"Operação Irmandade". Suspeitos presentes a tribunal para primeiro interrogatório

Os 37 detidos passaram a noite na prisão anexa à Polícia Judiciária e foram entretanto levados para o Tribunal Central de Instrução Criminal, para um primeiro interrogatório.

Inês Moreira Santos - RTP /
RTP (arquivo)

Os 37 detidos pela Polícia Judiciária, no âmbito da "Operação Irmandade", que teve por alvo um grupo de ideologia neonazi, são presentes a juiz já esta quarta-feira.

Os suspeitos passaram a noite na prisão anexa à Polícia Judiciária e foram entretanto levados para o Tribunal Central de Instrução Criminal, para um primeiro interrogatório. 


Só após um período de 48 horas e depois de identificados é que serão conhecidas as medidas de coação. Para já, será aplicado termo de identidade e residência.
Jornal da Tarde | 21 de janeiro de 2026

O tempo destas diligências depende, também, da colaboração dos 37 suspeitos com a Justiça. Depois deste primeiro interrogatório, cabe ao Ministério Público propor as medidas de coação aos arguidos. 

A operação que decorreu na terça-feira envolveu buscas domiciliárias e não domiciliárias em todo o país e entre os suspeitos estão um militar e um polícia.A PJ desmantelou, assim, o grupo de extrema-direita 1143, liderado por Mário Machado a partir da prisão. Foram apreendidas armas e material com símbolos nazis. 


O diretor nacional da Polícia Judiciária explicou que a operação contra um grupo de ideologia neonazi visou evitar que venham ocorrer homicídios e avisou que todos "os crimes de natureza politicamente motivados" terão resposta.

Estas 37 pessoas têm "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais". No âmbito desta operação foram constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".

Esta organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida". 

O grupo identificado pela PJ como 1143 terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia.

c/ Lusa
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