior na cidade, que o nível do rio aumentasse mais nas últimas horas, o que não aconteceu e levou à decisão de evitar as evacuações de algumas casas, como neste caso.
Não houve para já uma "inundação centenária", mas a população de Coimbra vai continuar em alerta enquanto o tempo não melhora e o Mondego não regressa ao leito habitual.
Coimbra em alerta. Escolas e universidade estiveram fechadas
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O primeiro-ministro pediu às câmaras municipais rapidez nas vistorias para que os apoios cheguem a quem precisa recuperar as casas.
Ameaça de "cheia centenária". Coimbra e arredores passaram o dia a preparar-se
O pior das consequências das cheias parece já ter passado. As descargas controladas na Barragem da Aguieira ajudaram a reduzir o impacto de uma inundação excecional na zona baixa de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure.
Agora é aguardar para perceber o impacto do acumular das chuvas que ainda terá efeito retardado em algumas regiões.