Portugal envia equipa para Maputo para seguir investigação à morte de administrador português

Portugal envia equipa para Maputo para seguir investigação à morte de administrador português

O Governo português vai enviar uma equipa para Moçambique, que inclui elementos da Polícia Judiciária e do instituto de medicina legal, para acompanhar as investigações à morte do português Pedro Ferraz Reis, administrador do banco moçambicano BCI.

Lusa /

"Na sequência dos contactos com as autoridades de Moçambique, decorridos ao longo desta semana, e no quadro de cooperação entre autoridades policiais e judiciárias de ambos os países, seguirá neste fim de semana para Maputo uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses", adianta o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Justiça, num comunicado conjunto, hoje divulgado.

A equipa "acompanhará as investigações da morte do empresário Pedro Ferraz Reis, em estreita cooperação com as autoridades judiciárias e policiais", acrescenta.

A morte de Pedro Correia chocou a comunidade portuguesa e moçambicana e a disponibilidade para a cooperação na investigação com Portugal é vista localmente como positiva e pouco comum.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique disse na quinta-feira à Lusa que ainda não encerrou a investigação à morte do português e que decorrem diligências.

"Segundo o relatório médico-legal, assim como as provas encontradas no local, a disposição das mesmas provas, dúvidas não existem de ter sido suicídio. Entretanto, é preciso apurar porque pode ter sido suicídio, mas [o] suicídio, se calhar, pode ter sido provocado. Então, há esses elementos que precisam ser ainda apurados", disse o porta-voz do Sernic, Hilário Lole.

O Sernic anunciou na terça-feira que o português, de 56 anos, se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio.

De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida na casa de banho daquela unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de veneno para ratos.

Nessa conferência de imprensa, foram apresentadas imagens de videovigilância do português a comprar os instrumentos e o veneno.

Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, avançou que a morte do cidadão português era resultado de homicídio e que investigações estavam em curso, com base nas imagens de videovigilância do referido hotel, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23:46, e que se tratou de "um homicídio voluntário".

Entretanto, uma petição `online` com mais de 8.600 assinaturas até ao dia de hoje aponta "a incongruência das explicações" sobre a morte do gestor português.

"A investigação realizada pelas autoridades moçambicanas foi dada como concluída num curto espaço de tempo (horas), passando rapidamente da tese de homicídio a suicídio", lê-se na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, classificando como "descabida e inimaginável" a explicação de que Pedro Correia "saiu do seu local de trabalho para ir a sua casa tirar uma faca da sua cozinha, deslocando-se, depois, a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas, seguindo depois para outro estabelecimento comprar veneno para os ratos, para em seguida cometer suicídio num hotel".

Segundo o Sernic, na segunda-feira, Pedro Correia saiu do local de trabalho às 14:00 (12:00 em Lisboa), em direção a casa, de onde tirou uma faca. Deslocou-se a um estabelecimento comercial, na marginal de Maputo, para adquirir, entre outros bens, mais duas facas, depois encontradas no interior da sua viatura. De seguida, deslocou-se a outro estabelecimento, onde adquiriu o veneno para ratos, tendo sido "encontradas partes dessa substância no seu organismo" no exame médico-legal.
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