Penela ainda é um concelho "virado de pernas para o ar"
O presidente da Câmara de Penela disse hoje que o concelho ainda está "virado de pernas para o ar", que há preocupações com falhas de energia, comunicações e casas danificadas, e anunciou a reabertura das escolas para o segundo semestre.
Eduardo Nogueira dos Santos descreveu um concelho ainda "virado de pernas para o ar" e disse que, ao sexto dia após a depressão Kristin, "há uma série de pessoas que ainda não tem energia elétrica nas suas habitações".
"E isso é das questões que nos preocupa mais", salientou à agência Lusa, apontando ainda preocupações com a falta de comunicações e contabilizando "muitas centenas" de casas danificadas a diferentes níveis.
Questionado sobre se já tem uma ideia do valor dos prejuízos, o autarca respondeu que "é demasiado significativo" para já se ter uma noção.
"Entre edifícios públicos, privados e empresas, muitos milhões de euros", referiu, frisando que, nesta primeira fase, a "preocupação é com as pessoas e o seu bem-estar", e limpar as vias de comunicação.
O autarca do distrito de Coimbra anunciou que foi criado o contacto de e-mail -- danos@cm-penela.pt -- para o reporte de danos e ocorrências.
"O volume de contactos pode ser muito grande e assim criámos uma caixa de correio própria", explicou.
Eduardo Nogueira dos Santos disse ainda que vai pedir instruções à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para saber como vai ser feito o levantamento dos estragos pedido pelo Governo às CCDR e quais os apoios disponibilizados.
Para mitigar as dificuldades, a Câmara disponibilizou um hostel municipal para acolher moradores afetados por danos em casas e, segundo o presidente, muitos aproveitaram o fim de semana para fazerem reparações nas suas habitações e mitigar os problemas.
"Esta noite tivemos mais um conjunto de constrangimentos. Mais telhados, mais árvores, não foi comparável com o dia 28, mas tivemos mais um conjunto de situações, o que nos obrigou a dar aqui um passo atrás, porque foram, de facto, mais danos e mais problemas", referiu.
O município disponibilizou as piscinas municipais para quem necessitar de tomar um banho de água quente e tem, espalhadas pelo concelho, equipas multidisciplinares para prestar apoio à população e identificar potenciais problemas.
"Temos um serviço de contacto com as famílias também em funcionamento uma vez que há zonas do concelho onde alguns operadores ainda não têm serviço", afirmou, referindo que o serviço de fibra ótica e telefone fixo "ficou muito afetado", o mesmo acontecendo nas comunicações móveis.
No concelho há ainda um espaço para teletrabalho, foram criados espaços para a deposição de resíduos de obras e florestais e, apesar de algumas limitações, as escolas do concelho reabriram hoje para o segundo semestre.
"Em Penela, um dos edifícios [escolares] ainda tem algumas limitações, conseguimos reparar o telhado durante o fim de semana, mas ainda tem algumas limitações a nível da parte elétrica que sofreu danos com a intempérie", referiu o autarca.
O concelho está abrangido pelo estado de calamidade e tem ativo o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Na semana passada, Eduardo Nogueira dos Santos queixou-se de falta de meios para ajudar a recuperar Penela, adiantando hoje à Lusa que "houve um reforço de meios", estando no terreno bombeiros, um batalhão do Exército com 20 militares, elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e sapadores florestais que estão a ajudar nas limpezas.
O autarca realçou ainda o espírito de solidariedade e de entreajuda que se tem sentido no concelho.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos provocados pela depressão Kristin.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.