Última Hora
BCE sobe juros em 25 pontos base pela segunda vez este ano

Justiça autoriza contacto de advogados com opositor que será ouvido no Tribunal Militar

Justiça autoriza contacto de advogados com opositor que será ouvido no Tribunal Militar

A Promotoria da Justiça Militar autorizou que os advogados do opositor guineense Domingos Simões Pereira, que deve ser ouvido na sexta-feira no Tribunal Militar, tenham acesso ao político para consultas, disse hoje à Lusa fonte da sua defesa.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Na passada sexta-feira, a mesma fonte indicou à Lusa que os advogados de Simões Pereira foram impedidos de entrar na sua residência, onde se encontra sob vigilância de policias e militares.

Líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, Domingos Simões Pereira está em prisão domiciliária desde o passado dia 30 de janeiro, após ter passado mais de 60 dias na Segunda Esquadra de Bissau.

O opositor foi detido por militares que protagonizaram um golpe de Estado na Guiné-Bissau no dia 26 de novembro.

A mesma fonte da defesa adiantou à Lusa na semana passada que o político foi notificado a comparecer no Tribunal Militar na sexta-feira, dia 13, "sem que saiba em que condições".

A defesa disse à Lusa que interpôs um recurso a solicitar o acesso a Domingos Simões Pereira a que a Promotoria da Justiça Militar "deu provimento", tendo notificado os advogados e o corpo de segurança que vigia a casa do político.

"Agora resta saber se nos deixam entrar", sublinhou a fonte, precisando que os advogados devem deslocar-se ainda hoje a casa do político.

Domingos Simões Pereira é presidente do PAIGC e da coligação PAI- Terra Ranka, que venceu as eleições legislativas de junho de 2023 e foi afastada do poder com a dissolução do parlamento, meio ano depois do ato eleitoral, por decisão do então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, quando o prazo previsto na Constituição é de 12 meses após as eleições.

Simões Pereira foi deposto da presidência do parlamento e o executivo substituído por um Governo de iniciativa presidencial.

Dois anos depois, a Guiné-Bissau foi a eleições gerais, presidenciais e legislativas, pela primeira vez sem o histórico partido PAIGC, que foi excluído do processo eleitoral, assim como o líder, por decisão judicial.

O PAIGC apoiou nas eleições gerais de 23 de novembro de 2025 o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o ex-Presidente e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.

Um golpe militar interrompeu o processo eleitoral, três dias depois das eleições e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais provisórios.

Embaló saiu do país, Fernando Dias refugiou-se na Embaixada da Nigéria em Bissau, tendo entretanto saído, e Simões Pereira foi preso.

O líder do PAIGC está em prisão domiciliária desde o passado dia 30 de janeiro, sob vigilância de polícias e militares, depois de passar 65 dias nas celas da Segunda Esquadra de Bissau.

Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, nomeando o general Horta Inta-a Presidente da República de Transição e substituindo o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.

O Alto-Comando Militar alegou que pretendeu impedir uma guerra civil e anunciou que o período de transição durará 12 meses.

Entre as medidas já adotadas pelos militares, consta a revisão da Constituição e a convocação de novas eleições gerais, presidenciais e legislativas, para 06 de dezembro.

Tópicos
PUB