País
"Nunca sei o que me espera". Elevadores são jogo de sorte na Gare do Oriente em Lisboa
Existem 16 elevadores na interface mais movimentada do país, mas encontrá-los todos a funcionar é um achado. Se oito elevadores específicos estiverem parados ao mesmo tempo, os passageiros com cadeira de rodas não podem entrar em comboios desta estação e tenta-se encontrar uma alternativa.
Há duas formas de saber se o elevador não está a funcionar. O papel com a frase “Temporariamente fora de serviço”, em português e inglês, é um dos sinais. Está espalhado por vários equipamentos e é assinado pela IP – Infraestruturas de Portugal.
Para os que não têm papel afixado, a derradeira prova é estender o dedo para o botão e esperar uma luz verde. Alguns elevadores não reagem, outros soltam um ranger quando abrem portas - esses funcionam.
A RTP Antena 1 esteve por volta das 21 horas no sábado, dia 23 de maio, na Gare do Oriente: feitas as contas, apenas cinco dos 16 elevadores funcionavam. E nenhum deles permitiria Karina Silva entrar no comboio aqui, neste dia.
“Vou sempre com o coração nas mãos, sempre com alguma ansiedade, porque nunca sei o que me espera”, desabafa sobre o imprevisível funcionamento destes equipamentos.
É notória a degradação de alguns elevadores, com vidros partidos
Vive em Lisboa há mais de uma década, mas não deixou de ir regularmente ao Porto. Vai no comboio Alfa Pendular até Espinho e não perde a memória das avarias com os elevadores: “Desde que cá estou lembro-me sempre de acontecerem estas situações”.
Quem utiliza cadeira de rodas precisa de pedir com pelo menos seis horas de antecedência o Serviço Integrado de Mobilidade (SIM). Trata-se de um assistente que apoia estes passageiros na entrada e saída dos comboios da CP.
Na Gare do Oriente, para que este serviço aconteça, é preciso que funcionem os elevadores entre a rua e o piso intermédio, onde ficam as bilheteiras e as salas de espera – existem oito elevadores ao todo. Entre este piso e as quatro plataformas de comboio, existem mais oito elevadores (dois por cada plataforma).
Primeiro problema: os dois principais elevadores, que estão nas pontas principais da estação, “estão praticamente sempre avariados”, aponta Karina.
Segundo problema: há mais seis elevadores no terminal de autocarros que, se também estiverem parados, impedem o acesso ao piso intermédio - Karina critica ainda a “barreira arquitetónica, um degrau entre a própria rua e a plataforma” que a impede de se deslocar sozinha.
Resultado: “Já me aconteceu eu fazer o pedido SIM e receber uma resposta de que não posso embarcar no Oriente porque não se reúnem as condições - as condições são os elevadores”, conta Karina Silva.
Este é um dos elevadores mencionados por Karina na ponta da estação
Críticas à IP
Dois utilizadores habituais da estação afirmam à Antena 1 que na última quinta-feira, dia 21 de maio, na maior parte do dia, os oito elevadores da rua para o piso intermédio estiveram indisponíveis. Isso levou à suspensão do tal serviço SIM, que só foi retomado no final da tarde quando um elevador ficou operacional.
O mesmo problema aconteceu no sábado, confirmado pela Antena 1 presencialmente no início da noite.
Quanto aos outros oito elevadores, três não podiam ser usados no sábado. Apenas uma plataforma (das linhas 5 e 6) tinha os dois elevadores a funcionar nessa noite, enquanto as restantes tinham um parado e outro operacional.
Vista para terminal de autocarro na Gare do Oriente, em Lisboa
Karina Silva acumula várias histórias em que precisa de quem a rodeia, ora na subida do degrau na zona dos autocarros, ora nos seguranças e passageiros que pegam na cadeira elétrica e ajudam a descer as escadas – porque deixou de haver um elevador funcional de um dia para o outro, relata.
“Percebo que não seja uma responsabilidade que eles [os seguranças] tenham de ter”, sublinha, “porque pode alguém se magoar, pode a cadeira ser estragada sem querer” e aponta um “risco inerente que não deveria sequer acontecer”.
Noutra ocasião, não podendo embarcar no Oriente por causa das avarias, foi-lhe proposto entrar em Santa Apolónia, o que excecionalmente aceitou. Karina diz que a logística é diferente e tem mais facilidade em estacionar no Oriente.
Os problemas com acessibilidades não são exclusivos da IP, repetindo-se noutras partes de Lisboa, com a Carris ou o Metro de Lisboa, mas também noutras partes do país. A estação de Espinho “só tem um elevador e está avariado há mais de um ano”, critica, afirmando que não há uma solução perante as exposições feitas.
Elogiando a CP por um “grande esforço ultimamente”, que chegou a ter 48 horas de antecedência para pedir o SIM, Karina lamenta que a IP “não está a fazer nada em prol de, pelo menos, tentar melhorar”.
Afirma que vai ouvindo várias justificações para as avarias: há quem fale de “vandalismo”, outros “dizem que os elevadores estão demasiado usados e velhos” em que “vão avariando e depois não há peças”.
"Perante avarias de maior complexidade e que acarretam tempos de reparação mais prolongados, verificam-se, mesmo que pontualmente, condicionamentos no acesso ao Metro e às plataformas ferroviárias", explica a gestora ferroviária e rodoviária à RTP Antena 1.
Confirma que estes constrangimentos no acesso aos transportes registaram-se nos dias 20 e 21 de maio, mas que foi possível repôr um às 15 horas de quinta-feira, embora a rádio pública tenha constatado no sábado à noite que não funcionava de novo. Esta segunda-feira voltou a estar operacional, garante.
O que explica estas paragens? "As razões prendem-se com os atos de vandalismo praticados, o aumento do nível de utilização, a antiguidade dos equipamentos e também os esforços excessivos a que estes elevadores estão sujeitos no transporte de cargas, designadamente associadas aos espaços comerciais existentes nos pisos superiores", admite a IP na resposta enviada.
Sem apontar datas, a IP afirma que está prevista a "substituição integral dos elevadores e escadas rolantes atualmente existentes" - também as escadas têm avarias pela "utilização intensiva e generalizada", justifica - esperando a empresa no futuro "dotar a infraestrutura de equipamentos mais modernos, fiáveis e adequados aos atuais níveis de utilização da estação".
"A IP está, conjuntamente com a entidade responsável pela manutenção destes equipamentos, a desenvolver todos os esforços no sentido de melhorar os tempos de resposta às avarias, bem como reduzir os tempos de aprovisionamento dos materiais necessários às respetivas reparações", garante a empresa.
Também afirma estar em curso a substituição de vidros curvos partidos vandalizados em elevadores panorâmicos da estação, bem como intervenções ao nível dos sistemas mecânicos, elétricos e de segurança.
Críticas à IP
Dois utilizadores habituais da estação afirmam à Antena 1 que na última quinta-feira, dia 21 de maio, na maior parte do dia, os oito elevadores da rua para o piso intermédio estiveram indisponíveis. Isso levou à suspensão do tal serviço SIM, que só foi retomado no final da tarde quando um elevador ficou operacional.
Vandalismo, utilização e antiguidade
A IP reconhece "algumas avarias pontuais" nos elevadores da Estação do Oriente. Na manhã de segunda-feira, do grupo de oito equipamentos que liga a rua ao piso intermédio, já funcionavam dois: um no átrio central (numa das pontas da estação) e outro na zona dos autocarros.
"Perante avarias de maior complexidade e que acarretam tempos de reparação mais prolongados, verificam-se, mesmo que pontualmente, condicionamentos no acesso ao Metro e às plataformas ferroviárias", explica a gestora ferroviária e rodoviária à RTP Antena 1.
Confirma que estes constrangimentos no acesso aos transportes registaram-se nos dias 20 e 21 de maio, mas que foi possível repôr um às 15 horas de quinta-feira, embora a rádio pública tenha constatado no sábado à noite que não funcionava de novo. Esta segunda-feira voltou a estar operacional, garante.
O que explica estas paragens? "As razões prendem-se com os atos de vandalismo praticados, o aumento do nível de utilização, a antiguidade dos equipamentos e também os esforços excessivos a que estes elevadores estão sujeitos no transporte de cargas, designadamente associadas aos espaços comerciais existentes nos pisos superiores", admite a IP na resposta enviada.
Sem apontar datas, a IP afirma que está prevista a "substituição integral dos elevadores e escadas rolantes atualmente existentes" - também as escadas têm avarias pela "utilização intensiva e generalizada", justifica - esperando a empresa no futuro "dotar a infraestrutura de equipamentos mais modernos, fiáveis e adequados aos atuais níveis de utilização da estação".
"A IP está, conjuntamente com a entidade responsável pela manutenção destes equipamentos, a desenvolver todos os esforços no sentido de melhorar os tempos de resposta às avarias, bem como reduzir os tempos de aprovisionamento dos materiais necessários às respetivas reparações", garante a empresa.
Também afirma estar em curso a substituição de vidros curvos partidos vandalizados em elevadores panorâmicos da estação, bem como intervenções ao nível dos sistemas mecânicos, elétricos e de segurança.