País
Portal da Queixa. Barómetro sobre Saúde em Portugal expõe "erosão da confiança" dos utentes
O Barómetro anual do estado de saúde em Portugal relativo ao ano de 2025 tem por base as queixas dos utentes de serviços de saúde no Portal da Queixa.
No total, o Portal da Queixa recebeu 5.446 reclamações sobre saúde em 2025, um aumento de 2,12% face ao ano anterior. No entanto, apesar do crescimento percentual “contido”, a análise às queixas expõe uma realidade “alarmante” de “normalização” do estado de crise, conclui o barómetro elaborado pela Consumers Trust Labs, um hub de inteligência de dados.
Segundo a análise quantitativa e qualitativa das queixas, o setor privado é o que apresenta maior número de queixas (71,94%). No entanto, mesmo que o grau de insatisfação com o setor público seja menor (28,06%), a gravidade das denúncias aumentou “exponencialmente”, com foco em questões “de vida ou morte, dignidade humana e acesso básico a cuidados”.
Na leitura deste barómetro, o sistema “operou consistentemente nos limites da sua capacidade, gerando níveis de fricção sem precedentes entre prestadores e cidadãos”, um “descontentamento que atravessa transversalmente o setor público, privado e social”.
Para lá dos números, o estudo denota que o ano ficou marcado por uma “tempestade perfeita”, desde a implementação das novas Unidades Locais de Saúde (ULS), greves de médicos e enfermeiros, o confronto entre grandes grupos de saúde privados e a ADSE e ainda “falhas catastróficas em infraestruturas críticas”, nomeadamente no Hospital Amadora-Sintra.
“O utente de 2025 é um cidadão exausto”, conclui o documento, lembrando os encerramentos das urgências de obstetrícia “rotativas e imprevisíveis”, ou ainda os tempos de espera “públicos” no setor privado.
“A perceção dominante é a de um sistema fragmentado, onde a continuidade dos cuidados foi sacrificada em prol da gestão de contingências diárias”, conclui ainda, afirmando que os números elevados de reclamações demonstram que os problemas são “estruturais”. As reclamações concentram-se sobretudo em Lisboa, seguida do Porto e Setúbal.
“Sentimento de insegurança profundo”
Sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o barómetro diz que é “um gigante em sofrimento”, num cenário de “degradação humana e técnica” onde a principal falha apontada é a da falta de qualidade do atendimento.
Grande parte das reclamações do setor público é referente ao “terceiro trimestre” do ano, ou seja, nos meses de julho, agosto e setembro, referentes nomedamente à especialidade de obstetrícia, com grávidas “forçadas a ‘peregrinações’ entre hospitais”.
O barómetro lembra os casos de partos em ambulâncias ou mesmo na via pública que, ao serem “amplamente mediatizados”, geraram “um sentimento de insegurança profundo”.
Por outro lado, este relatório vê um “mecanismo do caos” na análise ao trabalho da Direção Executiva do SNS, por ter mantido a “política de encerramentos rotativos”, com vários fins de semana críticos de agosto com urgências “simultaneamente” encerradas na especialidade de Ginecologia/Obstetrícia nas mesmas áreas geográficas.
Lembra também, ainda no setor público, a “falha catastrófica” com o apagão informático no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca.
Urgências privadas “saturadas”
Já no setor privado, para além das questões clínicas, destacam-se também as queixas administrativas e financeiras, com “faturas surpresa”, “copagamentos inesperados” ou “recusas de cobertura”.
A situação foi particularmente difícil, ou mesmo de “’guerra’ aberta” entre a ADSE e os grandes grupos de saúde privados. Em julho último, a Autoridade da Concorrência acusou estes grupos privados de “práticas restritivas da concorrência”, nomeadamente com “concertação de preços e de posições negociais”.
O barómetro com base nas queixas dos utentes foca-se também na saturação das urgências no privado, sobretudo nos períodos em que o SNS “colapsou”, ou seja, na semana de Natal e Ano novo e durante o verão.
Destaca-se também o “clima de agitação social” no setor, com grande impacto das greves de médicos, enfermeiros e técnicos, ou uma tendência registada em 2025 com a “explosão de reclamações no comércio online de produtos de saúde”.
O estudo conclui que o principal desafio para a Saúde em 2026 será o de “reconstrução de confiança” com o sistema a “garantir previsibilidade”.
Segundo a análise quantitativa e qualitativa das queixas, o setor privado é o que apresenta maior número de queixas (71,94%). No entanto, mesmo que o grau de insatisfação com o setor público seja menor (28,06%), a gravidade das denúncias aumentou “exponencialmente”, com foco em questões “de vida ou morte, dignidade humana e acesso básico a cuidados”.
Na leitura deste barómetro, o sistema “operou consistentemente nos limites da sua capacidade, gerando níveis de fricção sem precedentes entre prestadores e cidadãos”, um “descontentamento que atravessa transversalmente o setor público, privado e social”.
Para lá dos números, o estudo denota que o ano ficou marcado por uma “tempestade perfeita”, desde a implementação das novas Unidades Locais de Saúde (ULS), greves de médicos e enfermeiros, o confronto entre grandes grupos de saúde privados e a ADSE e ainda “falhas catastróficas em infraestruturas críticas”, nomeadamente no Hospital Amadora-Sintra.
“O utente de 2025 é um cidadão exausto”, conclui o documento, lembrando os encerramentos das urgências de obstetrícia “rotativas e imprevisíveis”, ou ainda os tempos de espera “públicos” no setor privado.
“A perceção dominante é a de um sistema fragmentado, onde a continuidade dos cuidados foi sacrificada em prol da gestão de contingências diárias”, conclui ainda, afirmando que os números elevados de reclamações demonstram que os problemas são “estruturais”. As reclamações concentram-se sobretudo em Lisboa, seguida do Porto e Setúbal.
“Sentimento de insegurança profundo”
Sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o barómetro diz que é “um gigante em sofrimento”, num cenário de “degradação humana e técnica” onde a principal falha apontada é a da falta de qualidade do atendimento.
Grande parte das reclamações do setor público é referente ao “terceiro trimestre” do ano, ou seja, nos meses de julho, agosto e setembro, referentes nomedamente à especialidade de obstetrícia, com grávidas “forçadas a ‘peregrinações’ entre hospitais”.
O barómetro lembra os casos de partos em ambulâncias ou mesmo na via pública que, ao serem “amplamente mediatizados”, geraram “um sentimento de insegurança profundo”.
Por outro lado, este relatório vê um “mecanismo do caos” na análise ao trabalho da Direção Executiva do SNS, por ter mantido a “política de encerramentos rotativos”, com vários fins de semana críticos de agosto com urgências “simultaneamente” encerradas na especialidade de Ginecologia/Obstetrícia nas mesmas áreas geográficas.
Lembra também, ainda no setor público, a “falha catastrófica” com o apagão informático no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca.
Urgências privadas “saturadas”
Já no setor privado, para além das questões clínicas, destacam-se também as queixas administrativas e financeiras, com “faturas surpresa”, “copagamentos inesperados” ou “recusas de cobertura”.
A situação foi particularmente difícil, ou mesmo de “’guerra’ aberta” entre a ADSE e os grandes grupos de saúde privados. Em julho último, a Autoridade da Concorrência acusou estes grupos privados de “práticas restritivas da concorrência”, nomeadamente com “concertação de preços e de posições negociais”.
O barómetro com base nas queixas dos utentes foca-se também na saturação das urgências no privado, sobretudo nos períodos em que o SNS “colapsou”, ou seja, na semana de Natal e Ano novo e durante o verão.
Destaca-se também o “clima de agitação social” no setor, com grande impacto das greves de médicos, enfermeiros e técnicos, ou uma tendência registada em 2025 com a “explosão de reclamações no comércio online de produtos de saúde”.
O estudo conclui que o principal desafio para a Saúde em 2026 será o de “reconstrução de confiança” com o sistema a “garantir previsibilidade”.