Passos Coelho é candidato à liderança do PSD

Passos Coelho é candidato à liderança do PSD

Pedro Passos Coelho confirmou que é candidato à presidência do PSD, prometendo trabalhar, enquanto "rosto de mudança", para unir o partido. O antigo dirigente da JSD garante que permanecerá na corrida “qualquer que seja o naipe de candidaturas”.

Carlos Santos Neves, RTP /
Pedro Passos Coelho anuncia a sua candidatura na sede nacional do PSD, em Lisboa Mário Cruz, Lusa

Passos Coelho escolheu um cenário formal para lançar a sua candidatura – a sede nacional do PSD. E fê-lo com a anuência do secretário-geral do partido, Ribau Esteves.

“Portugal precisa outra vez do PSD. Mas precisa do PSD das verdadeiras reformas, do PSD das grandes transformações, do PSD do progresso social”, afirmou o candidato à sucessão de Luís Filipe Menezes, que se apresentou na São Caetano à Lapa como “o rosto da mudança”.

“Quero, com a minha candidatura, ajudar a mostrar uma vez mais o que o PSD tem de melhor para oferecer ao país. E só o podemos fazer unidos”, frisou.

A necessidade de reparar as fracturas no seio do maior partido da Oposição foi, de resto, uma das ideias dominantes no discurso de Pedro Passos Coelho, para quem “o PSD precisa de enfrentar o processo político unido”.

Candidatura é “para manter”

Quanto à possibilidade de deixar cair a sua candidatura em prol de outros nomes que têm vindo a ser aventados como “candidatáveis” – casos de Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa -, Pedro Passos Coelho garante que levará o combate até ao fim.

“A minha candidatura não depende de qualquer cálculo eleitoral interno e não estará dependente de outras candidatura que venham a aparecer”, frisou. Nomes como o de Manuela Ferreira Leite e de Marcelo Rebelo de Sousa são “bem-vindos”. Contudo, contrapôs, “a clarificação faz-se nas eleições, não se faz na secretarias nem em salas fora do escrutínio dos militantes”.

“Não vim aqui fazer um exercício de brincar. Não vim aqui brincar às candidaturas. Vim aqui comunicar a decisão de me candidatar a presidente do PSD. Pensei evidentemente em todas as circunstâncias que me conduziram a esta decisão”, afirmou.

“É uma candidatura para manter qualquer que seja o naipe de candidaturas que entretanto venha a afirmar-se”.

Apoios

Passos Coelho foi também questionado sobre o rol de apoios que já terá reunido.

“Isso é o que o resultado das eleições vai dizer. Se me perguntam se eu tenho apoios nesta altura que me permitam pensar que faz sentido esta minha candidatura, com certeza que não estaria aqui se achasse que não teria apoios suficientes para poder lançar a candidatura e ir agora à procura dos apoios que faltam”, respondeu.

Sobre o cenário de uma eventual recandidatura de Luís Filipe Menezes, alimentado esta sexta-feira pelo secretário-geral do PSD Ribau Esteves, Passos Coelho disse continuar a considerar legítimas as declarações proferidas na noite de quinta-feira pelo presidente demissionário, que garantiu estar fora da corrida à liderança.

“O doutor Filipe Menezes fez uma declaração e até prova em contrário é essa declaração que eu tenho como boa”, disse o candidato. No entanto, sempre acrescentou que “o secretário-geral do PSD estará mais próximo de Luís Filipe Menezes para poder fazer essas interpretações.

Ribau Esteves indicou ter conhecimento da decisão definitiva de Luís Filipe Menezes, garantindo que “tudo ficará claro no Conselho Nacional” da próxima semana.

Aguiar Branco prepara candidatura

Pedro Passos Coelho junta-se assim ao deputado José Pedro Aguiar Branco na liça de candidatos à presidência do PSD.

O antigo ministro da Justiça de Santana Lopes reafirmou esta sexta-feira, no Parlamento, a sua disponibilidade para avançar com uma candidatura à liderança do partido.

“Eu manifestei a minha disponibilidade para assumir esse desafio, mantenho a minha disponibilidade e a partir de hoje vou trabalhar para a concretizar”, afirmou Aguiar Branco.

O antigo governante escusou-se a esclarecer se a sua candidatura depende do aparecimento de outros nomes, tão-pouco a desfiar os apoios que eventualmente reúne.

“Não vou mais longe e acho que fui claro naquilo que neste momento gostava de comunicar. Manifestei a minha disponibilidade, mantenho a minha disponibilidade e vou trabalhar para a concretizar”, insistiu.

Sobre a hipótese de Luís Filipe Menezes recuar e apresentar nova candidatura à liderança, Aguiar Branco mostrou-se lacónico: “É-me indiferente”.

O deputado social-democrata revelou a sua disponibilidade para avançar com uma candidatura à liderança do PSD em entrevista publicada na edição de quinta-feira da revista Visão.

No mesmo dia Luís Filipe Menezes anunciava, a partir da sede nacional do PSD, que iria propor ao Conselho Nacional a marcação de eleições directas para 24 de Maio. E garantia estar fora da corrida.

Empresário Neto da Silva admite candidatar-se

Entretanto, o empresário António Neto da Silva, ex-Conselheiro Nacional dos sociais-democratas e professor da Universidade Católica, admitiu também vir a apresentar-se como candidato à liderança do partido, se Luís Filipe Menezes mantiver a posição anunciada quinta-feira.

Para o empresário, “Luís Filipe Menezes teve uma atitude de grande dignidade”.

“Uma recandidatura é uma decisão que só a ele compete, pois ou assume que não conseguiu convencer a estrutura partidária ou então procura uma legitimação antecipada”, afirmou Neto da Silva, citado pela Agência Lusa.

“Tomei a minha decisão depois de ouvir as declarações do doutor Aguiar Branco, porque acho que não é a pessoa adequada para liderar o partido”, acrescentou.
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