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Piadas e humor. Jovens apostam nas redes sociais para impulsionar clube local no Cacém

Piadas e humor. Jovens apostam nas redes sociais para impulsionar clube local no Cacém

Um grupo de jovens está a recuperar uma coletividade no Cacém, com mais de 50 anos. As redes sociais tornaram-se numa forma de tornar viral o Clube Unidos do Cacém (CUC), sediado no concelho de Sintra. Em contraste com os sócios que costumam por lá andar, o presidente e o vice-presidente têm menos de 30 anos e querem recuperar as modalidades desportivas da instituição.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Daniel Viegas, Tomás Antunes, José Costa (que trabalha no bar) e José Afonso Garcia (da esquerda para a direita) | Fotografia: Gonçalo Costa Martins - Antena 1

A rotina é simples: às 13h30, o bar do clube abre e recebe os primeiros sócios para beber café. "O meu paradeiro é aqui", aponta João Machado, com um copo vazio na mesa e jornais desportivos no canto.

Aos 51 anos desta coletividade, não tem dúvidas que existe por aqui uma nova vida por causa dos jovens que assumiram a liderança do clube.

"A juventude faz sempre bem", diz João, sem hesitar. E que juventude é esta? Numa direção de oito pessoas, três são reformados, um tem à volta de 50 anos e outros quatro têm menos de 30 anos.

Tomás Antunes é presidente do CUC, aos 24 anos, enquanto José Afonso Garcia é vice-presidente, com 26 anos. Foram colegas de faculdade, e agora são colegas de casa, de trabalho e também colegas no clube há três meses, depois de serem eleitos em dezembro. José é de Trás-os-Montes e Tomás do Alentejo: como muitos jovens, mudaram-se para Lisboa para estudar e procurar uma carreira profissional.
"O que podemos fazer por isto"?
Fixaram-se em Sintra, na freguesia do Cacém, bem próximos de uma das mais movimentadas estações da linha ferroviária de Sintra. Foram tantas as vezes que saíram desta paragem e que passaram pelo CUC que a curiosidade começou a despertar.

"Íamos para casa e passávamos nas escadas em frente ao clube", explica Tomás, um olhar para dentro das instalações e do ringue que perdeu as balizas e que está cada vez mais amarelo.Apesar de degradado, o ringue continua a ter crianças a jogar

Apesar do estado do campo, relata que havia crianças a jogar. "Aquilo suscitou-nos muita curiosidade e, ao longo do tempo, começámos a entrar, a conhecer os sócios e esta curiosidade passou mais a ser 'O que é que nós podemos fazer por isto?'", descreve.

A curiosidade transformou-se numa vontade: "Não vimos mais ninguém com vontade de voltar a trazer o clube à ribalta e, por isso, decidimos fazer alguma coisa", acrescenta José, que identifica um clube com "muito potencial" pela comunidade em redor e por "muita gente" ter "carinho ao clube".
 Reportagem Antena 1 no Clube Unidos do Cacém

O carinho cresceu quando começaram a mostrar o Clube Unidos do Cacém em vídeos nas redes sociais. O primeiro vídeo com o mote "Semana 1 a recuperar o clube do nosso bairro" teve 129 mil visualizações no Instagram e 58,5 mil no TikTok. Seguiram-se mais três vídeos em que o objetivo é aproveitar o algoritmo para "atrair o máximo de pessoas" com "vídeos rápidos, engraçados com piadas".

José e Tomás explicam que os vídeos geraram reconhecimento dentro e fora da internet. Criaram um grupo na aplicação de mensagem Whatsapp que já conta com cerca de 200 pessoas dispostas a ajudar o CUC, até com participantes de Guimarães.

"Às vezes estamos a passar na rua e a reacção mais frequente acaba por ser 'olha, os senhores do TikTok', sobretudo os miúdos mais novos"
, conta Tomás, "alguns até mostram vontade de vir jogar pelo clube".

O objetivo final desta divulgação é mobilizar interesse no clube, em que se pretende retomar as modalidades desportivas que já teve.

Até lá, o CUC tem uma vida feita à volta do convívio, enquanto a direção tenta ganhar recursos para recuperar as instalações degradadas da sede, na Rua Elias Garcia, e do ringue desportivo. Os sócios continuam a ser força matriz do CUC, que tem cerca de 350 sócios (já chegou a ultrapassar os três mil), num contraste de gerações. O bar do CUC é um ponto de encontro depois de almoço

Daniel Viegas é o membro mais novo da direção, com 20 anos, sendo vice-presidente do conselho fiscal. É do Cacém e o clube não lhe era estranho, "apesar de ter nascido já depois do clube ter caído" e tem visto os últimos meses como uma "oportunidade de crescimento pessoal" num clube local.

Já o senhor Rio, como é conhecido, com 73 anos, é o sócio número sete desta coletividade que nasceu em 1975. Os "magnatas", como chama no gozo aos três jovens que a Antena 1 entrevistou, cruzam-se agora com frequência com ele e muitos outros sócios.

"Há uns que não dormem durante a noite só para vir para aqui"
, diz ao referir-se aos jogadores da sueca que por aqui passam. Já de cartas na mão, há um que comenta: É "sempre amigável, só que há uns que levam isto muito a sério".
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