"Operação Irmandade". Um militar e um polícia entre os detidos pela PJ

Ao todo houve 65 buscas e 37 detenções de norte a sul do país nesta operação da PJ, que incluiu buscas na cela de Mário Machado, líder do grupo neonazi 1143.

Joana Raposo Santos, Carla Quirino - RTP /
Foto: Rui Alves Cardoso - RTP

Dois dos 37 detidos na "Operação Irmandade", levada a cabo esta terça-feira pela Polícia Judiciária de norte a sul do país, não são civis, mas sim elementos das forças e serviços de segurança. A RTP apurou que se trata de um militar e de um polícia.

“Em relação às forças e serviços de segurança, confirmamos que existem”, disse em conferência de imprensa Patrícia Silveira, diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo.

Entre os detidos há “dois que não são civis”, sublinhou, acrescentando que “durante a investigação foram apreendidas armas diversas de várias naturezas”.

Em comunicado citado pela agência Lusa, a PSP adiantou que o polícia detido pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal, aguardando a força de segurança a indicação dos crimes de que o suspeito está indiciado para desenvolver "os procedimentos disciplinares adequados e preventivos".

Ao todo, somaram-se 65 buscas e 37 detenções de norte a sul do país. Os detidos são suspeitos com “vastos antecedentes criminais”. O líder do grupo neonazi 1143, Mário Machado, terá dado instruções a partir da prisão.

“Também confirmamos que fizemos buscas na cela da pessoa mencionada e que foram apreendidos elementos relevantes para a investigação”, declarou Patrícia Silveira.

O diretor nacional da Polícia Judiciária deu, na mesma conferência de imprensa, mais detalhes acerca da “Operação Irmandade”, que decorreu de norte a sul do país e resultou na detenção de dezenas de suspeitos de incitamento à violência ao ódio, agressão, associação criminosa e detenção de armas proibidas.

Luís Neves confirmou que o principal alvo foi a estrutura criminosa que há 30 anos foi responsável pela morte de Alcindo Monteiro.

O diretor da PJ fez uma resenha histórica das várias fases anteriores da investigação, começando por recordar o ano de 1995. A 10 de junho desse ano "foi cometido por esta mesma estrutura criminosa, que se mantém" - com antigos e novos elementos –, o homicídio de Alcindo Monteiro no Bairro Alto, “num crime hediondo que marcou historicamente o país”.

Nos últimos anos “passámos de uma dezena de crimes de natureza de ódio” quase sempre com foco na questão racial para “sete vezes mais crimes desta natureza”, adiantou o responsável.

“Por isso, depois de uma investigação iniciada há relativamente pouco tempo, foi possível identificar uma associação criminosa ligada a este tipo de crimes – discriminação, incitamento ao ódio e à violência”, adiantou.

Esta associação tem liderança, membros, apoio logístico e distribuição de funções “designadamente ao nível do financiamento”, explicou Luís Neves. “Estamos a falar de uma estrutura com um conjunto alargado de pessoas”, com “vontade coletiva e sentimento de pertença a uma ideologia neonazi”.

“Falamos de crimes graves, de recrutamento e radicalização – com vista à segregação de parte da população”.

O diretor da PJ afirmou ainda que “quem trabalha neste tipo de criminalidade, quem tem a árdua tarefa de investigar este tipo de crimes” procura sempre que se interrompa a atividade criminosa num momento em que ainda não haja crimes de resultado.

No âmbito destas investigações “temos vários homicídios cometidos, temos pessoas que ficaram com gravíssimas sequelas” e isso “não é possível num país com a nossa matriz”, disse.

“Atuámos aqui de uma forma preventiva porque não queremos voltar a ter nem gente que fique como inválida, nem gente que veja casas incendiadas, nem gente que seja morta”, acrescentou Luís Neves.

PUB